terça-feira, 26 de junho de 2012

Perdão


Uma coletânea resumida de pensamentos sobre Perdão extraídos de textos do Ariovaldo Ramos e do Livro Fundamentos da Teologia Cristã:
  • Perdoar de antemão imita a Deus. Deus em sua Presciência (Conhecimento de antemão) soube que quando criasse o homem o mesmo pecaria, portanto o primeiro ato de Deus foi perdoar.
  • Em um nível mais intenso, o Espírito do Perdão é uma referência do que é ser a imagem e semelhança. A história do mau servo que teve a dívida perdoada pelo seu senhor e não perdoou a dívida de seus colegas. Deixar de perdoar desagrada a Deus e de certa forma mostra o não entendimento da própria Graça de Deus.
  • Pedir perdão adora a Deus. É reconhecer que eu, homem, estou errado e Deus está certo.
  • Pedi perdão é um princípio. O argumento contido na parte referente ao perdão na Oração dominical, mostra que devemos estar praticando o ato de perdoar para sermos perdoados. "Perdoa-nos assim como temos praticado o perdão com os nossos ofensores"
  • O perdão não é automático, pelo contrário, o perdão é precedido pela condição do arrependimento em Jesus. É preciso um ato de acordo com que Deus propôs.
  • Toda a "atmosfera" que envolve perdoar e ser perdoado pode estar ligado a cura da alma. Basta lembrar-se do Salmo 32 e da palavra utilizada no encontro de Jesus com o paralítico. “Meu filho perdoados te são os teus pecados"
  • O perdão além de restaurar o relacionamento, ele tem o poder de intensificá-lo. Lembre da história do filho pródigo.
  • Perdão custa caro a quem perdoa. Basta lembra que pra Deus custou a vida do seu filho Unigênito
Em João 4, o Perdão de Deus mostrou uma capacidade de transformar alguém inferiorizada por seu mulher numa cultura patriarcal, discriminada por fazer parte de uma comunidade mal vista historicamente e marginalizada pelo seus atos em uma missionária. Tudo isto através do perdão.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Sobre a Santidade


Introdução

Quando pensamos em Santidade, torna-se importante frisar a diferença a luz da escritura entre a Santidade Divina e a Santidade exigida aos Cristãos, assim como aplicação no contexto da humanidade.

A santidade de Deus é aquela que está ligada ao divino que é imaculado, sem erros, sem pecado algum. Santidade relacionada na transcendência, um ser a parte e diferente do toda a criação. Afinal, Ele é o Criador e não criatura. 


A Bíblia mostra uma visão de Isaías 6 que está relacionada ao atributo da santidade de Deus e eleva o mesmo a repetição por três vezes. Santo, Santo, Santo fazendo referência a Trindade. Também em relação ao Espírito de Deus a bíblia faz questão de comunicar que o Espírito é Santo.

Na oração dominical modelo, o famoso Pai nosso, a segunda parte da oração ensina que nossa função como Filho é santificar o nome de Deus entre os homens. A intenção é representar a Deus tornando o nome Dele conhecido como Santo.

Agora a santidade que está relacionada a humanidade é aquela que frisa a separação para uma santificação. Basicamente Deus apenas exige um tipo de santidade para humanidade, aquela que tem o significado relacionado com a separação das coisas deste mundo. Reservar-se quanto a prática do pecado. Alguns acreditam também que devemos simular a transcendência de Deus na referência humana em relação a toda criação. O homem é um ser diferente de toda criação justamente por ser a imagem e semelhança de Deus. Esta diferença se mostra em atitudes definidas por Ele como uma ação para que o cristão convertido tome.

Santidade Divina

Um ponto importante e inicial é que Deus não é separado por existir outras opções que o tente. Tiago 1.13 "Ninguém sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta." Deus não esta sujeito ao pecado porque nele não há natureza humana e nem maléfica. A origem desta palavra esta no grego "apeirastos" que deixa claro que Deus não pode ser tentado. Quando é destacada a santidade de Deus, o significado nasce do Divino, que nos leva a idéia de uma natureza que esta acima da concepção humana e das coisas corruptíveis. Is 55:8, 9 "Pois os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos". Essa declaração é chave para entendermos que o propósito de Deus esta infinitamente mais elevado do que o nosso, assim como todos os seus atributos.

Em Isaías 40:25 "A quem, pois, me comparareis para que eu lhe seja igual? -- diz o Santo" Isaías mostra que as criaturas não são nada em comparação com o Criador. Nesse ponto é possível notar que a característica central de Deus é a Santidade, inteiramente relacionada com a Perfeição. É explicito: Deus é o Centro da Perfeição. Ele é absoluto e não há grau de comparação de verdades, santidades e qualquer outras situação que possa questionar ou apontar algum bem maior que Deus. Não há bem ou separação ou qualquer coisa nesse mundo que esteja no nível de comparação de Deus. Ele é Santo porque dele vem a santidade.


Santidade exigida aos homens

Quando lemos a passagem de João 14:26 podemos sugerir que existe uma consciência moral gerada pelo Espírito. "Mas o Ajudador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito." Esta passagem deixa claro que Jesus estava falando de "alguém" que ensina novas situações e que é a lembrança das coisas que Ele já disse. Como sabemos que a Bíblia ensina princípios para os cristãos, este versículo, além da característica educacional espiritual, esta relacionado com o discernimento diante de uma situação. O texto de Isaías 1:16-17; 2:3 confirma que o homem pode discernir entre o bem e o mal através da revelação de Deus. Ou seja, quando estamos diante de uma situação de decisão, a consciência moral gerada pelo Espírito com características de separação para o que é correto, nos leva a tomar a direção certa diante da situação.

Em outra situação, o trecho de Hb.12.14, mostra que santidade é um dos pré-requisitos para aqueles que desejam a Salvação. Ela igualmente está relacionada a idéia de Separação. Ou seja, o ato de se reservar quanto as coisas humanas corruptíveis. No conceito cristão, esta inteiramente ligada a conversão a Jesus e a assumida vida diferente dos parâmetros nos quais se sitiam a maior parte da humanidade. A Bíblia aplica a santidade a imitação da vida de Cristo quanto homem. O exemplo de Jesus em viver em separação enquanto habitava como homem e sua determinação em seguir e cumprir o propósito a que veio. E isto, nos implica que "não há separação sem uma missão". Somos separados, somos reservados para cumprimento de uma causa que é missão de Cristo.

Nota: É bom ressaltar que só porque os cristãos têm valores diferentes, não significa que não tenha que viver sob leis. Nossa separação é um auto-renuncia de desejos reforçado pela concepção que nos leva a compreensão racional de uma vida diferente, porém temos obrigações nas quais o nosso estilo vida não impede de cumprirmos. Ou seja, somos cidadãos e temos que cumprir com as nossas obrigações.

"Aquele que diz que não tem pecado faz Deus mentiroso" (1 Jo 1, 10)

Também do ponto de vista do que se espera do Cristão, ser santo não é ser sem pecado, mas se reservar quanto a prática do pecado. A diferença chave para esse entendimento, esta na pessoa que se pré-dispõe a conhecimentos fundamentais para ser cristão. Um desses conhecimentos é saber diferenciar o que é pecado do ponto de vista de Deus. Viver sem pecado sem a ajuda da consciência moral divina é impossível ao ângulo humano, pois não temos a exata percepção do que é pecado se não for pelo ângulo de Deus. Esta exata percepção vem da consciência gerada através do Espírito desenvolvendo em nós a dimensão da verdade para que sejamos libertos. A medida que conhecemos a bíblia e reservamos ela em nosso coração como parâmetro, estaremos assim no processo certo e exigido por Deus para a santificação.

Outra percepção é que a verdadeira liberdade alcançada através da libertação, esta na conscientização da razão através da bíblia. 1 Coríntios 10:23 "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam." Isso mostra que a bíblia dita a moralidade que vai reger o comportamento do cristão. Manifesta-se a verdadeira liberdade, aquela que temos a livre condição de escolher entre dois caminhos, e por não ser escravos da nossa vontade ou mesmo do pecado, escolhemos aquela que é certa aos parâmetros bíblicos. É ser livre do egoísmo que prende a nos mesmos ou qualquer outro desejo puramente humano

Portanto, exigir a santidade de homens com a referência da Santidade Divina é um erro. Esperar de um humano que tem a natureza corruptível e lhe atribuir uma qualidade muito maior que sua capacidade, possivelmente é valorizar os humanos e menosprezar a Deus. Somos a imagem e semelhança, porém não somos Deus. O que creio e afirmo é que santidade só está ao nosso alcance se Deus nos ajudar em nosso esforço. O que é possível, nós fazemos, o que é impossível Deus fará.

Espero que tenha contribuído.


domingo, 24 de junho de 2012

Porque as freiras me irritam?


Hoje tive refletindo sobre as freiras. Estranho? Na verdade é estranho, mas a intenção é tentar entender porque elas me irritam. Sério, elas me irritam...

- Talvez porque indiretamente eu queria ser um pouco missionário como elas. Abrir mão de tudo e segui enclausurado em um convento ou numa missão religiosa. Mas isso não é pra mim e percebi que isso tbem não me irrita.

- Imaginei se era porque elas representam figuras severas... Meio inacessíveis. Na verdade elas são meio que um mito religioso. Nos ônibus e nos lugares públicos há receio em até sentar no banco parceiro. Mas isso tbem não me irrita

- O motivo podia ser porque são mulheres que assumem os compromissos da castidade. Abstinência de prazeres sexuais. Não, isso não me irrita.

- Talvez porque elas não são como nos filmes "Mudança de hábito". Freirinhas simpáticas, meio mulecas e carismáticas. Alem do musical de primeiríssima qualidade. Que nada! Elas me irritavam antes do filme.

- Será porque são de outra religião? Mas eu nem sou religioso. Sou cristão. Então isso não é motivo.

Na verdade, eu acho que eu sou irritadiço. Um tanto quanto chato! Talvez seja isso. Ou... talvez elas poderiam sorrir mais, serem mais simpaticas, mais acessíveis, mais cristãs e menos religiosas. E uma vez ou outra sentar no "banco da janela" e com o sorriso, ceder o espaço do outro banco para outras pessoas. Possivelmente isso me irritaria menos.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A imortalidade


"A Bíblia é uma janela na prisão deste mundo, através da qual podemos olhar para a eternidade"  - Timothy Dwight

Quando o momento presente é estranho, incerto e desencorajador, existe sempre uma esperança no coração dos filhos de Deus, justamente porque sempre temos uma saída indicada pela Palavra de Deus. A bíblia lida com esperança assertiva, que permite que o inominável se apresente aos homens com um nome, Jesus. Jesus é a nossa esperança porque Ele sempre será a nossa saída. Não há impossibilidade para Deus, trevas tornam-se luz, morte vira vida.

Isto ensina a respeito da visão plena das coisas. Olhar com a ótica de Deus para ter a expectativa naquilo que realmente importa. Esta visão gera esperança porque ela nos diz que o Deus que agiu no passado é o Deus que pode agir no hoje. Afinal, Hb 13:8 diz assim "Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente." Impossível olhar para este texto sem refletir sobre o passado, ou sobre o presente ou mesmo sobre o futuro. O texto está dizendo que o mistério do tempo não se aplica a Deus, e mais, o mistério do tempo submete ao querer Dele. Deus domina e sujeita o tempo.

Olhando mais intensamente, em Jeremias que diz assim: "Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de Judá." Esta profecia é futura ao dizer "vem dias", e dentro deste contexto sobre o "tempo" de Deus, me faz pensar muitas coisas.

Por exemplo: No passado, Deus prometeu que faria uma Nova Aliança, e nos dias atuais desfrutamos disto. Isto deixou de ser uma promessa para ser um fato do qual desfrutamos. Faz-me pensar que Deus é único com esta capacidade de não ver limites de espaço e tempo. Penso assim: Quer ter um futuro? Fale com Quem já está lá.

Por outro lado, quem não se lembra de algum momento que passou? Algum momento que traz aquele sentimento gostoso no coração de saudade? Por exemplo: Fotos, perfumes e historias têm este poder de nos remeter a lembranças. Algumas lembranças são boas outras nem tanto. Acredito que muitos devem até pensar: No meu tempo é que era bom! Possivelmente isto é verdade. Muitas coisas que vivemos no passado, possivelmente será aquilo que de melhor já vivemos na ótica humana. Não é um erro pensar assim. Entretanto, não é um erro pensar assim se você não tem "Visão Plena".

Nossa vida humana é passageira e sempre terão momentos que serão marcantes. Porém, devo frisar que nunca será o melhor da vida, até pelo conceito de vida para os cristãos. Vida no modo de Deus é abundante, sempre com novidade e o principal, é vida eterna. O melhor sempre pertence ao Senhor e pelo plano da redenção, o melhor ainda está por vir.

Não apenas isso. A Bíblia indica sempre para deixarmos o passado e irmos para o futuro. Eu vejo nisso como uma força motivacional de fé para continuarmos. O passado é fundamental para o futuro. O que se planta no ontem colherá no hoje. O que se planta agora, lembrando que hoje é passado do futuro, colherá no amanhã. E somos resultado disto.

Acrescento a idéia de que precisamos discernir que fundamental é diferente de essencial. Fundamental tem o poder de influenciar, essencial tem o poder de determinar. No conceito cristão do que é essencial, posso resumir em uma palavra: Jesus. O único que pode intervir no passado e nos libertar de suas conseqüências.

Havia um "morto" chamado Lázaro que jazia morto a quatro dias. Apesar da descrença daqueles que estiveram presentes, Jesus mostrou que é o Senhor da vida e do tempo. Palavras de Jesus: "Aquele que crer em mim ainda que esteja morto ressuscitará." Morto é oposto de vivo. Morto é um estado que implica passado. Vivo implica presente. Na história o morto ficou vivo. O passado virou presente. Lazaro ficou ex-morto. Em qual outro lugar isto acontece?

Soa como redundante dizer que o passado passou e o que passou não volta mais. É elementar. Sabe por quê? Porque o passado está limitado ao tempo e o tempo não permite. O tempo é implacável e sempre tem como objetivo o amanhã. Por isso pondero que ficar remoendo o que passou é desacreditar que Deus pode construir algo melhor. É viver sobre às cinzas da conversão. Ou seja, já queimou, hoje não queima mais. Precisa de nova lenha.

Agora quando o passado se torna um grande problema da nossa vida, ainda que ele tenha sido bom, eu recomendo conversar com Deus. Ficar preso ao passado é deixar de Crer que Deus é infinito em fazer abundantemente além. Ou seja, tudo que pensamos, vivemos ou presenciamos, Deus pode fazer mais. É especialidade de quem é ilimitado em poder e infinito em saber. Seus atributos estão vinculados a Ele e confirmam para nós a fé de que sempre existirão boas razões para seguirmos em frente. Ter expectativa no Senhor Jesus é olhar pra frente.

Não podemos confundir a respeito de quem servimos. Uma coisa é conversar com tempo, outra coisa é conversar com o Senhor do tempo, Deus. Deus não se limita. Ontem, hoje e amanhã para Ele mesmo são.


Igualmente percebo que ficar preso pode significar acomodação. Paulo viveu enormes experiências como Naufrágio, abismos, perseguições, apedrejamentos, etc. Se existiam duas pessoas que poderiam ficar acomodadas são Jesus e Paulo, entretanto, vemos que nenhum e nem outro acomodaram ou mesmo aceitaram qualquer sugestão para acomodarem. É forte isso!

Crer no evangelho de Jesus requer a compreensão de que o nosso passado sempre ficará para trás, ainda que passado seja de boas atitudes e obras. Paulo disse que não julgava ter alcançado, mas uma coisa ele fazia: Deixava as coisas que para trás ficam e prosseguia em rumo à soberana vocação. Ele está dizendo que têm uma vocação que é suprema, maior do que qualquer outra e que gera a força da continuidade. A bíblia diz para andarmos dignos da vocação que somos chamados. Andar digno é minimamente responder a altura da responsabilidade delegada.

Advirto que saudosismo de lamentação é típico de quem está preso na "Babilônia" desta vida. Viver olhando para o passado e ficar remoendo o tempo que passou, pode significar a falta de crença de que Deus tem reservado momentos muito maiores do que seus olhos podem crer. Particularmente, creio que é imaturidade olhar para o momento do nosso passado como algo que você possivelmente não poderá mais viver. Para aqueles que são pais, acho injusto inclusive com o filho. É não ter esperança que haverá um mundo melhor.

Percebo e insisto na reflexão que sempre existirá um advento novo, uma novidade de vida para ser vivida. E se é novidade, significa que não é velho. Odres velhos contêm velhos vinho. Odres novos contêm vinhos novos. Deus tem coisas novas, mas é preciso trocar os odres.

Pense: Ainda que vivenciassem um tempo de crise, que estejamos próximos do tempo do fim e que todo presente que vivenciamos seja inferior ao passado, o futuro pela ótica bíblica sempre será melhor. Este é um paradoxo santo.

Foi no passado que Cristo se revelou, porém é no futuro que Ele consumará o seu reinado. Na vida do cristão, tudo que éramos não se compara com que somos e nem se compara com futuro de Glória que virá. A bíblia faz questão de garantir esta idéia ao dizer que nem olhos viram, nem ouvidos ouviram o que Deus preparou para nós. Ou seja, tem sempre algo melhor por vir.

Viver a vida eterna que Jesus nos agraciou é ato que descreve o presente, é ser contínuo na busca desta soberana vocação. E como diria Paulo: Viver no presente é Cristo, morrer é lucro. O lucro concretiza o ganho da vida eterna.

Por causa de Jesus, somos os mortais mais imortais que eu conheço.

Glória a Deus.

domingo, 17 de junho de 2012

A diferença Bíblica entre Receber e Aceitar o pecador

Nestes dias onde a iniqüidade se multiplica e como conseqüência o amor se esfria, precisamos estar treinados nas escrituras como obreiros aprovados em nossa própria vida e vigilantes aos intentos do maligno. A Bíblia diz que o mundo jaz no maligno. Sempre quando penso nesta passagem imagino uma conserva. Visualizo um mundo curtindo na malignidade do Império das trevas. Os nomes destas malignidades são apostasia, falsos mestres, virgens loucas, falsos crentes, lobos vestidos de ovelhas, hipócritas de todos os tipos, pessoas que tentam manipular a palavra de Deus para o próprio benefício e que estão às portas buscando a quem possa enganar.

Teremos de lutar contra isso todos os dias, pois definitivamente "não existe salvação sem desenvolvimento e nem santidade sem luta". E pelo processo da luta é que crescemos e obtemos vitória.

Diante deste alerta, proponho a definição do que é ser convertido. Ser convertido é não ter nenhum outro ponto de vista que não seja o de Cristo. Simples assim. É olhar para uma situação e discernir qual é ponto de vista de Cristo. Para isto, quero de antemão lembrá-los que Cristo não acusava, mas sempre se posicionou através da orientação. O ponto chave para a diferença entre aceitar e receber o pecador é a orientação. Isso é fundamental para mudança de vida. A intenção é ensinar a ser como Ele. Ser transformado, ou seja, "sofrer" uma metamorfose para ser como Ele, JESUS CRISTO, o cordeiro de Deus imaculado. Para nós é importante a ênfase de sermos como Jesus, e isto inclui principalmente ser como Ele para viver sem pecado. Diante disso sugiro uma rápida reflexão sobre a diferença entre Aceitar e Receber. Jesus recebe a todos, mas não aceita a todos. Existe uma condição. A condição é o arrependimento como porta de entrada do Reino de Deus. O Reino de Deus não se inicia em um lugar, mas em uma mudança. E o arrependimento válido é aquele que muda a convicção para a pessoa crer em Jesus, recebendo assim o poder libertador da graça de Deus para que não peques mais (Romanos 6:14).

Olha o que texto fala:

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e meu fardo é leve." Mt 11:28-30

O versículo é um convite, o de que Ele recebe e receberá a todos. Inclusive marginalizados, efeminados, inferiorizados e aqueles que se consideram doentes de algum ponto de vista. Só que é necessário notar que receber é diferente de aceitar. A instrução de Jesus para mulher que adulterava deixa claro essa diferença:

Mas, como insistissem em perguntar-lhe, ergueu-se e disse- lhes: Aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra. E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. Quando ouviram isto foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos, até os últimos; ficou só Jesus, e a mulher ali em pé. Então, erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém senão a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais. João 8:7-10 

Acusação e condenação não fazem parte do contexto de Jesus. E nisso acredito que se aplica o contexto da conversão, pois no ponto de vista de Jesus não havia ninguém ali que podia condená-la. Ser convertido também é manter a postura da medida de Cristo, e neste contexto é não condenar ninguém, mas orientar sempre.

Úlrico Zwínglio disse certa vez "E, quanto à verdade, não podemos abandoná-la, mesmo que isso implique na perda de nossa vida, pois não vivemos para esta geração, nem para servir aos príncipes, mas para o Senhor". Não podemos deixar de falar a verdade, esta é a orientação que liberta, afinal é a verdade que liberta. Observe que Jesus não deixou de orientar a mulher. Ele mostrou que não aceitava o pecado que ela cometera através da orientação. Jesus disse: “Não Peques Mais”

Porque Ele disse "não peques mais"? Se observarmos Jesus sempre aponta para dois caminhos. Ele é a vida e o pecado é a morte. "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor." Romanos 6:23. Esta é a diferença crucial entre receber e aceitar. Receber é vir como estas sem a preocupação comportamental de se enquadrar em algum padrão moral. Aceitar é permitir que as pessoas permaneçam como estão. E isso Jesus não fez. Sabe por quê? Porque em Romanos 3:23 diz: "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; " Todos... O pecado humano é o que destrói o próprio homem. O Pecado reina na morte. Morte é o salário do pecado. Jesus não é apenas o contraponto do pecado, mas a única opção de vida. Conscientizar as pessoas disso faz parte do seu ministério. Viver Nele é a única forma de vida que existe. Não há outro caminho, Ele é o caminho, a verdade e a vida. E para as pessoas viverem a vida do "modo de Deus" precisam abandonar o pecado.

Minha preocupação nos atuais dias é com uma igreja tolerante ao pecado e sem discurso de mudança que gera um conformismo natural. Como cristão, acredito que a Igreja deva ser acessível para todos, sem exceção. Porém, a Igreja precisa ser um instrumento de avivamento na vida dos seus fiéis, na vida da humanidade a fim de orientar a todos a ser como Jesus. Por razões bíblicas, a Igreja precisa ser sempre INTOLERANTE ao pecado, entretanto também deve ser a instituição que orienta como viver sem pecado.  E isto feito do jeito certo é uma demonstração do amor de Deus aos homens.

Não tenho dúvidas que Jesus recebia a todos os pecadores, mas também não tenho dúvidas que a orientação Dele sempre é e será no sentido para que a pessoa não peque mais. Pense: Aquele que sacrifica a própria vida por alguém que está num curso de morte por causa do pecado e transforma este alguém, dando-lhe vida abundante e eterna no presente, sabe o quão mal para os homens o pecado é. E não apenas isso, mas Jesus nos ama tanto e tanto, com um amor sem medida ao ponto de sacrificar-se, tornando aquilo que Ele mais despreza, amavelmente por não querer que a gente se perca. "Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus." 2 Coríntios 5:21

Um exemplo final para ilustrar o que falamos é que Cristo sempre foi acessível aos marginalizados de seu tempo. Biblicamente vemos cobradores de impostos, prostitutas, gentes de todos os tipos. Entretanto isso não significava que Ele concordava com os erros de qualquer que seja a pessoa. Pelo contrário, o seu discurso chegou a ser considerado duro pelos seus discípulos (Leia João 6:60 a 71). O que fica muito evidente pra mim nas escrituras é que o crivo para ser seguidor de Jesus é altíssimo. Ele chama a todos, celebra com todos e depois propõe o “Seu padrão”. Se adéqüe quem quiser. Basta lembrar-se do Jovem Rico, pessoa que era moralmente irrepreensível, um cumpridor da lei. Atente para concepção lógica de que para alguém cumprir algo, precisa antes conhecer "o algo". Ou seja, ele era conhecedor e cumpridor dos Mandamentos. E Judas Iscariotes? Andou três anos e meio com Jesus, conhecendo atentamente de perto. Numa analise simples, muitos acreditava que Judas vinha de uma ramificação do grupo dos zelotes. Zelote vem da palavra zelo. Eram patriotas Judeus que acreditavam que o Reino de Deus era tomado ou defendido a força. Ambos são lembranças para nós de que o critério é alto mesmo.

Que o Senhor possa abrir as nossas mentes e colocar em nós o mesmo "nojo" pelo pecado que Ele tinha. Que Jesus nos ajude sempre.
 
Deus abençoe a todos.

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Daniel Moreira