terça-feira, 25 de outubro de 2011

Devocional 16 - Unidade da fé, o caminho da perfeição


"Sede, pois, perfeitos, assim como perfeito é o vosso Pai celestial" (Mt 5.48).

O "Sede" do versículo de Matheus está no imperativo. É uma ordem. Agora, atente-se que o texto inicial de Matheus é uma ordem com um argumento. "Que sejamos perfeitos, igual ao Pai". Em outros textos, a sugestão é para sermos igual ao Filho, o próprio Jesus. Paulo instrui a sermos imitadores de Cristo. Então, ora igual ao Pai, ora igual ao Filho. Em Genesis 1:26ª diz: "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança;" O texto no nos dá a idéia de sermos igual ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Ser perfeito é ser a imagem e semelhança de Deus. Se o Filho mesmo sendo a exata expressão do Pai, também é um com Ele, significa que a origem da imagem e semelhança é a unidade. A unidade Dele com o Pai é o que traz a forma e a expressão. João 10:30 "Eu e o Pai somos um. Existe algo que unifica ambos, sabemos que é a essência divina. Eles são três pessoas dentro do mesmo ser, Deus.

Então, se vivermos a unidade semelhantemente a Eles que são um, conseguiremos repetir os passos de Cristo. A essência é o Espírito Santo que nos faz um com Deus.. E é através do Espírito Santo unindo ao nosso espírito que podemos ser um com Deus. Isso mesmo. Mesmo sendo fraco, falho, pobre e outras depreciações, podemos ser um com DEUS seguindo o exemplo do Filho. Este é o verdadeiro milagre de Deus através de Jesus.

Agora, para tentarmos ser como Jesus na referência da forma humana, precisamos olhar para seus modelos práticos durante a vida. Agradar a Deus por meio da fé é inicial. Também é uma obrigação de obediência para aquele que é cristão. Em Mateus 3:17 diz "E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo." O Filho que lhe dá prazer! A Bíblia diz em Hebreus 11:6 ª "sem fé é impossível agradar a Deus." A Bíblia nos lembra que a obediência é prova de amor pra Deus. Jesus disse em João 14:21 "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele." Ou seja, ser perfeito é um desafio de Fé e Obediência. 

Ser perfeito é um ciclo característico de unidade através da fé e obediência que precisamos compreender da seguinte maneira: 1) Fé para obedecer (Obediência é prova de amor) 2) Unidade nossa com Deus onde Ele é o centro do nosso coração. 3) Unidade com o nosso irmão como prova de amor a Deus. 1 João 4:20 Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?  - Uma depende e demonstra a outra. Afinal, o amor é retribuição do amar primeiro de Deus e a base para o relacionamento tanto com Deus para com o nosso irmão. Ou seja, o amor é vínculo da perfeição. Resumindo: O amor é uma pessoa (Deus é amor), o amor é uma atitude (Verbo, um ação. Só ama de verdade quem prova) e o amor é um mandamento (Ordem de Jesus).

Voltando ao contexto de Unidade, em Efésios 4: 12,13 "Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo"  O texto proposto e o que vem a seguir mostra a medida, o meio e o alvo para sermos perfeitos é a unidade da fé. Fala sobre aperfeiçoamento dos santos. "Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo;" Filipenses 1:6. Significa que:  

  • Ele (Jesus) começa e Ele (Jesus) aperfeiçoa.  
  • Ele é o inicio, Ele é o meio e Ele é o fim. 
Mostra que o aperfeiçoamento iniciado tem o alvo: "Ate que todos cheguemos a Unidade da Fé". Ou seja, é um ciclo de vida. O Alvo da nossa fé é quem inicia a fé.

Vamos pensar sobre UNIDADE da Fé no contexto:
  • Unidade não é Uniformidade. Podemos ter unidade mesmo tendo formas diferentes.
  • Unidade não é Unanimidade. Unidade não é ter a mesma opinião sempre.
  • Unidade não é apenas estar junto. Estar junto de uma pessoa não significa estar unido a ela.
  • Unidade é ter a mesma essência. Unidade da fé é a união promovida pela mesma essência de fé, Jesus.

“Jonh Stott disse: ‘No essencial, unidade; no não essencial, flexibilidade; em todas as coisas, o amor” Pergunta: Quem é essencial? Jesus. Então, Nele somos um. Agora o que não é essencial? Nossas habilidades, afazeres, e outras coisas. Afinal, somos diferentes, com funções diferentes, entretanto, o amor de Deus em nossos corações é o que nos une. Sabe por quê? Porque o amor provém da fonte essencial e por isso é o vínculo da perfeição.

Em Colossenses 3:14-15, fala "E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição. E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos." Vínculo sugere a idéia de estar ligado. Qualquer ligação que existe, existe sempre entre duas pessoas ou mais. Não se pode estar vinculado se estiver sozinho. Vinculo é o laço da unidade, laço do relacionamento. O vinculo é ponto que promove a comunhão.

Paulo na carta de Efésios traz a idéia de que a Unidade é a essência de termos Cristo como centralidade. Todas as coisas em nosso ser funcionam para a vontade Dele, Jesus. Porque Ele, Jesus, é a nossa medida. 

Sendo assim, se duas pessoas estão em Cristo, mesmo sendo diferentes, mesmo estando em localidades diferentes, se Jesus for à essência de sua fé, as mesmas vivem em unidade. 1 Coríntios 12:12 "Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também."

Em um corpo as mãos funcionam para a vontade da cabeça. E as mãos estão vinculadas aos pés pelo corpo. E ambos, mãos e pés, têm funções diferentes, formas diferentes, entretanto, obedecem ao comando da cabeça. Unidade é isso. É quando pessoas diferentes, de formas diferentes entendem e buscam o mesmo alvo. Unidade é o patamar mais alto exigido por Deus para o relacionamento da sua Igreja. É meio pelo qual alcançamos a perfeição mesmo sendo tão diferentes.

Para finalizar, um resumo do que representa a Unidade da fé (Essência da fé que nos une) e um sumário da correlação disto com algumas das verdades essenciais cristãs. Nos.: É muito mais amplo que isso, mas dá para ter uma idéia.
  • Jesus é o principio de todas as coisas - João 1:1-3
  • Jesus é o Filho de Deus, logo é Deus - Matheus 16:16
  • Fomos feitas a imagem e semelhança Dele, Jesus que é Deus, e para este propósito que Ele veio nos salvar - Genesis 1:26, Romanos 8:29
  • Crer nele é uma revelação. Ou seja, Deus precisa iluminar o nosso entendimento para que a gente se converta - Matheus 16:17, 2 Coríntios 3:16
  • Em Deus existimos, vivemos e nos movemos. Por este texto prova que ser é muito mais do existir. Apenas se estivermos em Deus temos vida própria para o ser. Atos 17:28 completa João 14:6
  • Jesus sendo Deus é também a única forma de chegar a Deus. João 14:6
  • Ele é o principio, meio e fim. Ele é a nossa essência. Ele é o autor e consumador da fé. Ele é a “Esperança da glória”, o fundamento da igreja, A cabeça do corpo. Apocalipse 22:13, João 1:3, Efésios 4:10-13, Hebreus 12:2, Colossenses 1:27
  • Tudo se explica Nele. Ser redimido por Ele e ter a Sua essência é o que nos faz elevar o caminho para o alto padrão de Deus. Apenas assim a vereda dos justos se torna dia perfeito. Romanos 11:36, Isaías 55:9, Hebreus 9:14, completa Provérbios 4:18
  • Deus Pai, Ele é tudo em todos. - Efésios 4:6

Têm-se a mesma essência, significa que temos o mesmo alvo. Se o alvo é o mesmo, significa que o caminho para se chegar ao alvo também o será. Se trilharmos juntos nesse caminho e quisermos a mesma coisa, inevitavelmente pela condição do Evangelho teremos comunhão. Tendo todas estas coisas, significa que estamos no rumo da unidade da Fé, a medida do varão perfeito que é Cristo Jesus

Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.1 João 1:7

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Espiritualidade vs Pecado - Sobre a Vaidade


"A verdadeira espiritualidade, a espiritualidade cristã, tira a atenção de nós mesmos e foca-a em outra pessoa: Jesus."  Eugene H. Peterson

O que mais aprendo na caminhada do Evangelho é renunciar meus desejos para que Cristo apareça ao invés de mim. É tirar a atenção de mim.
É lutar contra o desejo exagerado de chamar a atenção para si, ou seja, a vaidade. 

Primeiramente, vamos refletir sobre a vaidade. Sentimento complexo e sutil. Perigo constante e inicialmente imperceptível na vida dos homens. Instaura-se no ser por uma simples honraria que recebemos de alguém ou por algo que fazemos. Seja o desejo de sucesso profissional, sucesso pessoal, por pessoas que temos ao lado, por objetos. Vangloriamos-nos por tudo. 

Biblicamente, a citação mais usada sobre a vaidade veio de Salomão, referido como o homem mais sábio do AT.
Vaidade das vaidades, diz o Pregador; vaidade das vaidades, tudo é vaidade" (Ec 1:2). Texto clássico que usamos sempre para referir sobre uma atitude de alguém que sutilmente foi vaidosa. E no fundo, o apelo do texto de Eclesiastes 1 é sobre isso mesmo, sobre o fútil orgulho pelo que fazemos.

Outra idéia é que vaidade está sempre atrelada ao orgulho e a soberba. Em ambos, existe um componente chamado vanglória. Ou seja, uma glória em vão, que não produz nenhum benefício. Faz a pessoa se sentir vaidosa, acreditando que tem uma eleição especial da parte de Deus ou por sua capacidade ou feito. Entretanto, sabemos que o mesmo se engana, pois a vaidade não tem proveito algum que não seja para iludir a si mesmo.

Na experiência de caminhada cristã, considerando apenas a aplicação do texto para os cristãos, vejo algumas pessoas que, por um critério de Deus que eu desconheço, recebem graciosos presentes Dele. No entanto, o critério mais valorizado pela bíblia não são estes dons, mas sim o caráter. E por esta valorização das escrituras, percebo que a Bíblia está comunicando que não ter vaidade é um atalho para acelerar o processo de ser um bem aventurado. 


Agora, aqueles que se acham especiais, melhor que os outros, que agem com soberba ou orgulho, com a pretensa de idéia de ser especial e por isso acima dos outros, precisam lembrar que este foi um dos sintomas da "Síndrome de Lúcifer (Livro de Caio Fábio que eu recomendo). Afinal, numa conclusão simples e lógica, este foi um mal até entre os anjos, leia Ezequiel 28. Um pecado complexo, interno, sutil e que mascara e por isso esconde outros pecados, justamente por trazer a ilusão de que existem homens melhores. Ou seja, homens que se acham o centro das atenções por sua habilidade.

Ao falar sobre espiritualidade de uma maneira simples, apontamos para o fator que se opõe a ela. O pecado. Segundo a Bíblia, o pecado é a barreira que faz separação entre nós e Deus (Isaías 59:2). Também sabemos através das Escrituras Sagradas que Deus é Espírito (João 4:24).  Então ser Espiritual é se encher de Deus, automaticamente ser avesso ao pecado. Informações simples, e por isso, qualquer Cristão que se preze sabe que o "não peques mais" de Deus é para o nosso próprio bem, para a nossa própria espiritualidade


A intenção do texto também é propor o espírito alerta. A vigilancia. Estar consciente e atento porque a vaidade se faz presente em muitos momentos da nossa vida. Faz parte da nossa natureza e sutilmente pode nos prejudicar quando ela domina os nossos anseios. O bom árbitro para este tipo de atenção é se o que você vive ou deseja tem o profundo desejo de honrar a Deus primeiramente. E diante desse desejo, o passo seguinte é orar para saber se esta é a direção Dele para o momento. E apenas quando a paz de Deus estiver guardando o seu coração e neste contexto Deus venha te responder de uma forma direta é que a atitude deve proceder. 

Finalizo propondo o fixar no coração a orientação do “Não peques mais”.  Lembrando que “não pecar mais” é uma das formas de ser espiritual. E para que isto aconteça,  precisamos finalizar todo contato e toda brecha que permite o pecado. Ou seja, tudo que promova o erro deve ser minuciosamente evitado. É algo essencial para vida Cristã e para testemunharmos ao mundo de que Jesus Cristo o Filho de Deus vivo é real. Isso é "cuidar para ficar de pé".

“Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus nosso Senhor.”  Romanos 6:11

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Deus e o tempo


“Ordena o que quiseres, e dá-me o que ordenares.” Agostinho

Fazendo um esforço, é possível sugerir a definição do tempo como o mistério que envolve um senso comum utilizado para reconhecer e ordenar a ocorrência da vida em si. É como se fosse uma lei que Deus usa para que a "vida" não possa parar. Neste mistério, podemos concluir que todos os seres humanos reconhecem o tempo, entretanto nenhum consegue controlá-lo.

Agora, observando o tempo, a sua progressão, temos percepções diferentes. Minúcias que nos leva a uma lógica para reconhecê-lo, mas também ao reconhecimento de nossa limitação para determiná-lo. Tem uma frase que dizia em um relógio no Rio de Janeiro: "Cada segundo que passa é um milagre que jamais se repete." Assim como o milagre é uma surpresa, o tempo assim é... Ele acontece sempre, nunca volta. É contínuo, pode ser datado por algum símbolo, entretanto, sempre o tempo é irreversível.

Contudo, existe alguém maior que mistério do tempo. Para O Tal, o desafio de controlá-lo não existe. Pois, se Deus, conhecido como o Criador de todas as coisas, fez o tempo. Porque Ele, o Deus acima de tudo e todos, seriam limitados pela sua própria criação? Jamais, Ele é Deus e diante do tempo, Ele é atemporal. Deus não é limitado pelo tempo e nem pelo espaço. Seu Ser transcende o tempo e o espaço. 

No mesmo raciocínio pergunto: O tempo tem poder extra ou sobrenatural para curar ou amenizar alguma coisa? Nunca. Não pode por si mesmo e nem deve porque esta não é a função do tempo, mas de Deus. Porque estou dizendo isso? Porque estou questionando a falsa verdade de que o tempo pode curar, ser um apagador e etc. O tempo não pode ser desculpa para alguma coisa que Ele não foi criado. Se alguém justifica tempo para pensar melhor, justo é. Agora se diz que o tempo fará determinadas coisas que dependem de nós, no engano está. O tempo dentro da ótica bíblica é o acompanhante de algum propósito que Deus determina. Ele é passivo e apenas resgitra para nós o caminhar da vida. Nunca o tempo será o ativo que tem poderes para agir em nosso lugar. Ele traz a oportunidade condicionada ao outro agente ativo. Tudo regido incondicionalmente com a permissão de Deus. 

Faço referencia de Eclesiastes 3, onde o texto traz a idéia de que cada instante tem um objetivo, o que sugere ao meu simples olhar a oportunidade que o tempo traz. Ou seja, o tempo por si mesmo não controla, apenas traz o propósito de alguém que o rege por traz. Observe que o tempo é sempre o tempo de alguma coisa. Tempo de amar, tempo de chorar, tempo de sorrir e assim sucede. E ainda que a frase - "apenas o tempo pode curar" - seja uma hipérbole, a lógica humana me parece demasiadamente sem lógica. Ex: Se o tempo pode curar algumas situações, então não precisamos de médicos, psicólogos e outros, apenas devemos esperar o tempo fazer o trabalho. Isto soa como lógico, entretanto a premissa para construir o argumento está equivocada. É necessário que observemos que o tempo é o transporte da oportunidade. Ele transporta a temporada de algum advento e por si mesmo data o tal acontecimento para a lembrança. Ele é o lugar que pode escrever o evento, mas nunca ser o agente da eventualidade. É apenas o meio por qual Deus nos dá a oportunidade de aprender, crescer e entender um pouco mais de sua vontade soberana. E mais, O tempo não faz a função que só Deus pode fazer. 

Enfim, a idéia deste pequeno texto é apenas estimular para que cada um entenda o valor real de determinadas coisas. Nos seres humanos temos a mania de dar nomes, valores, funções a coisas que são apenas instrumentos que Deus usa para governar a vida. Deus é Deus do tempo também, entretanto não se limita a Ele. Deus não espera. Deus é Eterno. Deus existe fora do tempo. O passado e futuro para Deus mesmo são.

O tempo para nós é um desafio de grandiosidade, para Deus é apenas o meio que transporta a sua vontade soberana e que mostra o homem que a sua insignificância e preciosidade não são contradições. Agora, Ele propôs o tempo para que juntamente com as leis espirituais possam reger a reação de determinadas coisas. Coisas que Ele, Deus, espera de nós. Todavia, coisas que Ele não força a nós. Apenas sugere a oportunidade através do tempo.


Deus não se limita a nada. E nem deixa ninguém fazer o que é Pertinente a Ele apenas. Muito menos o tempo.