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Terça-feira, 24 de Junho de 2008

Sobre a Bíblia e o Homosexualismo

No trato da questão homossexual no Brasil, esta cada dia mais comum em vários lugares, debates calorosos sobre a questão. E pelo momento, resolvi postar reservando-me de uma forma muito respeitosa acerca dos contextos. De qualquer maneira, quero propor uma leitura bíblia acerca deste assunto.

"Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; é abominação" (Levítico 18:22).

Alguns Pontos Iniciais:
  1. A Bíblia é muito clara sobre o assunto, e se fosse propor uma leitura diferente ao ângulo bíblico, estaria negando a minha fé.
  2. Existem muitas leituras de possíveis Cristãos sobre o tema, porém não são leituras Cristãs se não seguem a instrução bíblica.
Considerações
Abaixo irei ponderar sobre o homossexualismo ilustrando com experiências, a luz das escrituras, sobre o assunto em questão. Ao contrário do ambiente que se instaura pela aprovação ou não da PL 122/2006, o que me motivou foi a necessidade de reflexão sobre este assunto.

Nunca escondi de ninguém que sou contra o homosexualismo. A minha posição se dá pela leitura bíblica que faço reforçada pelas experiências. Nunca fui homossexual, porém convivi com amigos, irmãos e pastores que foram e que ainda são homossexuais. Os mesmos escondiam pelo medo de sofrerem preconceito dos membros de suas Igrejas, algo que sempre condenei. Concordo que este assunto não deve ser tratado apenas com a proibição sem as devidas instruções, porém não há como negarmos a orientação e posição Bíblica acerca deste, uma vez que Bíblia em todas as passagens pertinentes a este assunto ela é intolerante. E, mesmo com os erros de um preconceito taxativo e cruel por parte de alguns, irei ilustrar abaixo várias experiências que pude presenciar nas quais deixam muito claro a questão do ponto vista Cristão.

Primeira experiência.
Ainda no seminário, conheci um Ministério na Igreja Batista da Lagoinha que cuidava de homossexuais. Era uma casa de recuperação. O Pastor era meu colega de sala e por intermédio dele conheci parte da missiologia e dos internos. Na casa era possível ver homens com silicones no seio, nas nádegas, com diversas operações para se caracterizar como mulher. Era muito comum ainda encontrar internos com jeitos de um "efeminado".

Internamente as histórias de vidas tinhas fatores comuns que os levavam para o homosexualismo. Neste caso, as incidências eram estupro (muitos casos de parentes), falta de referencia paterna (homens criados por mulheres em um ambiente onde o fator homem era fundamental), mães que criavam filho como se fosse uma mulher (alienação por frustração de não ter tido uma filha mulher), frustrações com relação ao parceiro (traição) e o pior do casos, a possessão demoníaca. Era notável que todos tinham problemas graves e consideráveis.

Segunda experiência.
Na ocasião do G12, a igreja onde eu congregava resolveu implantar a "visão". Como eu era um líderes na ocasião, eu fui ao encontro e durante um período de ministração denominado cura interior, alguns irmãos confessavam que eram homossexuais e pediam ajuda. Os fatores eram os mesmos citados acima, a maioria devido a estupro por "tios" em regiões interioranas. Uma coisa absurda.

Como Ministrante me enviaram a uma das congregações para ensinar lições referentes ao G12. Dias depois, junto com as cartas endereçadas as irmãs que iriam para o encontro, veio uma carta endereçada a mim. Era um rapaz que me ouviu pregando em umas das Ministrações do Pre-Encontro. A essência da carta era um pedido de ajuda pelo problema com o homossexualismo. Ele confessou que sofrera abusos de vizinhos mais de uma vez e que se viciou naquele tipo de vida. Tbem disse que tinha medo de confessar para os líderes de sua congregação por medo de ser discriminado. Naquele momento percebi o tamanho do problema de acessibilidade da Igreja.

Homossexuais na igreja eram muito comuns, porém não eram assumidos. Na época quando procurei para ajudá-lo, descobri que esse moço encontrou um pastor numa igreja grande de BH que também era homossexual e resolveu segui-lo como discípulo. Hoje, ambos estão em uma Igreja de Homossexuais que existe em BH.

Outras experiências
Depois de pesquisar sobre assunto e conseqüentemente preparar-me melhor, conheci outros casos de homossexualismo nas Igrejas. Um amigo em época de escola, totalmente esclarecido e sem nenhum trauma aparente, liderava um "clubinho" no intervalo (reuniões de cristãos no intervalo para um culto). Esse moço era notável, estudou direito e sempre era um dos primeiros de sua turma. Com problemas na sua igreja e junto com mais uma leva de irmãos montaram uma igreja. Esse mesmo moço se tornou Pastor e chegou até me convidar para ser um dos pastores da sua igreja, porém como era muito novo não aceitei.

Tempo depois em uma das reuniões para tratar da disciplina de um irmão de sua congregação, o irmão que ia ser disciplinado, disse que tinha relações com homossexuais com o Pastor. Fizeram acareação e o Pastor confessou que realmente tinha relações com outros homens e mulheres também, ou seja, ele era bissexual. Foi um choque para todos naquela congregação.

Recentemente
Na igreja onde eu freqüentava, o Pastor titular com quem aprendi muitas coisas, assumiu que teve um "sentimento" homossexual. Confessou seu erro a Igreja e todos os irmãos perdoaram inclusive sua esposa. Este pastor era um Senhor de idade, com tres filhos, casado uma senhora muito inteligente e responsável. Todos eram exemplos de conduta.

Ele contou que se "apaixonou" pelo cabeleireiro, e que não chegou a ter nenhuma relação, porém que estava tendo sentimentos homossexuais em seu coração. Este pastor me confessou que este sentimento lhe deixava inquieto, completamente tomado por um desejo "desenfreado" ao ponto de querer abrir mão da Família e do Ministério. Contou tbem que sofrera abusos quando criança e que seus tios para tentar sanar o seu trauma causado pelo abuso, o levaram a um prostíbulo. Ao invés de ajudá-lo, apenas trouxe mais traumas. Ele me contou que só pôde se relacionar direito depois de convertido e ja com sua esposa.

Nota: Em todas os casos, houve distúrbios marcantes e determinantes para a origem da homossexualidade.

Leitura sugerida: Como entender o homossexual?

A Bíblia diz:
Em um contexto geral, a Bíblia trata a questão homossexual com uma leitura definida em relação as definições de pecado, caracterizada com uma posição parcial e imperativa que se espera do Cristão por obediência. Portanto não se trata de preconceito, mas de fator determinante para ser um seguidor de Cristo.

"Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro" (Romanos 1:26-27).

"Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas . . . herdarão o reino de Deus" (1 Coríntios 6:9-10).

Essas duas passagens ilustram de forma contudente. A primeira citando "Paixões infames" - que atribue a idéia desonrosa relação e de má fama, logo apos trazendo uma obervação pertinente a origem natural bíblica como "contato natural" deixando claro que Deus criou uma natureza. Quanto a distorção dessa natureza, a bíblia é imperativa dizendo que: Os "praticantes deste erro" não herdarão o reino de Deus. A segunda passagem começa fazendo uma advertência dizendo: "Não vos enganeis". Se referindo a séries de práticas, incluindo o efeminados e sodomitas, concluindo que não herdarão o Reino de Deus.

Leitura Sugerida: Bíblia e o Homossexualismo

No tocante a este assunto, a bíblia relata em sete passagens sobre o Homossexualismo. Em todas as citações mostram repudio e abominação a este pecado. É inconcebível por se tratar de princípios onde contrariam a própria natureza de Deus para humanidade. Nesta relação não se gera vida.

Portanto a luz das escrituras sagradas, não há uma discriminação sobre a sexualidade, há uma instrução para aquele que se submete ao contexto bíblico. A bíblia orienta, o cristão obedece. Isto é lido como conceito pre-estabelecido, porém não se trata de fator imposto a quem não pertence ao contexto, ao contrário do projeto de lei que estabelecerá uma imposição que fere a fé daqueles que crêem nas orientações bíblicas.

Espero que tenha contribuído.

Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

Sobre ortodoxia, meios e fins

Um dos sintomas da influência da mentalidade pós-moderna no meio cristão é a aversão que alguns cristãos manifestam hoje em relação à ortodoxia bíblica, isto é, à Verdade. Infelizmente, o cristão pós-moderno tem a tendência de ignorar, e até mesmo criticar, a importância da doutrina correta. O termo "verdade absoluta" causa em muitos arrepios. E a razão é simples: cansados das disputas teológicas intermináveis (a maioria em relação a doutrinas bíblicas secundárias) que marcaram os últimos séculos, muitos cristãos de hoje resolveram tomar uma atitude radical e tola: abraçar a idéia de que o que importa realmente são relacionamentos corretos e não doutrinas corretas. Porém, a idéia de que uma coisa é mais importante do que a outra é uma premissa absolutamente falsa. Ambas – relacionamentos corretos e doutrinas corretas – são importantes. E isso não é uma inferência particular. A própria Bíblia as trata como igualmente importantes, e a experiência da vida corrobora.
Alguém pode ser um primor de ortodoxia, mas um péssimo cristão em termos práticos, em termos de comportamento. Isso porque o fato de saber a verdade não impede a pessoa de errar. Vide o caso do rei Salomão. O homem mais sábio do mundo cometeu uma tolice, pecou absurdamente, mesmo sabendo, mais do que todos, que a sua atitude era reprovável diante de Deus.
Por outro lado, aquele que valoriza o comportamento correto em detrimento da ortodoxia esquece que é impossível termos um comportamento completamente correto se nos falta a compreensão da Verdade. É justamente por isso que, invariavelmente, aqueles que colocam relacionamentos acima de doutrina aceitam e reproduzem, às vezes inconscientemente, posicionamentos e comportamentos absolutamente equivocados.
Ou seja, ortodoxia e ortopraxia se completam. Para que haja real ortopraxia, é preciso ortodoxia; e para que a ortodoxia gere frutos, é necessário que ela seja encarnada na vida, se manifeste nas ações; é necessário que seja algo mais do que mero conhecimento; é necessário que se materialize em ortopraxia. Ortodoxia sem ortopraxia é verdade sem vida; já ortopraxia nem existe em sua plenitude sem ortodoxia, pois não há Vida se ignoramos a Verdade.

A importância de como lidamos com os meios e fins

Foi o escritor liberal e dramaturgo alemão Gotthold Lessing que, no século 18, afirmou a seguinte sandice: “Se Deus me oferecesse, com sua mão direita, toda a verdade e, com a esquerda, a procura interminável da verdade, ficaria com a mão esquerda”. O motivo para tal escolha? Explica Lessing: “A jornada para encontrar a verdade é mais importante que o destino”.
Lessing, que não acreditava que a Bíblia era a Verdade, se esquecia do que bem frisou Erwin Lutzer, que "se ele não possuísse absolutamente nenhuma verdade, não poderia discernir nem mesmo graus de veracidade". Não saberia sequer se sua procura estaria levando-o à direção correta, já que nem saberia o que estaria procurando. Não saberia se os meios utilizados eram corretos ou errados para se chegar ao fim desejado.
Aliás, muitos dos erros que as pessoas cometem na vida estão relacionados justamente à forma como lidam com a relação “fins” e “meios”. Se há os que erram por raciocinarem e agirem maquiavelicamente, isto é, pensando e praticando que os fins justificam os meios, há os que também erram por raciocinarem e agirem guiados pelo mote de Lessing: os meios valem mais do que os fins. Não! Tanto os fins quanto os meios são importantes.
No fundo, no fundo, quem faz a escolha de Lessing não quer mesmo a Verdade, posto que mesmo um pouco da Verdade é melhor do que uma busca contínua; não quer o verdadeiro crescimento espiritual, pois este só pode acontecer a partir do conhecimento e aplicação da verdade bíblica, que, às vezes, incomoda. As doutrinas bíblicas fundamentais são claras e apresentadas objetivamente nas Sagradas Escrituras, mas suas implicações em nossas vidas chocam-se com a natureza pecaminosa, por isso muitos reagem preferindo a subjetividade. Aliás, as deusas da heterodoxia pós-moderna chamam-se "subjetividade" e "relativismo".

Crescimento na Verdade

O crescimento espiritual de que fala a Bíblia é mais do que a busca pela Verdade (que é só uma parte do processo), é também um crescimento na Verdade, exarada na Palavra de Deus. Como assim?
Digamos que você, hoje, já conhece e estudou bem tudo aquilo que Deus nos deixou revelado em Sua Palavra para o nosso crescimento espiritual ou pelo menos já sabe bem o essencial da Verdade, apresentada objetivamente nas Escrituras. Ora, isso não significa nem que você deve agora procurar verdades além da Bíblia para continuar “crescendo” nem que você deve achar que já cresceu em Deus porque já estudou tudo. Muito pelo contrário. Você deve crescer espiritualmente a partir da Verdade que aprendeu, aplicando-a todos os dias em sua vida e, assim, sendo aperfeiçoado. Disse Jesus: “Santifica-os na Verdade, a Tua Palavra é a Verdade” (Jo 17.17).
Porém, como Lessing, muitos cristãos hoje não querem a verdade objetiva, mas, sim, subjetividade, relatividade, o caminhar cheio de reformulações constantes. Por quê? Porque é muito mais atraente. É muito mais cômodo viver a partir de princípios flexíveis do que a partir de princípios inamovíveis. É muito mais cômodo uma ética situacionista do que uma ética cimentada. A verdade objetiva nos impõe aplicá-la, vivê-la, apesar de nossas vontades, circunstâncias e gostos pessoais. A verdade relativa, ao contrário, que é construída, adaptada e readaptada conforme as conveniências, conforme o feeling pessoal, não nos exige tanto compromisso, mas apenas o ser politicamente corretos.
Nós, porém, procuremos permanecer na Verdade, aprender mais da Verdade, nos conduzir conforme a Verdade, viver a Verdade. Em nome de Jesus.

Todo texto foi extraído do Excelente Blog do Pr Silas Daniel

Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

Chute na Santa...

O vídeo a seguir foi muito polemizado algunas anos atras. Se trata de um pastor da Universal chutando uma santa considerada por Católicos Apostólicos "Romanos" como a Madroeira do Brasil. Apesar de não crer na santa e de considerar idolatria qualquer adoração a imagem, eu penso que o ocorrido foi uma tremenda falta de respeito. No video abaixo, faço apenas uma ressalva. Como diz o João Alexandre - "até pregar com mesma voz é normal"

PS.: Se eu não visse a imagem, eu poderia jurar que era próprio Pedir Maiscedo.



Segue o link de outro vídeo relacionado.

http://www.youtube.com/watch?v=slOEsIOis4k&feature=related

Terça-feira, 17 de Junho de 2008

Deus não é seu empregado!

Uma interpretação biblicamente correta dos textos distorcidos pela “teologia” da prosperidade

Versão 1.0

Por: Renato N. Fontes (renfontes@gmail.com) Belo Horizonte, Brasil Junho/2008

Ouvi, meus amados irmãos. Não escolheu Deus os que para o mundo são pobres, para serem ricos em fé e herdeiros do reino que Ele prometeu aos que O amam? Tiago 2:5

Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, ali estará também o teu coração. Mateus 6:19-21

Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então é que sou forte. II Coríntios 12:10

Introdução

Este artigo é uma tentativa singela de colocar à disposição das pessoas uma boa e sólida interpretação de várias passagens bíblicas que têm sido, com muita freqüência, deturpadas por pessoas adeptas de uma doutrina que ficou conhecida como “teologia da prosperidade”, “evangelho da prosperidade” ou ainda “teologia da confissão positiva”. Os proponentes dessa doutrina, vários por falta de conhecimento e vários, infelizmente, por má fé e desonestidade, usam vários textos curtos das Escrituras, tirados do seu contexto, e torcem seu significado para fazer com que a mensagem transmitida seja exatamente o oposto do que a Bíblia ensina. Desta forma, essas passagens foram quase todas reunidas aqui e colocadas dentro do seu contexto imediato e também do contexto amplo da revelação bíblica, buscando-se assim seu verdadeiro sentido, aquele que é coerente com a mensagem do Deus que se fez pobre, não para que todos os cristãos usufruíssem de bênçãos materiais, mas para seguirmos os Seus passos e também abrirmos mão do que é nosso por amor aos outros.

A mensagem bíblica, de capa a capa, é de doação, de entrega, de amor, aquele amor que, conforme I Co 13, não busca os seus próprios interesses e tem sua maior expressão no ato dar a vida pelos outros. É verdade que Jesus se importa não só com nosso espírito mas também com todo o ser humano, integralmente. Por outro lado, nossa atitude frente a isso faz toda a diferença: baseado nessa verdade, vamos buscar benefícios para nós, como fazem os proponentes da teologia da prosperidade, ou será que isso nos fará ajudar o nosso próximo em primeiro lugar, como Jesus declara em Mt 25, quando diz, “tive fome, e me destes de comer, tive sede e me destes de beber”?

Meu desejo é que este texto abra os olhos de muitos, como um dia os meus também foram abertos! Se você, leitor, congrega em uma igreja onde se ensina essa doutrina, aconselho fortemente que tome uma atitude e pare de dar seus dízimos e contribuições para líderes que acreditam que têm o direito de “prosperar” às suas custas. Um fato muito curioso e fácil de notar é que quase todos os líderes que pregam essa doutrina de fato ficam ricos, porém suas ovelhas quase sempre continuam com o mesmo padrão de vida e nunca “prosperam” materialmente. Quando, entretanto, alguém acena com a possibilidade de parar de contribuir com a riqueza desses líderes, eles usam de intimidação e ameaçam até mesmo com a perda de salvação. É hora de dar um basta, isso é escravidão – o conhecimento da verdade liberta (Jo 8:32). Se algo não liberta, é porque não é verdade!

As citações bíblicas são da Edição Revista e Atualizada no Brasil, da SBB.

Marcos 11:24

Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco.

Esse versículo deve ser lido em equilíbrio com outro, que é I Jo 5:14: “... esta é a confiança que temos para com ele, que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve.” João diz que Deus realmente nos dá o que pedimos, contanto que seja a Sua vontade. Deus não é nem o Papai Noel nem muito menos o Gênio da Lâmpada (que chamava Aladim de “amo e senhor”) – não, Ele é o Senhor, e é Sua vontade soberana que determina o que Ele nos dará ou não. A questão é que os defensores da teologia da prosperidade e da confissão positiva dizem que sempre é vontade de Deus curar e dar riqueza, e citam como prova os demais versículos que serão discutidos abaixo. O fato, contudo, é que a vontade de Deus é insondável, oculta em sua maior parte aos seres humanos. Ninguém, exceto por muita presunção, pode dizer que conhece a vontade de Deus em todos os casos. Seus caminhos não são os nossos e Seus pensamentos também não são os nossos (Is 55:8). Seus juízos e Seus caminhos são inescrutáveis e insondáveis, como bem nos lembra Paulo em Romanos 11!

Isaías 53:4, citado em Mateus 8:17 e I Pedro 2:24

... curou todos os que estavam doentes; para que se cumprisse o que fora dito por intermédio do profeta Isaías: Ele mesmo tomou as nossas enfermidades e carregou com as nossas doenças.

... carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados.

Os “teólogos” da prosperidade e da confissão positiva dizem que a passagem de Isaías, citada de novo em Mateus e I Pedro, provaria que Deus deve sempre curar, já que Cristo já levou nossas dores e enfermidades.

Tentemos, então, levar esse pensamento às suas conseqüências lógicas. Se Cristo levou todas as nossas dores (o que é fato), e se as implicações plenas disso valessem para nós na presente era (o que questiono aqui), não deveríamos sequer morrer, já que Ele também levou sobre Si a dor da morte. Também jamais deveria haver perseguição aos cristãos por causa do Evangelho, já que Jesus também levou essa dor sobre Si. Mas, pelo contrário, a realidade da morte é reconhecida em toda a Bíblia como o curso normal da humanidade, maculada como é pelo pecado. Não somente isso, todo tipo de enfermidade deveria ser curada – no entanto, nunca ouvimos relatos de curas de amputados, por exemplo (ainda que ouvíssemos, afinal Deus também é poderoso para curar esse tipo de mal, isso não provaria nada). Assim, essa interpretação de Isaías 53 dada pelos teólogos da prosperidade não se harmoniza com a realidade dos fatos, nem a nossa nem muito menos a dos escritores bíblicos.

Como se deve entender, então, o versículo de Isaías? Basta colocá-lo dentro do contexto de toda a Bíblia, que diz que o homem foi expulso do Éden, e a Árvore da Vida ficou do “outro lado da porta” (até que ponto é uma árvore literal ou simbólica não faz a menor diferença neste caso). Acontece que apenas em Apocalipse, na Nova Jerusalém, é que o homem terá novamente acesso àquela árvore que é “para a cura de todas as nações”. Até então, Deus disse que a terra produziria “cardos e abrolhos”. É num mundo assim que vivemos, e não há distinção entre crentes e incrédulos, afinal Deus manda a chuva sobre justos e injustos (Mt 5:45). Na verdade, até o Novo Testamento menciona doenças que não foram curadas milagrosamente, como o caso de Timóteo (I Tm 5:23), que recebeu do apóstolo Paulo o conselho de tomar vinho por causa das suas “freqüentes enfermidades” no estômago.

Mas, se Is 53:4 só se aplicará plenamente na Nova Jerusalém, por que esse versículo é citado em Mateus, sendo cumprido aqui na terra? O que acontece, neste caso, é que os seres humanos tiveram um "aperitivo" dos efeitos de Isaías 53 quando Jesus esteve fisicamente aqui. É bíblico dizer que o Reino de Deus já chegou (Mt 3:2), porém ainda não na sua plenitude (tanto é que, como já foi dito, nós ainda morremos, ainda pecamos, ainda sentimos dores etc.). Contudo, quando o Rei esteve fisicamente aqui, pudemos provar um pouco dessa plenitude. Aliás, analisando bem, Jesus ressuscitou apenas umas duas ou três pessoas: quantos mortos havia nos cemitérios judeus na época? Quantos enfermos havia no tanque de Betesda, onde Jesus provavelmente só curou um? Mateus cita Isaías 53 porque o que possibilitou que as curas de alguns se tornassem reais é que Jesus já pagou pelo nosso pecado. Se Ele não tivesse levado sobre si nossas dores, nenhuma cura teria sido realizada quando Jesus veio. Mas Ele não curou 100% dos enfermos, tampouco ressuscitou 100% dos mortos. Isso só vai acontecer na segunda vinda, quando o Reino de Deus vier na sua plenitude.

E quanto a I Pedro? Coloquemos a citação em I Pedro dentro do contexto, e veremos que o apóstolo falava da cura do pecado (ou seja, saúde espiritual) e não de saúde física.

João 14:12

Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai.

O versículo acima tem sido citado para dizer que nós podemos e devemos fazer a mesma quantidade e os mesmos milagres que Jesus fez, portanto indo contra a tese de que a presença física de Jesus na terra foi um pré-cumprimento dos benefícios plenos de Is 53:4. Se nós faremos as mesmas obras de Jesus, dizem eles, nada mudou desde que Jesus subiu aos céus.

Cabe aqui um esclarecimento. Depois que Jesus ressuscitou e subiu aos céus, realmente continuaram acontecendo milagres, e creio eu que aconteçam até hoje. Porém, estes não acontecem na mesma intensidade e freqüência que no tempo em que Jesus esteve fisicamente aqui. Não é todo dia que vemos alguém caminhando sobre as águas, uma tempestade sendo acalmada com uma palavra, mortos ressuscitando, cegos vendo e outros sinais dessa grandeza. Quando Jesus subiu aos céus, essas coisas se tornaram bem menos freqüentes e, ouso dizer, depois que morreram os apóstolos, ficaram ainda bem mais raras. Mas Deus não é o mesmo ontem, hoje e sempre? Sim, Ele é, mas isso não o obriga a agir sempre da mesma forma, e a evidência maior disso é que temos várias alianças diferentes na Bíblia, feitas entre Ele e os homens.

Entendamos, portanto, o que representam os milagres na história do cristianismo. Em II Co 12:12, Paulo deixa claro que os “sinais, prodígios e poderes miraculosos” eram suas “credenciais” como apóstolo. Em outras palavras, essas coisas distinguiam os cristãos comuns dos apóstolos, que eram aqueles que haviam recebido sua missão diretamente do Senhor e sobre o fundamento dos quais a igreja estava edificada. Por outro lado, em I Co 12:28, Paulo também fala de dons de milagres e dons de curas, dados a pessoas que não eram apóstolos. Ainda assim, os dois versos seguintes deixam claro que, assim como não são todos apóstolos, também não são todos que possuem esses dons. Tais dons existem e são para a edificação da igreja, mas não dados a todos os cristãos e nem têm a finalidade de fazer nossas vontades. Vale lembrar que eles são distribuídos conforme a soberania de Deus, que cura e realiza milagres quando quer. Nem mesmo Jesus curou todos os enfermos do seu tempo. Mas alguém pode dizer: “Jesus não curou todos aqueles que o buscaram corretamente?” Com certeza, só que o ato de buscar a Jesus é algo que primeiramente o próprio Deus coloca no coração do homem, em Sua soberania.

Voltando então a João 14:12, o que significa “farão obras ainda maiores que as que faço”? Primeiro, Jesus não se refere necessariamente aos milagres, uma vez que não usou qualquer uma das três palavras gregas comumente usadas para designá-los no Novo Testamento (traduzidas quase sempre como “sinais, prodígios e maravilhas”, como em II Co 12:12). Segundo, a interpretação mais sólida dessa frase é aquela que leva em conta que as “obras” de Jesus tinham e têm por finalidade fazer a vontade do Pai e proclamar o Reino de Deus. Aí fica fácil entender: Jesus levou a mensagem do Evangelho ao povo de Israel, e a igreja já levou a mesma mensagem até os confins da terra!

João 10:10b

...eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.

Os teólogos da prosperidade dizem que “vida em abundância” que Jesus veio para que tenhamos é uma vida de riqueza material e saúde. Será? O que pensariam disso os mártires, que, ao contrário da riqueza, ganharam como “prêmio” pela sua fidelidade o sacrifício da própria vida pelo Evangelho? O que pensaria disso aquele missionário que abandonou tudo para viver entre uma tribo selvagem da África, pegou malária e nunca ficou rico, mas por outro lado pregou o Evangelho para aqueles que nunca tinham ouvido falar em Jesus? O que pensaria disso aquela viúva pobre que deu as duas últimas moedas e que, pelo menos pelo relato bíblico, não consta que tenha ficado rica? O que pensaria disso aquela senhora pobre da igreja que tem sempre a casa aberta para receber pessoas em necessidade e sempre tem uma palavra de consolo? Aliás, o que pensaria Paulo, que passou por inúmeras situações desfavoráveis, até mesmo fome (Fp 4:12)? Será que essas pessoas seriam consideradas como de “vida abundante” pelos teólogos da prosperidade? Por outro lado, será que eles consideram os ricos e poderosos do nosso mundo, incluindo aí criminosos e vários políticos desonestos, como pessoas de “vida abundante”?

Marcos 10:29 (e passagens paralelas: Mateus 19:29 e Lucas 18:29,30)

Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna.

Creio que ninguém, em sã consciência, interpreta aquilo tudo literalmente. Se alguém levar o versículo inteiro ao pé da letra, será um pervertido sexual com centenas de filhos (e de mulheres também, se seguirmos a passagem paralela de Lucas!)... Aliás, Jesus falou aquilo para os discípulos. Não consta que Pedro e os demais tenham se tornado milionários depois de abandonar tudo para seguir Jesus – pelo contrário, a maioria deles se tornou mártires. Pedro, por exemplo, continuou vivendo como pescador, e ainda ganhou a "vida abundante" morrendo numa cruz de cabeça pra baixo (se é que é verdade essa história sobre a forma como o apóstolo morreu).

O que Jesus disse é que, se você abrir mão do que tem, vai ganhar uma nova família, vai pertencer à Igreja, ao corpo de Cristo, sua nova família, que representa 100 vezes mais mães, pais, filhos e casas. E, de brinde, ainda vai ganhar perseguições. Aliás, eu me pergunto, por que nenhum desses pregadores da prosperidade cumprem a primeira parte do versículo, que fala sobre abandonar tudo (isso eles só recomendam para as suas ovelhas, que abandonem tudo nas contas bancárias deles), ou ainda o que está um pouco antes, no verso 21, quando Jesus diz ao jovem rico que este deveria vender todos os seus bens e dar o dinheiro aos pobres?

II Coríntios 8:9

... pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos.

Citado fora do contexto, esse versículo parece indicar que Jesus se tornou pobre para que todos os cristãos se tornassem ricos.

Comecemos a ler o capítulo 8, no entanto, e veremos que Paulo elogia a igreja dos macedônios, que era pobre, e dá um “sabão” na igreja dos coríntios, que era rica. A igreja que era pobre era a mais generosa (o que já contraria a teologia de que ofertar é "semear bens materiais", uma vez que eles eram liberais e continuavam pobres), enquanto que a igreja rica era a mais avarenta. Paulo então repreende os coríntios, e os exorta a serem como Jesus, que era rico e se fez pobre. Se eles eram ricos, é porque um dia Cristo se fez pobre, e eles deveriam fazer o mesmo em prol do sustento de Paulo e outros apóstolos/missionários, abrindo mão de sua riqueza. Não está escrito ali que Cristo se fez pobre para todos os cristãos fossem ricos (tanto é assim que os macedônios ainda eram pobres, e não era por causa de falta de generosidade). O que está escrito é que, se os coríntios eram ricos, era por causa da misericórdia de Cristo, que abriu mão da Sua própria riqueza em prol deles.

III João 2

Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma.

Sabemos que Jesus prometeu perseguições (citando, de novo, Mc 10:29). No entanto, quem tem o costume de escrever "desejo que você seja perseguido”? Mesmo que seja uma certeza da Palavra de Deus as perseguições por causa do Reino, ninguém as deseja, e isso é perfeitamente natural. Nosso desejo é saúde e prosperidade – agora, se Deus deseja dar isso para nós ou não, cada caso é um caso, e vai depender da soberania divina. Eu desejo saúde para todos os que amo (assim como o apóstolo João desejava a prosperidade do destinatário daquela carta), mas não tenho certeza se essa é a vontade de Deus. Se Ele quiser, na Sua vontade soberana, que alguém morra como mártir ou morra de câncer, essa pessoa tem que dizer como Jó, "o Senhor deu, o Senhor tirou, bendito seja o nome do Senhor". Mas eu posso perfeitamente escrever que o que eu desejo é saúde para quem quer que seja. Foi isso que João escreveu para seu destinatário, mas não necessariamente aquilo era a vontade de Deus. Não faria sentido João ter escrito "desejo perseguições pra você"...

Marcos 11:22,23

Ao que Jesus lhes disse: Tende fé em Deus; porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele.

Esse ensinamento de Jesus é usado para justificar o ato de falar com as enfermidades, e ainda o uso de verbos como “decretar” ou “determinar”, que são verbos perfeitamente adequados para estarem na boca do Deus Todo-Poderoso, mas nunca de criaturas finitas e falíveis como nós.

Temos, de fato, alguns exemplos bíblicos de pessoas falando para as coisas ou executando algum ato e algo acontecendo por causa disso. Temos o caso de Jesus, que repreendeu a tempestade e o mar se acalmou, e ainda repreendeu a febre da sogra de Pedro (Lc 4:39). Acontece que Jesus, mesmo assumindo forma humana, nunca deixou de ser Deus. Mesmo assim, temos casos de pessoas comuns fazendo algo semelhante: Moisés colocou o cajado no mar e este se abriu (Nm 14:16,21); recebeu ordem de Deus para apenas falar com a rocha e esta soltaria água (Nm 20:8); Pedro mandou o coxo se levantar e este foi curado (At 3:6), entre outras coisas. Será, então, que isso significa que podemos fazer o mesmo apenas tendo fé? Depende: fé em quê? O verso 22 diz “tende fé em Deus”. Ter fé em Deus significa acreditar no que Deus falou. Foi Deus que falou com Moisés para falar com a rocha, que colocou no coração de Pedro a certeza de que o coxo seria curado, que falou que abriria o mar... Se Deus falar com certeza que uma montanha sairá do lugar, pode falar com ela que ela sai. Caso contrário, vai tudo continuar como está!

Essa passagem não é, portanto, uma carta branca para sair por aí “decretando” e “determinando” as coisas, mas, antes, é um convite a acreditar em tudo que Deus falar – se Ele falar, vai acontecer. Quem decreta e determina é Deus, nós só podemos proclamar o que Ele já decretou e determinou.

Lucas 6:38a

... dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão.

Trata-se de mais um texto usado fora do seu contexto, principalmente pelos que gostam de dizer que as contribuições financeiras para a obra de Deus são uma espécie de barganha, que rende bens materiais para quem as dá. O argumento de Jesus começa no verso 27. “Amem os inimigos, ofereçam a outra face, bendigam (mesmo aqueles que os maldizem), dêem a quem pede etc.” No verso 31, Jesus arremata: “façam com os outros o que gostariam que os outros façam com vocês”. Se assim fizermos, se tratarmos bem as pessoas, se dermos nossas coisas para aliviá-las quando tiverem necessidade, a conseqüência lógica é que também elas nos socorrerão quando precisarmos – e nos darão medida plena, recalcada, transbordante... Se, por outro lado, as julgarmos com severidade (verso 37), seremos julgados assim também. É a lei da semeadura e da colheita. Tratem os outros bem e vocês receberão o mesmo em troca – e isso não tem nada a ver com dar ofertas à igreja em troca de bênçãos materiais.

Mateus 16:19, Mateus 12:29 e Marcos 3:27

Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus.

Ou como pode alguém entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens sem primeiro amarrá-lo? E, então, lhe saqueará a casa.

Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e só então lhe saqueará a casa.

Essas passagens são usadas para justificar a expressão “tá amarrado em nome de Jesus”, ou qualquer outro ritual para “amarrar” os demônios (em algumas versões em inglês “ligar”, em Mateus 16, é “bind”, ou seja, “amarrar”). Também são usadas para justificar doutrinariamente uma suposta “legalidade” que o diabo e os demônios teriam para agir. Em outras palavras, na teologia da prosperidade e da confissão positiva, quem dá poder para os demônios agirem (ou tira esse poder) são as pessoas e não Deus. Deus só observaria, passivo, as atitudes das pessoas, que neste caso dão ou tiram o poder para que os seres espirituais ajam. A soberania de Deus, assim, se torna um mero detalhe, e Deus, de supremo controlador e sustentador de todas as coisas, passa para o posto de mero expectador, sendo constantemente ameaçado pelas forças do mal e precisando constantemente ser defendido por ninguém menos que nós, criaturas com o poder de “amarrar” os demônios...

Primeiramente, é preciso mencionar que a gramática de Mt 16:19 não diz que nós “amarramos” ou “ligamos” na terra e só então se “amarra” ou “liga” algo nos céus, mas exatamente o contrário. O tempo verbal grego, literalmente traduzido, é: “tudo que ligardes na terra terá sido ligado no céu”. “Terá sido” implica que primeiro foi ligado no céu, para só então nós ligarmos na terra. Em outras palavras, primeiro no céu, depois na terra, essa é a ordem – como, aliás, qualquer outra coisa que Deus faz: primeiro Deus toma a iniciativa, depois o homem segue o que Ele decretou. Esse entendimento acaba com o orgulho humano, uma vez que tira do homem qualquer possibilidade de mudar a Deus, que por falar nisso é imutável e sem qualquer sombra de variação (Tg 1:17). É verdade que Tiago diz que a oração do justo é eficaz, mas curiosamente o exemplo dado por ele foi o de Elias orando para não chover (Tg 5:17,18). Quem, afinal, colocou no coração de Elias o desejo de orar para que não chovesse, foi o próprio Elias que convenceu a Deus ou foi Deus que moveu o profeta? Em segundo lugar, vale lembrar que o texto de Mateus não tem absolutamente nada a ver com “amarrar demônios”.

Quanto aos textos sobre “amarrar o valente”, é importante entender que Jesus não estava ensinando táticas para derrotar demônios, mas fazia apenas uma analogia entre um ladrão que invade uma casa e amarra o dono para poder roubar e aquele que expulsava os demônios (no caso, Ele próprio). Jesus havia sido acusado de expulsar demônios por ser o maioral deles, e usou dessa analogia para explicar que não fazia sentido expulsá-los sendo um deles, assim como não fazia sentido invadir uma casa sem amordaçar (ou amarrar) o dono desta. Além do mais, ainda que Jesus estivesse ensinando a amarrar demônios, quem disse que isso se faz gritando uma frase mágica?

Nunca é demais lembrar, também, que Jesus e os apóstolos só expulsaram demônios quando estes se apossavam das pessoas, eles nunca os expulsaram de um determinado lugar, como fazem alguns hoje.

Mateus 13:58 e Marcos 6:5,6

E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles.

Não pôde fazer ali nenhum milagre, senão curar uns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos. Admirou-se da incredulidade deles.

Segundo os proponentes da teologia da prosperidade e da confissão positiva, o poder de Jesus está limitado pela nossa fé. Quanto mais fé tivermos, dizem eles, mais poder Jesus terá, e a prova seria essas passagens, que dizem que Jesus “não pôde fazer muitos milagres em Nazaré por causa da incredulidade das pessoas”. Mais uma vez, Deus é privado da Sua soberania, já que só pode agir se os seres humanos permitirem.

O sentido dessas passagens, no entanto, fica claro quando entendemos para que serviam os milagres de Jesus. Um dos termos gregos usados para “milagre”, embora não seja o que foi usado nessas passagens, mas é muitas vezes usado indistintamente em outras, significa “sinal”. Um sinal é algo que se faz para que alguém veja e creia, ou seja, é como se fosse uma prova jurídica. Aliás, esse é o termo preferido pelo evangelista João para se referir aos milagres de Jesus. Em Jo 20:30,31, está escrito: “Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.”

Em Lucas 4, temos um relato mais detalhado da ida de Jesus a Nazaré e da incredulidade das pessoas de lá, que chegaram ao ponto de tentar matá-lo. A pergunta óbvia que se faz é, por que Jesus iria desperdiçar sinais com pessoas que não estavam dispostas a crer? Não, Jesus não teve seus poderes limitados pela incredulidade do povo, simplesmente não quis fazer sinais se estes não serviriam para nada.

Deuteronômio 28:1-14, Gênesis 39:3, Êxodo 15:26, Josué 1:8, I Crônicas 22:13, II Crônicas 26:5, Salmo 1:3, Salmo 25:13, Salmo 112:1-3 etc.

São as únicas passagens bíblicas ou que prometem prosperidade para quem obedecer ao Senhor ou que relatam que alguém prosperou por causa disso. Não é por acaso que todas elas estão no Antigo Testamento. Na Nova Aliança, não há qualquer promessa de que quem for fiel aos mandamentos de Deus prosperará materialmente ou não estará sujeito às doenças que atingem os demais seres humanos. Assim como, na Velha Aliança, não havia qualquer “promessa”, como há no caso da Nova, de que quem servisse ao Senhor seria perseguido por causa da justiça – mesmo assim, vale lembrar que vários personagens do Antigo Testamento foram perseguidos, como Elias, Daniel e Jeremias.

O fato é que Deus se relaciona com as pessoas por meio de alianças. Estas alianças são feitas conforme o nível de maturidade espiritual na qual a humanidade se encontra. Exemplificando, ninguém trata o filho de 5 anos da mesma forma que trata o que tem 25. Quando o filho pequeno pede uma bala, o pai dá. Quando o filho adulto pede a mesma coisa, geralmente a resposta é “vá trabalhar!”... No Antigo Testamento, Deus tratava as pessoas como um pai trata um filho pequeno: obedeça, seja fiel, que você ganhará muitas recompensas, será feliz, suas colheitas nunca falharão, você será rico, sua mulher nunca será estéril (nem suas vacas), sua saúde será perfeita. Desobedeça, e os céus não enviarão a chuva, as crias das suas vacas abortarão, seus inimigos o perseguirão... No Novo Testamento, por outro lado, depois que Jesus se humilhou e se esvaziou, tendo se tornado pobre mesmo sendo o criador de tudo e o dono de todo o ouro, Deus passou a tratar a humanidade como um pai que se relaciona com um filho maduro, ou seja, na base do amor e não mais das recompensas. A humanidade já estava madura para entender que deve se relacionar com Deus apenas pelo que Ele é, sem buscar bênçãos materiais e saúde em troca e sem obedecer só pelo medo da punição. Na Nova Aliança, as doenças já não são necessariamente punição pela desobediência, mas muitas vezes podem até ser bênção, já que é em meio à nossa fraqueza que o poder de Deus se aperfeiçoa.

O mais interessante é ver que, ainda na Antiga Aliança, muitos já tinham entendido essa verdade, principalmente no caso dos profetas que foram perseguidos. Notem como é tocante a oração de Habacuque: “ainda que a figueira não floresça, que falte tudo, que todas as colheitas falhem, eu contudo me alegrarei no Senhor” (Hc 3:17,18), ou ainda a forma como Jó, pelo menos no início, reage à perda de tudo: “o Senhor deu, o Senhor tirou, bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1:21). Por mais absurdo que possa parecer, um defensor da teologia da prosperidade uma vez me disse que Jó errou por não buscar a cura...

Salmo 103:3

Ele é quem perdoa as tuas iniqüidades; quem sara as tuas enfermidades.

Davi estava num momento de alegria em que, provavelmente, tinha acabado de ser curado de uma doença, possivelmente a mesma referida nos salmos 51, 32 e 38, por causa do seu pecado. Ele diz à sua própria alma que seja grata ao Senhor, que é quem cura de todas as enfermidades. Só que Ele cura quando e como quer, e ainda assim se quiser. Eu concordo com Davi, Deus cura tudo (inclusive amputações!), mas só quando quer. Quando Ele diz não, eu me contento com o fato de que o poder dEle se aperfeiçoa na minha fraqueza, na minha enfermidade, na minha tristeza. Aliás, quando Paulo diz em II Co 12:10 que “sente prazer nas fraquezas”, a palavra grega usada para “fraquezas” é exatamente a mesma usada em Mt 8:17 – ou seja, as fraquezas nas quais Paulo sentia prazer eram as mesmas que Jesus levou sobre Si! Por que os teólogos da prosperidade nunca mencionam isso? Será que eles não sabem, ou escondem deliberadamente?

Provérbios 18:21

A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto.

Esse texto é usado para justificar muitas coisas, dentre as quais a doutrina das “maldições” e a própria confissão positiva, segundo a qual suas palavras (confissão, no caso) têm algum poder mágico no mundo espiritual.

O livro de Provérbios é um pouco mais complicado quando se trata de colocar passagens no contexto, já que cada provérbio é um dito isolado e não faz parte de uma unidade textual. Por outro lado, existe algo chamado “contexto amplo”, que é a idéia geral do autor ao escrever uma obra, e ainda o estilo literário. Neste caso, vemos que o livro em questão contém conselhos para a vida prática, discorrendo sobre criação dos filhos, conduta ética, temor de Deus, sabedoria, obediência às autoridades e outras recomendações que, seguidas na nossa vida prática, produzem uma vida coerente e centrada na vontade de Deus. Desta forma, não se trata de um manual de batalha espiritual nem muito menos de um tratado teológico sobre a ação de anjos e demônios, mas é um livro bem “pé no chão”.

Dito isso, podemos entender que o verso em questão trata do uso da língua no nosso quotidiano, e do grande poder que ela tem: com a língua você pode magoar alguém, desfazer uma longa amizade, pode se meter em apuros, principalmente se ofender alguém com mais poder que você, mas também pode manifestar amor, produzir reconciliação, pode evitar até uma guerra. Quem usa a língua com sabedoria comerá do fruto que essa mesma sabedoria produz, e é isso e nada mais que o verso em questão está dizendo. Em Tiago 3:1-12 temos o mesmo tema novamente, de forma mais elaborada.

I Samuel 24:6 e Salmo 105:15

E disse [Davi] aos seus homens: O SENHOR me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, isto é, que eu estenda a mão contra ele, pois é o ungido do SENHOR.

Dizendo: Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas.

Com base nesses dois versículos, criou-se dentro do protestantismo o mesmo sistema sacerdotal católico, no qual há uma classe especial de “ungidos” que estão acima dos demais crentes e, além disso, não podem ser criticados ou questionados, pois afinal não se pode “tocar nos ungidos”. Esses tais se dizem procuradores de Deus, verdadeiros mediadores, como era, por exemplo, Moisés em relação ao resto do povo de Israel. Cito essas passagens aqui, portanto, por serem usadas com freqüência pelos líderes que ensinam a teologia da prosperidade.

Mas, afinal, o que significa “ungidos”? “Ungir” significa “derramar óleo sobre”, e era, na cultura judaica antiga, a forma como os sacerdotes e reis eram iniciados no seu ofício. Em outras palavras, a unção credenciava o indivíduo para ser mediador entre Deus e as outras pessoas. Por esta razão Jesus é chamado de Cristo ou Messias, que são palavras que significam “ungido”. No Novo Testamento, contudo, o termo “unção” só aparece duas vezes, dentro da mesma passagem, em I Jo 2:20 e 27, que é um texto que diz que todos nós recebemos a unção do alto – em outras palavras, bem de conformidade com a doutrina protestante, todos nós somos sacerdotes. A palavra “ungido”, por outro lado, só aparece na sua forma transliterada do grego, ou seja, Cristo, se referindo a Jesus e nunca aos líderes da igreja, nem mesmo aos apóstolos.

E quanto aos versículos de I Sm 24:6 e Sl 105:15? A primeira passagem fala de Saul, ungido como rei, e a segunda fala dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, que Deus aqui chama também de ungidos. “Tocar”, “estender a mão contra” e “maltratar”, em ambos os contextos, significa utilizar de violência física e não a crítica ou o questionamento. Não há qualquer legitimidade exegética para transpor essas passagens do seu contexto original e aplicá-las aos líderes da igreja, por mais abençoados que estes supostamente sejam. O leitor pode ficar tranqüilo, o seu líder não é infalível nem intocável, quem crê dessa forma é o catolicismo em relação ao papa. Se o seu líder falar ou ensinar algo que não se harmoniza com as Escrituras, ele deve sim ser confrontado (com respeito e submissão, obviamente, afinal, a não ser que ele seja um usurpador, Deus o colocou como líder) e, se ele tentar usar de intimidação citando as passagens já citadas, desconfie das intenções dele.

Caro leitor, se você gostou (também se não gostou) deste artigo e quiser fazer alguma observação, crítica, correção ou agradecimento, sinta-se encorajado a me escrever. Gostaria muito de saber sua opinião!


Renato (renfontes@gmail.com)

Referências bibliográficas auxiliares

Sobre a teologia da prosperidade:

HANEGRAAFF, Hank. Cristianismo em crise. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

ROMEIRO, Paulo. Evangélicos em crise: decadência doutrinária na igreja brasileira. São Paulo: Mundo Cristão, 1996.

YANCEY, Philip. Decepcionados com Deus. São Paulo: Mundo Cristão.

Sobre a interpretação bíblica:

FEE, Gordon D; STUART, Douglas. Entendes o que lês? São Paulo: Vida Nova, 1997.

ZUCK, Roy B. A interpretação bíblica. São Paulo: Vida Nova, 1994.


Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

Não Quero Mais Ser Evangélico!

O texto publicado abaixo foi Publicado em 23/06/03, onde Ariovaldo Ramos demonstrou sua revolta com a Criação do Sindicato que defende os "direitos" dos Pastores juntos as Igrejas. Abaixo o texto extraído na íntegra da Rede Sepal

Por: Ariovaldo Ramos

"Irmãos, uni-vos! Pastores evangélicos criam sindicato e cobram direitos trabalhistas das Igrejas". Esse, o título da matéria, chocante, publicada pela revista Veja de 9 de junho de 1999 anunciando formação do "Sindicato dos Pastores Evangélicos no Brasil".

Foi a gota d'água! Ao ler a matéria acima finalmente me dei conta de que o termo "evangélico" perdeu, por completo, seu conteúdo original. Ser evangélico, pelo menos no Brasil, não significa mais ser praticante e pregador do Evangelho (Boas Novas) de Jesus Cristo, mas, a condição de membro de um segmento do Cristianismo, com cada vez menor relacionamento histórico com a Reforma Protestante - o segmento mais complicado, controverso, dividido e contraditório do Cristianismo. O significado de ser pastor evangélico, então, é melhor nem falar, para não incorrer no risco de ser grosseiro.

Não quero mais ser evangélico! Quero voltar para Jesus Cristo, para a boa notícia que Ele é e ensinou. Voltemos a ser adoradores do Pai porque, segundo Jesus, são estes os que o Pai procura e, não, por mão de obra especializada ou por "profissionais da fé". Voltemos à consciência de que o Caminho, a Verdade e a Vida é uma Pessoa e não um corpo de doutrinas e/ou tradições, nascidas da tentativa de dissecarmos Deus; de que, estar no caminho, conhecer a verdade e desfrutar a vida é relacionar-se intensamente com essa Pessoa: Jesus de Nazaré, o Cristo, o Filho do Deus vivo. Quero os dogmas que nascem desse encontro: uma leitura bíblica que nos faça ver Jesus Cristo e não uma leitura bibliólatra. Não quero a espiritualidade que se sustenta em prodígios, no mínimo discutíveis, e sim, a que se manifesta no caráter.

Chega dessa "diabose"! Voltemos à graça, à centralidade da cruz, onde tudo foi consumado. Voltemos à consciência de que fomos achados por Ele, que começou em cada filho Seu algo que vai completar: voltemos às orações e jejuns, não como fruto de obrigação ou moeda de troca, mas, como namoro apaixonado com o Ser amado da alma resgatada.

Voltemos ao amor, à convicção de que ser cristão é amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos: voltemos aos irmãos, não como membros de um sindicato, de um clube, ou de uma sociedade anônima, mas, como membros do corpo de Cristo. Quero relacionar-me com eles como as crianças relacionam-se com os que as alimentam - em profundo amor e senso de dependência: quero voltar a ser guardião de meu irmão e não seu juiz. Voltemos ao amor que agasalha no frio, assiste na dor, dessedenta na sede, alimenta na fome, que reparte, que não usa o pronome "meu", mas, o pronome "nosso".

Para que os títulos: "pastor", "reverendo", "bispo", "apóstolo", o que eles significam, se todos são sacerdotes? Quero voltar a ser leigo! Para que o clericalismo? Voltemos, ao sermos servos uns dos outros aos dons do corpo que correm soltos e dão o tom litúrgico da reunião dos santos; ao, "onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu lá estarei" de Mateus 18.20. Que o culto seja do povo e não dos dirigentes - chega de show! Voltemos aos presbíteros e diáconos, não como títulos, mas, como função: os que, sob unção da igreja local, cuidam da ministração da Palavra, da vida de oração da comunidade e para que ninguém tenha necessidade, seja material, espiritual ou social. Chega de ministérios megalômanos onde o povo de Deus é mão de obra ou massa de manobra!

Para que os templos, o institucionalismo, o denominacionalismo? Voltemos às catacumbas, à igreja local. Por que o pulpitocentrismo? Voltemos ao "instruí-vos uns aos outros" (Cl 3. 16).

Por que a pressão pelo crescimento? Jesus Cristo não nos ordenou a sermos uma Igreja que cresce, mas, uma Igreja que aparece: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. "(Mt 5.16). Vamos anunciar com nossa vida, serviço e palavras "todo o Evangelho ao homem... a todos os homens". Deixemos o crescimento para o Espírito Santo que "acrescenta dia a dia os que haverão de ser salvos", sem adulterar a mensagem.

Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

Teologia da Prosperidade: Marketing na Igreja

Introdução
Para muitos evangélicos este é um tema "polêmico" e que divide opiniões. Nos últimos anos é sempre motivo para textos intermináveis sobre a Teologia da Prosperidade. Derivado deste assunto, a proposta deste post é Refletir sobre o Marketing na Igreja. Particularmente, eu conheço alguns líderes que usam o marketing como estratégia para valorizar suas ações. Eles acreditam que essas estratégias e ações são capazes de tornar o produto mais atraente. Basicamente consiste numa espécie de elaboração criativa de como "persuadir" os possíveis compradores, no caso da Igreja, os possíveis fiéis. Os mesmos justificam com a idéia de que essa "metodologia" é para tornar o Evangelho numa linguagem correspondente aos dias atuais. Quem é da área, sabe usar isso muito bem.

Mas, pergunto: Deus está ultrapassado? Ele não tem uma mensagem específica que independente do Tempo? De qualquer maneira vamos considerar algumas coisas a seguir.

Diagnóstico
Uma prática que tem ficado comum nas igrejas são as estratégias de Marketing nas congregações. Encontros, Eventos, Congressos, Campanhas e todas as situações possíveis para tentar manter a Igreja com a agenda cheia de atrações. Propõe aos seguidores um evangelho mais "moderno" do ponto de vista da Sociedade justificando suas intenções em uma inovação que mais prejudica do que ajuda. Aos poucos, em uma visão de empreendedorismo, a Igreja tem tomado ares de uma empresa. Porém a aceitação e a utilização de alguns destes meios na forma de gestão de uma igreja, traz conseqüências irreversíveis para a mesma.

Conseqüências
Ser cristão esta ligado inteiramente ao modo de vida que prima pelo exemplo de conduta, onde os valores e atributos estão acima daquilo que a humanidade tem por referencia. E uma das maiores características do Cristianismo e que tbem representa estes atributos é a Graça Salvífica. Todo contexto que se relaciona com a definição de Graça esta completamente amparada em uma idéia de Favor dispensado não merecido por qualquer atitude humana, mas por Amor Incondicional Divino. Este valor evidencia o Evangelho e conflita com as idéias de um "Cristianismo de Mercado". E toda e qualquer relação do Evangelho com algum preço, especificamente o preço de Salvação, Cristo pagou quando se sacrificou na Cruz pela humanidade. Ou seja, enquanto a humanidade estabelece preços por sua felicidade, amor e qualquer outra coisa, nós estabelecemos um preço que já foi pago por valores não corruptíveis como dinheiro. E talvez este seja o maior problema do marketing na igreja. As estratégias tendem a tornar a Igreja em um produto de Mercado, e assim como todo marketing, criam produtos com referencias irreais e que opõe os valores Cristãos. Ainda mais se levarmos em conta o fator defraudação que atribuem qualidades inexistentes apenas para criar uma Imagem e expectativa, expectativa que não pode ser correspondida.

Leitura rápida sugerida O EVANGELHO BU$INE$$ - Pr Altair Germano

Maketing da Benevolência
Outra ação muito conhecida e condenada pela Bíblia esta em Mateus 6 Versículos:

1Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. "
2 Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.
3 Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita,
4 para que a tua esmola seja dada ocultamente, e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente.


Nesse caso são aqueles que fazem questão por alguma razão de mostrar que fazem obras sociais. A bíblia deixa muito claro que qualquer glória lhe rouba o galardão vindouro.

Existem tbem aqueles que usam de propagandas apelativas no intuito de atrair as pessoas por suas obrigações cristãs. Não é difícil lembrar de exemplos, talvez os mais usados sejam as famosas "campanhas" dentro das Igrejas. Exploram o desconhecimento interpretativo da Bíblia e propondo símbolos para "certificar" a fé. Tipo sal, flor, cajados, etc. Algumas elevam o nível de deturpação chegando a vender produtos. Em outros casos, aproveitam da necessidade de obras sociais e criam produtos para explorar essa necessidade e assim vender. Os famosos exemplos de CDs de grupos de "adoração" que usam do apelo e fazem promessas de doar sua vendagem para missão. E anunciam a todos que irão investir em Missões. Nesses casos a idéia conflita com Texto de Mateus. Obs.: Nesses casos eu atesto que existem pessoas que desenvolvem um trabalho sério, porém a maioria usa destes artíficios para vender seus "produtos" com mais facilidade.

Concluindo
Mesmo que enumerando e até identificando alguns casos, não é possível compreender todos os danos causados, mas é perfeitamente possível propor a solução. Ela é unica, exclusiva, artesanal, compreendida por atitudes de renuncia em favor do Evangelho de Cristo. Ela nasce na vinda do Salvador e sua proposta do Reino de Deus. Só existe um anuncio sobre: "Arrependei-vos, é chegado o reino dos céus!”

Fato que só pode ser compreendido por aqueles que de fato entendem que o Evangelho é gratuito, por aqueles que entendem que a Comunidade denominacional é uma extensão da Igreja Pessoa, por aqueles que de fato entendem que o Evangelho apregoa a igualdade, por aqueles que passam a amar a Cristo porque Ele simplesmente nos amou primeiro e não porque tem bênçãos em um Mercado. As marcas do Evangelho são conseqüências de vivê-lo e o nosso testemunho já é por si todo "marketing" necessário.

Espero que tenha contribuído.

--
Daniel Moreira



Sábado, 7 de Junho de 2008

A noite pode ser boa...

A noite pode ser boa...

Sábado, 21:08hs, Começo de mês... dia 08 vai, salário na conta; o carango lustrado; roupa impecável.

Você escolhe aquela que te deixa mais sexy, decote exagerado, você nem se sente tão bem e confortável assim, mas moda é moda; é a lei do velho oeste! Parece que o espelho te diz pra não ir com esta roupa, você se olha toda hora, e fica se ajeitando dentro da roupa, não adianta, a roupa é PP e seu manequim é M, você fica tentando se convencer que a roupa não tem nada de mais.

Você não pode ficar pra trás daquelas outras que estarão lá! “Vou assim mesmo, todo mundo veste assim”, sua mãe vai chiar um pouco; aquela coisa de mãe, afinal mãe é mãe, “ela não sabe de nada! no tempo dela era tudo diferente... nem existia axé... vê se pode!” Ou então aquela camisa apertadinha, já se diz por aí “mamãe sou forte”, exibindo seus bicípites conquistado a um duro trabalho de 2 horas na academia por dia ou na “bomba” mesmo “ninguém tem nada haver com isso”.

Seu ego precisa disso! Dá uma última olhadinha pro céu, confirma a meteriologia: - “nada de chuva! Posso sair tranqüila” a chapinha não vai por água abaixo literalmente falando, o carro que fiquei esfregando o dia todo vai ficar em cima, com o som no talo... Festas bombando pra todo lado.

O celular que você ganhou da mamãe, aquela chata que não sabe de nada, lembra da roupa... ou aquele que você financiou de 384x só pra tirar uma onda com a galera não para de tocar.

Um convite atrás do outro. Onde ir? Primeiro aquela festinha na casa do Bruninho, ou então o aquecimento pro carnaval, “Vai ser T-U-D-O de bom” mal você desligou o seu oi Xuxa e ele toca de novo: cortesia tudo FREE pra boitesinha da vez, Alambique, Swingers, Na Sala...você diz que vai ver.

O melhor lance é o que ganha e o martelo ainda não deu a 3ª batida. Aquela sua amiga não para de te bipar...22:38hs você ainda não se decidiu, lembra que tem o Bartucada na cidadezinha aqui pertinho.

Então você liga pra aquele bobo, que sempre te liga e você nunca sai com ele, você precisa de carona, nada de acompanhante, só um motorista! O trouxa chega, buzina na porta, você pega R$ 30,00 com o papai (Pra salvar sua entrada e os Smirnoff Ice da vida) mal sabe seu pai que está financiando sua passagem de ida pro mundo da nigth.

No carango do boy, o hit “Sábado à noite” do Lulu Santos acústico embala a viagem. “Sábado à noite tudo pode rolar...” diz Lulu. Vcs estão ansiosos, pra mais uma noite.

O que virá pela frente??? “Será que vou ficar com ela?” Ele não tira os olhos de seu decote, você fica brava com ele, mas fazer o que, o espelho já te dizia que esta roupa não ia dar certo! Seu celular toca de novo, você finge que está tudo ótimo, super pra cima, diz que vai a Bartucada mesmo, era um outro “amigo” te chamando pra uma outra festa.

Sua amiguinha bipa de novo, que já ganha um “END” de graça ou você finge que não viu... Chegando lá, “Ufa! não via a hora!” você precisa de um ICE pra ficar mais “soltinha”, e a batucada começa. Nem saber dançar você sabe, mas ficou assistindo o Sabadaço do Leão para vê se aprendia algo passinho! O boy encontra com seus amigos e logo dá um tapa no back pra mostrar que é da turma e “interado”, ele não para de chegar em você com aquelas cantadinhas do Xaveco do SBT.

As cantadas se revezam os carinhas bombados sem camisa, que querem te beijar a força de qualquer jeito. Um deles diz algumas coisas sobre sua roupa, na mesma hora, você ajeita o decote, lembra do espelho de novo...a roupa tá quadrada! O “mala” do boy não larga do seu pé, fazer o que, é o preço da “corrida de táxi”. 02:43hs sua mãe te liga preocupada, você tenta disfarçar que não tá meia tonta e que não é ela no celular pra não queimar o filme com a galera, diz que tá chegando.

As horas passam, a frustração vem à tona, depois de horas se produzindo, sua noite está chegando ao final! você se solta no hit “tô nem aí” canta como se fosse sua música, como se o mundo tramasse contra você, e você tivesse sobrevivido a tudo isso, fica com um carinha bonito, malhado, sarado, gente boa, boa praça, “até que enfim” sua missão foi cumprida! O mala da carona vê você ficando e canta mais alto ainda o bendito “tô nem aí” se corroendo por dentro! O carinha te chama pra esticar a noite, e você nega, afinal; você tem uma cabeça boa, lembra dos conselhos da mamãe.

Você diz ao “motorista” que tá cansada, e que quer ir embora, vcs entram no carro e tomam o rumo de casa. O boy coloca uma música melosa pensando na repescagem na porta da sua casa “quem sabe na hora de descer do carro, ela não me dá um beijo, ela já ta tonta, ninguém viu ela ficando com o carinha e eu vou dizer pra todo mundo que nós ficamos, ela não é nenhuma santinha com essa roupa não é mesmo...” você pergunta como tinha sido à noite pra ele, ele finge que foi ótimo! na verdade são dois frustrados! No caminho de volta mais um acidente, ficam impressionados de ver 3 jovens presos nas ferragens do carro, sirenes se misturam ao desespero deles.

Você se lembra de DEUS nesta hora, diz um “nossa senhora” e depois um “graças à DEUS” por não ser com vocês.

Chega em casa, o bobo pede um beijo antes de você descer, e ganha um não! Pra deixar de ser bobo! Você entra no sapatinho, sua mãe te esperava na sala, (normal!) Toda noite é o mesmo suplício pra ela, mas ao te ver, vem o refrigério pra ela. Você deita e pensa na sua noite, e que noite! Desta vez você sobreviveu...

A cada 12 minutos morre uma pessoa assassinada no BRASIL.

Morre em média 38 jovens todo final de semana, entre 16 a 25 anos na grande Belo Horizonte.

“Neste momento, milhares de pessoas estão lá fora destruindo as suas vidas, outros estão talvez numa balada, e eles não sabem como terminarão suas vidas, porque lhes falta uma vida interior. E vida, atrai vida, morte, atrai morte...Não pague pra ver, a noite pode ser boa, ou acabar com você!

Juninho Félix

(extraído do blog Igreja Batista Novo Alvorecer)



Acerca da Igreja nos últimos dias

Neste dias atuais, tenho percebido por razões diferentes que os cristãos estão se tornando insensíveis moralmente. Esse "fenomeno" é motivado por experiências ruins, falsos crentes, pastores que abusam de autoridade, e por ai vai... E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos se esfriará. Mt.24:12

O problema esta na associação da imagem Igreja como um edifício ou uma organização religiosa mundial. E neste angulo, compreendem esse espaço ou este tipo de instituição com costumes morais corruptíveis. Essas definições são o que gera as confusões. "Por causa da tradução e dos conceitos dominantes a grande maioria das pessoas em nossos dias têm a tendência de pensar que a palavra igreja se refere um prédio na rua tal ou a uma instituição decadente e à beira da morte." (extraído do Jesus Site)

Vejo que o crescimento dos blogs se ampara nisso; Propostas ao tom de desabafo dos irmãos que desacreditam nas Igrejas locais. Não diferente deste momento, mas visualizando por ângulo onde minha leitura não é feita na minha frustração, proponho o ponto de vista de Cristo. Quero reforçar os fundamentos que aprendi na Bíblia de que a igreja é constituída por todos aqueles que crêem em Jesus e sua obra. E neste critério, a igreja permanece viva.... Entender o conceito bíblico de igreja como um corpo de pessoas chamadas para fora do pecado, para serem santos, ajuda-nos a apreciar a riqueza da descrição de Paulo, da "Igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue" (Atos 20:28). Jesus não morreu para comprar terra e edifícios, nem para estabelecer alguma instituição. Ele morreu para comprar as almas dos homens e mulheres que estavam mortos no pecado mas que agora têm salvação e esperança de vida eterna (Romanos 5:8; 1 Coríntios 6:19-20). - (extraído do estudo da bíblia)

Impressões Finais

A impressão que tenho é que quando exponho sobre o conceito de Igreja, estou ensinando pessoas que já tem ciência do que falo. A diferença é que não praticam. O Conceito de Igreja no Novo Testamento é completamente distinto de templos físicos, pelo contrário, não é um edifício material, mas o santuário e a habitação do Senhor (Efésios 2:21-22). É um edifício espiritual (1 Pedro 2:5). Nós somos a Igreja. E quando Jesus falou que as portas do Inferno não prevalecerão, ele se referia de um contexto universal completamente endereçado as pessoas que representam a Igreja e que tem ciência de sua missão. Sendo assim não é uma organização, mas um organismo. Jesus e o Pai não habitam numa organização, mas no povo que os obedece (João 14:15, 23)

Portanto, Ser uma igreja é apresentar-se pronta para culto em qualquer lugar, em qualquer situação. Ser igreja é ser um instrumento da missão que Deus confiou a ela, a missão de propagar o evangelho de Jesus. Ser igreja é não ser identificada por placa, mas por estilo de vida que gira em torno de Jesus. Ser Igreja é ser um organismo vivo com Padrões Morais que não são baseados em valores corruptíveis.

Análise bíblica de "canções evangélicas" : "Deus de promessas"

No Post a seguir, Pastor Ciro [Blog do Ciro] faz uma analise bíblica da Musica Deus de Promessas. Vale a pena conferir, todo texto foi extraído do Blog do mesmo.

Neste artigo, analiso a composição “Deus de promesas”. Prepare-se para se surpreender...

Sei que os teus olhos sempre atentos permanecem em mim.
Gostei da maneira como a letra começa, dirigindo-se a Deus: “teus olhos”. Isso é raro hoje em dia. A maioria das composições “evangélicas” são voltadas para o ser humano: “Você é isso e aquilo”, “Profetize a sua vitória”, “Hoje o meu milagre...”, etc. É inteiramente bíblica a afirmação de que os olhos do Senhor estão sempre atentos sobre nós (Pv 15.3; 2 Cr 7.14,15).

E os teus ouvidos estão sensíveis para ouvir meu clamor.
Isso também está de acordo com as Escrituras (2 Cr 7.14,15; Jr 33.3; 29.13; Mt 7.7,8).

Posso até chorar. Mas a alegria vem de manhã.
De fato, “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5).

És Deus de perto e não de longe.
Esta frase da composição em análise é a mais debatida pelos críticos. Se a analisarmos isoladamente, ela entra em choque com Jeremias 23.23. No entanto, é preciso ser coerente e interpretá-la à luz do contexto da composição. Este afirma que Deus está perto, no sentido de ouvir, atender aqueles que o buscam. Nesse caso, há sim base na Bíblia para essa afirmação, haja vista a própria Palavra de Deus dizer: “Perto está o Senhor de todos os que o invocam” (Sl 145.18). Leia também Isaías 55.6 e Salmos 119.151.

Nunca mudastes, Tu és fiel.
Aqui há um erro (um errinho) gramatical, para ser justo. O correto é “mudaste”, e não “mudastes”. Quanto ao enunciado, é bíblico, pois o Senhor nunca mudou mesmo (Ml 3.6; Hb 13.8). Mas a sua imutabilidade é em relação ao seu caráter santo e justo, uma vez que Ele pode mudar no sentido de não cumprir algo em favor de alguém que dEle se afasta (2 Cr 15.2; Tg 4.8). Deus é sempre o mesmo em seu caráter; nunca muda quanto à sua fidelidade (2 Tm 2.13).

Deus de aliança, Deus de promessas.
Que Ele é um Deus que faz alianças e promessas não há dúvidas. Que tal ler o livro de Gênesis? Veja os capítulos 9 e 12, por exemplo. E a aliança que Ele fez com Israel? E a promessa do derramamento do Espírito? E a Segunda Vinda de Cristo?

Deus que não é homem pra mentir.
Ao longo das páginas sagradas vemos um Deus Fiel, incapaz de mentir. Em Número 23.19 está escrito: “Deus não é homem para que minta”. Jesus disse que é a Verdade (Jo 14.6), e o crente deve estar firmado nEle. Como cada uma das Pessoas da Trindade formam um único Deus, todas as três são mencionadas como sendo “o Deus verdadeiro” ou “a Verdade” (Jo 17.3; 1 Jo 5.20; Jo 14.17).

Tudo pode passar, tudo pode mudar, mas Tua palavra vai se cumprir.
A Palavra do Senhor nunca volta vazia (Is 55.10,11). Daí o Senhor ter dito que vela por ela, a fim de cumpri-la (Jr 1.12). Hoje, muitos se firmam em “pensamentos”, “opiniões”, “sonhos”, mas não valorizam a Palavra de Deus! Jesus foi bem claro quanto a isso: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” (Mt 24.35). Note: “palavras” (cf. também 1 Pe 1.24,25).

Posso enfrentar o que for.
De fato, se estivermos em Cristo, podemos todas as coisas naquEle que nos fortalece (Fp 4.13; Ef 6.10).

Eu sei quem luta por mim.
Veja que coisa maravilhosa quando um compositor de fato segue a Bíblia! Ainda que eu quisesse, não poderia reprovar a letra em apreço, haja vista enfatizar que o Senhor é o nosso Ajudador (Hb 13.5,6); Ele luta por nós e ao nosso lado, pois somos soldados dEle (2 Tm 4.3,4). Como disse Paulo, “eu sei em quem tem crido” (2 Tm 1.12).

Seus planos não podem ser frustados.
Compositores que seguem aos modismos da atualidade diriam: “Seus sonhos não podem ser frustrados”, mas a letra diz “Seus planos...” Está de acordo com Provérbios 16.1,2.

Minha esperança está nas mãos do grande Eu sou.
Confiamos mesmo no grande Deus “Eu Sou” (Êx 3.14; Jo 8.58), pois as suas mãos estão estendidas sobre os que o buscam com sinceridade (Is 14.27; 59.1,2; At 4.28-31).

Meus olhos vão ver o impossível acontecer.
Diante de todo o contexto da composição em análise, a sua última frase reveste-se de importante significação, sendo coerente e biblicamente fundamentada. Quando de fato estamos na presença do Senhor, sendo-lhe obediente, contemplamos, pela fé, coisas grandes e impossíveis (Hb 11.1; Jr 33.3; Jo 1.50,51).

Em Cristo,

Ciro Sanches Zibordi