sábado, 28 de julho de 2012

Devocional 22 - Chamado - Correr com Cavalos


Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os cavalos? Se tão-somente numa terra de paz estás confiado, como farás na enchente do Jordão? Jeremias 12:5

Pelo contexto do livro de Jeremias, Deus estava respondendo que ele não deveria lamentar pela dificuldade que enfretava naquele tempo, pois chegaria um tempo que as coisas ficariam ainda mais difíceis. Precisamos enxergar o texto como um convite de Deus para uma vida de excelência. Não apenas para aquele tempo, mas para o hoje. 

Numa alegoria, podemos dizer que vivemos no hoje os tempos incertos da “enchente do rio Jordão”, onde muitas pessoas estão sedentas pela integridade. O óbvio me diz que só temos sede de algo que nos falta. É uma crise de abstinência do fazer o que é correto. 

Alerta: As pesquisas que indicam que o Evangelho está em crescimento, não se reproduzem em qualidade atestada pela função salina que Deus nos ensinou. Não estamos alcançando a vida de excelência que o Evangelho propõe. Devemos cogitar que "Se o sal não salgar, para nada presta".

Não Lute contra a própria natureza

A bíblia cita em Jeremias 1:5. “Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta.”

Nossa vinda a este mundo não é por acaso. Jó 31:15 se refere a “Aquele que te formou no ventre”. Romanos 8:30 diz “E aos que predestinou”. Juntando estes versículos, podemos concluir que antes de qualquer coisa, Deus já nos conhecia. Ou seja, de antemão Deus planejou o que fossemos o seu propósito.

De acordo com plano de Deus, existe um alvo existencial.  Tentar ser o que a gente deseja apenas, sem consultar aquele que já me conhecia antes, é lutar contra a própria natureza. Fomos reservados, e dentro deste plano, Ele nos deu para alguma coisa. Dar é o resultado do amor radical de Deus como diz em João 3:16.

Se Ele me conheceu antes mesmo da minha existência, isto me instrui que para conhecer a mim mesmo é necessário ajuda do próprio Deus. Autoconsciência é crível apenas se for a luz do Espírito Santo.

Portanto, não lute contra a própria natureza. Seja sensato e busque a cada dia mais se entregar a Jesus. Não foque as coisas passageiras, focalize as coisas eternas, pois tudo que é passageiro não tem poder de nos limitar o que é eterno. E nós fomos chamadas pelo Eterno e para o eterno.

Para reflexão: Estamos dispostos a pagar o preço desta vida de excelência? Estamos preparados para ouvir o plano de Deus a nosso respeito? Estamos prontos para competir com cavalos? Estamos dispostos a cumprir o IDE de Jesus fora de nosso sítio de Paz?

Que Deus nos dê esta graça

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Devocional 21 - Pão Nosso - Parte 2


O pão nosso de cada dia nos dá hoje; Mateus 6:11

Direto ao ponto: Podemos especular três formas de entender O Pão desta oração modelo: 
  1. Pão Espiritual - Matheus 4:4 - "Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus."
Viver é mais do que provisão física e mais que um sentido existencial. È explorar todo potencial da vida humana. A resposta de Jesus em Matheus 4:4 exige o entendimento de que vivemos com muito mais do que um pão que atende a necessidade física. Existe uma necessidade espiritual e afetiva. Redirecionam nossas prioridades a busca do pão espiritual alimenta todo o ser.
  1. Pão Afetivo - Quando Deus criou o homem, Ele sabia desta necessidade ao dizer: "Não é bom que homem viva só." A primeira negativa de Deus no registro de Genesis. Solidão é o primeiro problema encontrado nas Escrituras.
Deus conhece o homem mais do que homem conhece a si mesmo. Ele fornece suprimentos vitais para alma humana. Uma das provas disto é que "comunhão" é uma das palavras mais celebradas no contexto cristão e é uma das formas de suprir a carência de relacionar. O incentivo de Deus a Comunhão exemplifica bem o seu zelo pelas necessidades humanas
  1. Pão Físico - Quando Jesus disse na continuação do Cap. 6 Matheus: "Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?" O cargo da provisão diária no Reino de Deus é de Deus, O  Pai que sabe dar coisas maravilhosas aos Filhos.
O pão físico é um modo de expressar a providencia para as necessidades do homem como vestimentas e comida, provisão para tudo que é uma necessidade do ser do homem como a saúde por exemplo.  

A busca do pão é uma oportunidade de confiança na provisão. O detalhe intrigante desta oração é que apenas neste momento podemos pedir alguma coisa para nós mesmos. A oração aponta que não é errado pedir desde que as prioridades estejam estabelecidas de acordo com a Vontade do Senhor.

Para finalizar, existem dois exemplos bíblicos a respeito do Pão. Vamos a eles:
  1. Santa Ceia (Matheus 26:27): Simboliza os três elementos da provisão de Deus. 1) O próprio Jesus como o Pão vivo que desceu do céu. Toda sua vida confirma isso. 2) O movimento de comunhão com os discípulos onde estão celebrando aquele momento único. Relacionamentos, momentos de intimidade e muitas satisfações ligadas a alma. 3) O pão físico simbolizado no pão do fermento e no Vinho. Os três alimentam a necessidade do corpo humano.
  2. Igreja Primitiva (Atos 2:42): Lucas o autor do livro de Atos está mostrando que aquilo era fruto de ação movida pelo Espírito Santo. 1)” E perseveravam na doutrina dos apóstolos,” "e nas orações." - PÃO ESPIRITUAL 2) Na comunhão. - PÃO DO AFETO 3) No partir do pão. - PÃO FÍSICO

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Polêmica dentro da Igreja

Quando um povo levanta uma polêmica , quando leva um assunto à tona, quando confronta, quando enfrenta, quando revela, finalmente resolve.

É assim entre as pessoas e entre as nações mais amadurecidas… sem dissimular… sem jogar nada para debaixo do tapete…

O polemista (do grego. polemistés: guerreiro) gosta de questionar sem maledicência e discutir com acerto. Na Igreja usa o expediente da polêmica provocando a reflexão , debatendo, defendendo ou refutando algo que seja necessário ao avanço do pleno conhecimento do Evangelho.

Prudência: A polêmica é apenas um meio, um mero instrumento pedagógico que desperta a nossa atenção sobre determinado assunto…

Não se pode curtir a polêmica!!!

Quando alguém nos conta algo que seja polêmico, logo entendemos e infelizmente na maioria das vezes julgamos as partes envolvidas na controvérsia tomando partido… deixamos de amar.

É matemático: Curtir a polêmica + escolher uma parte, deixando de amar a todos = a heresia: O Espírito Santo se retira do negocio, é o fim da linha.

Para pensar.

Amém.

Pr.Mauro Pellegrini

Devocional 20 - Pão Nosso (Parte 1)

Pão Nosso


O pão nosso de cada dia nos dá hoje; Mateus 6:11

A oração do Pai nosso é uma oração modelo em resposta a dúvida do discípulo como registra no livro de Lucas 11:1. Uma comunicação de Jesus sobre o Reino de Deus.

No Pão nosso, a providencia de Deus é para representar o meio pelo qual Deus governa o universo.

Para começar, devemos pensar que pedir o pão é pedir aquilo que é básico. O básico é oposto do supérfluo. A oração do Pai Nosso vem em contraponto às vãs repetições que são motivadas por cobiça. A ambição influência e prioriza uma busca de coisas desnecessárias. Jesus estava dizendo: Não se doe por superficialidade!

Na Bíblia, o homem é conhecido por sua tricotomia, termo utilizado para dizer que o ele compõe-se de elementos essenciais como espírito, a alma e o corpo como mostra em1 Tes 5:23. Ao refletirmos, vamos perceber que o homem precisa de muito mais do que comida. O pão cotidiano é para o ser;

Jesus indica a providencia como o "pão nosso", ou seja, não é um pão individual. A providência do Pai Nosso é para os todos os filhos. É nosso, tanto o pai como o pão. O nosso reforça esta visão dos Filhos em comunidade.

O pão comunitário instrui o verdadeiro milagre da multiplicação. Ao dividir o pão com o meu próximo, o pão deixa de ser dividido para ser multiplicado. O que era um passa a ser dois. Este é o verdadeiro milagre. O eu não querendo viver mais para si mesmo, mas ser transformado em nosso. O que é meu não é mais, agora é nosso.

Concluindo:
  • O Pão Nosso é uma das formas de providência de Deus. É através da providencia que Deus governa o universo.
  • Orar pedindo o pão se opõe a aquilo que é supérfluo. A oração modelo é um contra ponto as orações movidas por cobiça criticadas por Jesus. 
  • O Pão Nosso é uma referencia do alimento para o Ser: Espírito, alma e corpo. 
  • O pão nosso é coletivo indicando que Deus prover ao seu Reino e não a um desejo individualista. O pão nosso indica o tipo de vida em comunidade que Deus deseja. 
  • O pão nosso ensina o primeiro passo do milagre da multiplicação. O pão único que quando dividido passa a ser dois.

Raiz do Mal


Já não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe deste mundo, e nada tem em mim; João 14:30

E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não dá bom fruto, corta-se e lança-se no fogo. Lucas 3:9

Este capítulo 3 de Lucas dá uma demonstração porque João foi apontado por Jesus em Matheus 11 como o maior profeta que existiu até a sua vinda. A Bíblia não relata sinais e prodígios feitos por João Batista. Nem mesmo a sua história ganhou um livro na própria bíblia como outros profetas ganharam. Mas, a favor de João está o anuncio do caminho do Salvador numa dimensão muito profunda, ao ponto das Escrituras fazer menção do endireitamento das veredas. Em resumo poderíamos descrever que:
  • Pregação sobre arrependimento para remissão dos pecados.
  • O Batismo é uma espécie de selo da morte de uma velha vida que começa em uma transformação de convicção interna
  • O diagnóstico Espiritual de que aquela geração é uma geração de víboras. Ele sabia que maldade estava dominando o mundo e principalmente aquele tempo sobre Israel. Existem alguns estudiosos que dão entender que o título que João deu a geração era um pouco pior, era filho de víboras. Filho da Perversidade. O perverso é comparado com belial, com o próprio inimigo.
  • Pregou que a única forma de fugir da ira vindoura era através do arrependimento.
  • Ensinou que frutos dignos de arrependimento começam na destruição da raiz do mal. Porque se raiz é má não tem como a árvore ser boa. Não são as atitudes em si que era o problema dos homens, mas é a raiz das árvores. Ou seja, o coração que traz condenação. O que compromete o homem não são as suas obras más, antes a sua natureza pecaminosa.

Por machado a raiz ensina sobre o tipo de luta que travamos contra o mal. Muitas vezes lutamos contra atitudes de pessoas se opondo a elas e não ao mal por trás delas. Opor-se a pessoas é atuar contra o tronco. Precisamos elevar a luta para a raiz do mal e assim lutarmos nesta esfera. Não lutamos contra pessoas, mas contra o mal que influência as pessoas.

Jesus ao dizer que príncipe deste mundo vinha e que o inimigo não tinha nada Nele, estava indicando uma iminente luta que ele travaria contra as potestades. Estava ao ponto do corte com o machado na raiz e ampliando a nossa visão sobre que tipo de guerra nós devemos travar.

"O Príncipe deste mundo" é dito em referência ao mundo atual que jaz na malignidade e também pelo resultado da opção humana pelo pecado. O diabo vinha para cumprir impondo sua vontade sobre Jesus, não porque em Jesus havia erro ou brecha, mas porque em seu redor havia pessoas ainda endividadas e escravizadas pelo pecado. O posseiro tinha direito de posse.

Tenha em mente que Jesus iria morrer porque fazia parte do plano, porém amplie a visão de que era a oportunidade de Satanás de fazê-lo sofrer. A única vez que o inimigo teve a chance de fazer Deus sofrer. Isto é muito forte, pois Deus sabia que havia um escrito de dívida que precisava ser pago.

A raiz do mal é o que dá direito ao inimigo de se apossar e escravizar. A fala de Jesus que diz que o tentador "não tem nada para achar Nele”, mostra que Satanás não tem nenhum poder legítimo contra Jesus, a respeito disto devemos lembrar que todas as tentações que o inimigo tentou foram vencidas. Jesus como Salvador chegou à raiz, mas para cortar o mal pela raiz é necessário o pagamento do preço.

Finalmente atente-se para fala de João de que já está posto o machado. Jesus é a convicção de João. Ele enxerga ação no presente. O que prova a profundidade da visão de João. Não apenas isso, João é usado por Deus para inauguração de um movimento e avivamento espiritual como o arrependimento e o batismo. João estava certo que Jesus traria a libertação profunda que este mundo precisava. João de fato era o profeta que endireita as veredas, afinal sua visão de mundo desperta em nós o ensinamento de que Jesus é a total solução para extirpar o mal da humanidade. João aponta para Jesus como solução e esta é vantagem Dele em relação aos outros profetas.

Faça como João, diagnostique o mal. Faça como Jesus, aja na raiz.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Devocional 19 - Que tipo de zelo você tem?


Pessoa Zelosa
A melhor imagem de ZELO que achei
"No zelo, não sejais remissos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor;"Romanos 12.11

"Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao SENHOR; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra." Oséias 6:3

Porque quando estou fraco, então é que sou forte. 2 Coríntios 12:10

Ouvi "remotamente" em algum lugar que a palavra grega zelo deu origem aos zelotes. Zelotes era um grupo político/religioso dentro do Judaísmo que acreditavam que o Reino de Deus era tomado por força. No tempo de Jesus, alguns zelotes passaram a ser admiradores zelosos de Jesus Cristo. Se a palavra "zelo" tem origem na lingua grega e representa um grupo de certa forma tão radical, ao olharmos a mitologia grega vamos perceber que “zelo” para eles era uma espécie de deus ou semideus representado por um homem fraco que tira força de sua fraqueza.

Observou como isso soa interessante! Um palavra que nomea/intitula um grupo radical religioso e político e um homem fraco que usa fraqueza para virar herói. Das duas formas, estes conceitos me lembra Paulo que um dia foi Saulo. Apesar de Paulo ter sido fariseu um grupo rival aos zelotes, Paulo foi alguém radical que descobriu a sua ignorância e fraqueza após o poderoso "banho" da conscientização de sua realidade humana (arrependimento+conversão). Depois de convertido a Jesus, o mesmo Paulo se tornou notável nas Escrituras Sagradas e na história do Cristianismo por seu zelo.

Em nossa língua, zelo significa empenho cuidadoso na execução de alguma coisa. Quando referimos sobre o zelo a respeito de alguém, queremos dizer que a pessoa zelosa tem uma amizade atenciosa e viva por algo ou alguém. Na maioria das vezes é um elogio chamar alguém de zeloso. Mas, observe que a maioria das vezes não significa que são todas às vezes. Existem exceções. Existe uma espécie de zelo ruim dos quais destaco dois:

Zelo sem conhecimento.
Zelo remisso (Indolente, descuidado e frio)

Se analisarmos, o zelo de alguém precisa se apoiar em alguma coisa. Só temos zelo por alguém ou por algo. Tem que ter um alvo para zelar. Ou seja, objeto por qual se zela. O problema do zelo sem conhecimento é que de certa o zelo se apóia também na ignorância. E de uma forma indireta, o zelo começa a "zelar" pela estupidez do que se imagina ser o alvo.

Observe que no início do capítulo de Romanos 12, Paulo introduz a idéia sobre culto racional. O zelo está contido dentro deste culto racional. Em outras palavras, zele por aquilo que você tem conhecimento.

Se ampliarmos a visão, vamos perceber que este tipo de zelo sem conhecimento é contra a instrução contida nas Escrituras de voltarmos ao Senhor como inicia o texto de Oséias 6. Voltar ao Senhor é voltar para as coisas dentro de sua ordem. Voltar ao Senhor é dizer não ao perececimento causado pela falta de conhecimento. É voltar os olhos para conhecimento de sua Glória, Jesus. Instrui aos homens que aquele que não O conhece que venha conhecê-lo. Aquele que tem certo conhecimento Dele, que prossiga em conhecê-lo. Volte ambos ao Senhor “zelando” com o querer conhecer e com o prosseguir em conhecer porque esta é forma de não perecer. O bom zelo apontado na Bíblia é que aquele que estimula o conhecimento do objeto pelo qual vai se zelar.

Ao dissertar sobre o zelo descuidado, estamos dizendo sobre um zelo apático. Zelo apático tipifica a insensibilidade que a iniqüidade dos últimos dias provoca (Matheus 24:12). É oposto de Fervoroso. Zelo apático é sinônimo do esfriamento do amor Cristão e como consequência disto, é uma das causas da corrupção da verdade. A maior parte da imundícia no meio Cristão é proveniente da falta do bom zelo. É um descaso em relação às coisas que as Escrituras ensinam e direcionam para o Cristão. É uma prova vivencial de que as pessoas estão dando pouco valor àquilo que realmente importa do angulo de Deus.

Que fique a advertência para todos nós.

Para finalizar, algumas sugestões para zelar:
  • Zelo de disciplina na devocional. Ex: Orar e Examinar (ler é diferente de examinar) as Escrituras diariamente.
  • Zelo fervoroso em cumprir o que a Bíblia nos ensina.Obediência é prova de amor.
  • Zelo pelo horário de todas as coisas. Ex: Reuniões de Igreja, horário dos cultos.
  • Zelo pelo cumprimento da palavra empenhada. Ex: Se prometeu tem que cumprir (Não defraudar ninguém com promessas).
  • Zelo amoroso e cuidadoso pelos irmãos. (Zelo em ser compassivo)
  • Zelo cuidadoso com os obrigações cristãs e deveres espirituais.

 Em Jesus.

Não toqueis nos meus ungidos


Basta alguém questionar a posição doutrinária ou ética de algum líder religioso para que ele ou seus simpatizantes imediatamente lancem mão desta frase para se defenderem. Alguém já disse, com sabedoria, que o poder odeia a crítica, e isto é verdade também no meio evangélico. Ao afirmar isso, não estamos defendendo aqui a crítica barata, vingativa, mas, sim, a construtiva, feita de acordo com a Palavra de Deus.

Esta expressão "não toqueis nos meus ungidos" aparece duas vezes na Bíblia: em 1 Crônicas 16:22 e em Salmos 105:15; ambas as referências são a respeito dos patriarcas, Abraão, Isaque e Jacó. As duas passagens não se referem a um questionamento ético ou doutrinário do líder, mas a algum perigo para a integridade física de um ungido de Deus. Observe o que aconteceu com Abraão em Gênesis 20:1-13. Estando em Gerar, mentiu ao rei Abimeleque, dizendo que Sara não era sua esposa, a fim de se proteger. Impressionado com a beleza de Sara, Abimeleque mandou buscá-la para fazê-la sua esposa. Deus, porém, avisou o rei em sonho durante a noite, dizendo-lhe que seria punido se tomasse Sara como esposa, o que o levou a desistir do seu plano. Embora Abimeleque tivesse sido proibido por Deus de tocar no profeta (v. 7) e ungido do Senhor, isto é, de causar-lhe algum dano físico, ele não hesitou em repreender Abraão por ter-lhe mentido.

Davi também, quando perseguido por Saul e com oportunidade para matá-lo, limitou-se apenas a cortar-lhe a orla do manto, explicando com estas palavras o motivo de seu comportamento: "O SENHOR me guarde de que eu faça tal cousa ao meu senhor, isto é, que eu estenda a mão contra ele, pois é o ungido do SENHOR" (1 Sm 24:6). Vemos novamente que o que estava em questão era a vida de Saul e não sua posição doutrinária

No Novo Testamento, a unção não é privilégio apenas de alguns, mas de todos os que estão em Cristo. Na sua primeira epistola universal, João mesmo reconheceu isso ao escrever: "E vós possuís unção que vem do Santo, e todos tendes conhecimento" (1 Jo 2:20). João acrescenta ainda: "Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as cousas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou" (1 Jo 2:27).

É verdade que Jesus disse no Sermão do Monte: "Não julgueis, para que não sejais julgados" (Mt 7:1). Este é um outro texto muito usado de forma seletiva e fora de seu contexto como um escudo contra qualquer tipo de questionamento. O que Jesus está censurando nesta passagem é o julgamento hipócrita, algo que ele deixa bem claro nos versículos 3 a 5: "Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e então verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão". Pode-se constatar que o apóstolo Paulo tinha o cuidado de obedecer às palavras do Senhor Jesus pela sua exortação aos coríntios: "Mas esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado" (1 Co 9:27).

A Bíblia não proíbe o questionamento, pelo contrário, encoraja-o. Quando chegou a Beréia, Paulo teve seus ensinos avaliados à luz das Escrituras pelos bereanos. É interessante que os bereanos não foram censurados nem tidos como carnais porque examinaram os ensinos de Paulo, mas, sim, foram elogiados e considerados mais nobres que os de Tessalônica (At 17:11). Observe a atitude de João. Apesar de ser conhecido como o apóstolo do amor e de usar termos muito amorosos (como "filhinhos", "amados"), ele não deixou de alertar seus leitores quanto aos perigos de ensinos e profetas falsos com essas palavras: "Amados, não deis crédito a qualquer espírito: antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora" (1 Jo 4:1).

Texto extraído do livro "Evangélicos em Crise" - Paulo Romeiro.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Devocional 18 - Sabedoria

“Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao SENHOR e aparta-te do mal.” Pv 3:7

Assumo e confesso que tenho muitos medos relacionados a fraqueza do meu caráter. Um destes receios é mostrar uma sabedoria humana, que aparente ser boa, mas que não é certa e nem assertiva do ponto de vista de Deus. Afinal, a sabedoria deste mundo é um mero vento de insanidade perto dos oráculos de Deus. Converter é abandonar a própria visão da vida e aceitar o ponto de vista de Deus para as coisas.

Ao propor uma afirmação dentro deste provérbio, seria: Seja sábio aos olhos de Deus. Consulte a Deus, tema, exerça a sua convicção de quem Ele é. Confesso que muitas vezes temo que minha falta de humildade em determinadas posturas possa me levar à ruína. Por isso, igualmente percebo que precisamos vigiar os próprios atos para que não sejamos negligentes ao entregar conselhos vazios de espiritualidade para vida das pessoas. Nunca devemos cobrar e não ajudar. Proibir e não instruir. Trazer o choro e não consolar.

Outra transcrição para o provérbio seria: Não sejas sensato ou profundo para si mesmo. Não produza frutos para sua própria cobiça. Não seja sabido no sentido superficial e pejorativo e nem sejas estribado no próprio entendimento. Ou mesmo ilhado na própria soberba, mas seja humilhe diante Daquele que é o Senhor de tudo e todos. Aceite que por Ele ter te criado, significa que Ele sabe o que melhor pra você. Como Ele disse a Jeremias: “Antes que te formasse no ventre te conheci...” Reverencie a Deus, esteja Nele. É para o bem da sua própria existência. E por isso, por estar Nele, aparte-se do mal.

Seguindo o raciocínio, caminhamos para a parte do aparte-se que, pela indicação bíblica, só vem com o temor ao Senhor. Por isso, Há dois textos registrados nos Evangelhos que ensina sobre o temor e sobre apartar do mal.

  1. Temor: Matheus 10:28 diz: "E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo." A iluminação do entendimento indica que não devemos ter medo de homens, mas de Deus. Elevar o nosso nível de raciocínio para não amedrontar-se por aqueles que podem fazer mal temporariamente, mas temer aquele que tem o poder de julgar eternamente.
  2. Apartar do mal: João 14:30 "Já não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe deste mundo, e nada tem em mim;" Forte e profunda fala de Jesus que vem depois da instrução Dele a respeito do Espírito Santo. No verso 27, Jesus instrui também a respeito do temor ao dizer: Não fiquem assustados no coração. Em outras palavras: Não cedam ao medo. Apesar do mal parecer estar prosperando, não ceda a ele. Então, apartar-se do mal é uma ação que se resume na própria fala de Jesus ao dizer que o diabo não tem nada Nele. Nenhum sentimento, nenhuma vontade, nem uma brecha. E ao dizer isso depois de prometer o Espírito Santo, Cristo indiretamente indica por este e outros versículos que este é também um dos papéis do consolador. Transcrito em hermenêutica própria seria: Não fiquem com medo, eu enviarei aquele que os ajudará nesta luta para que o mal também não tenha nada em vocês. O argumento é: Se o mal não tem nada Nele hoje, poderá ter amanhã? Não. Se hoje do Ser Atemporal de Deus é o mesmo de ontem, significa que se o mal não teve parte em Deus ontem, não terá espaço hoje no mesmo lugar onde habita o Espírito de Deus.

Enfim, ser sábio aos próprios olhos é exercer uma crença meramente intelectual. É apenas crer dizendo e não vivendo. Um crença que vive apenas na extensão humana. Sabe o que isso significa? Que nossa sabedoria precisa produzir frutos para Deus. Frutos dignos de arrependimento e frutos que permaneça. Esta é uma diretiva do Nosso Pai. E a melhor demosntração de ser sábio aos olhos de Deus é não pecar para própria condenação.

Em Jesus.

Lista ordenada dos devocionais

Segue abaixo a lista de devocional contida no Blo


1. Devocional 1 - Mente de Cristo - Elevando o Entendimento
2. Devocional 2 - Como Glorificar a Deus no Trabalho?
3. Devocional 3 - Referencia - Imitando a Cristo
4. Devocional 4 - Shalom - A Paz que excede todo entendimento
5. Devocional 5 - Que peso tem os erros para você?
6. Devocional 6 - Discernimento
7. Devocional 7 - A ciência do "Não Saber"
8. Devocional 8 - Relacionamento
9. Devocional 9 - Jesus, o princípio de todas as coisas
10. Devocional 10 - É Possível perdoar a Deus?
11. Devocional 11 - Revelação Divina
12. Devocional 12 - Cuidado com a Falsa Graça
13. Devocional 13 - Espírito Santo
14. Devocional 14 - Dicas para ler a Bíblia adequadamente 
15. Devocional 15 - Tenho Jesus e Nada me falta
16. Devocional 16 - Unidade da Fé, o Caminho para Perfeição
17. Devocional 17 - Entendendo um pouco mais sobre a Parábola do Filho Pródigo
18 - Devocional 18 - Sabedoria

terça-feira, 26 de junho de 2012

Perdão


Uma coletânea resumida de pensamentos sobre Perdão extraídos de textos do Ariovaldo Ramos e do Livro Fundamentos da Teologia Cristã:
  • Perdoar de antemão imita a Deus. Deus em sua Presciência (Conhecimento de antemão) soube que quando criasse o homem o mesmo pecaria, portanto o primeiro ato de Deus foi perdoar.
  • Em um nível mais intenso, o Espírito do Perdão é uma referência do que é ser a imagem e semelhança. A história do mau servo que teve a dívida perdoada pelo seu senhor e não perdoou a dívida de seus colegas. Deixar de perdoar desagrada a Deus e de certa forma mostra o não entendimento da própria Graça de Deus.
  • Pedir perdão adora a Deus. É reconhecer que eu, homem, estou errado e Deus está certo.
  • Pedi perdão é um princípio. O argumento contido na parte referente ao perdão na Oração dominical, mostra que devemos estar praticando o ato de perdoar para sermos perdoados. "Perdoa-nos assim como temos praticado o perdão com os nossos ofensores"
  • O perdão não é automático, pelo contrário, o perdão é precedido pela condição do arrependimento em Jesus. É preciso um ato de acordo com que Deus propôs.
  • Toda a "atmosfera" que envolve perdoar e ser perdoado pode estar ligado a cura da alma. Basta lembrar-se do Salmo 32 e da palavra utilizada no encontro de Jesus com o paralítico. “Meu filho perdoados te são os teus pecados"
  • O perdão além de restaurar o relacionamento, ele tem o poder de intensificá-lo. Lembre da história do filho pródigo.
  • Perdão custa caro a quem perdoa. Basta lembra que pra Deus custou a vida do seu filho Unigênito
Em João 4, o Perdão de Deus mostrou uma capacidade de transformar alguém inferiorizada por seu mulher numa cultura patriarcal, discriminada por fazer parte de uma comunidade mal vista historicamente e marginalizada pelo seus atos em uma missionária. Tudo isto através do perdão.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Sobre a Santidade


Introdução

Quando pensamos em Santidade, torna-se importante frisar a diferença a luz da escritura entre a Santidade Divina e a Santidade exigida aos Cristãos, assim como aplicação no contexto da humanidade.

A santidade de Deus é aquela que está ligada ao divino que é imaculado, sem erros, sem pecado algum. Santidade relacionada na transcendência, um ser a parte e diferente do toda a criação. Afinal, Ele é o Criador e não criatura. 


A Bíblia mostra uma visão de Isaías 6 que está relacionada ao atributo da santidade de Deus e eleva o mesmo a repetição por três vezes. Santo, Santo, Santo fazendo referência a Trindade. Também em relação ao Espírito de Deus a bíblia faz questão de comunicar que o Espírito é Santo.

Na oração dominical modelo, o famoso Pai nosso, a segunda parte da oração ensina que nossa função como Filho é santificar o nome de Deus entre os homens. A intenção é representar a Deus tornando o nome Dele conhecido como Santo.

Agora a santidade que está relacionada a humanidade é aquela que frisa a separação para uma santificação. Basicamente Deus apenas exige um tipo de santidade para humanidade, aquela que tem o significado relacionado com a separação das coisas deste mundo. Reservar-se quanto a prática do pecado. Alguns acreditam também que devemos simular a transcendência de Deus na referência humana em relação a toda criação. O homem é um ser diferente de toda criação justamente por ser a imagem e semelhança de Deus. Esta diferença se mostra em atitudes definidas por Ele como uma ação para que o cristão convertido tome.

Santidade Divina

Um ponto importante e inicial é que Deus não é separado por existir outras opções que o tente. Tiago 1.13 "Ninguém sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta." Deus não esta sujeito ao pecado porque nele não há natureza humana e nem maléfica. A origem desta palavra esta no grego "apeirastos" que deixa claro que Deus não pode ser tentado. Quando é destacada a santidade de Deus, o significado nasce do Divino, que nos leva a idéia de uma natureza que esta acima da concepção humana e das coisas corruptíveis. Is 55:8, 9 "Pois os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos". Essa declaração é chave para entendermos que o propósito de Deus esta infinitamente mais elevado do que o nosso, assim como todos os seus atributos.

Em Isaías 40:25 "A quem, pois, me comparareis para que eu lhe seja igual? -- diz o Santo" Isaías mostra que as criaturas não são nada em comparação com o Criador. Nesse ponto é possível notar que a característica central de Deus é a Santidade, inteiramente relacionada com a Perfeição. É explicito: Deus é o Centro da Perfeição. Ele é absoluto e não há grau de comparação de verdades, santidades e qualquer outras situação que possa questionar ou apontar algum bem maior que Deus. Não há bem ou separação ou qualquer coisa nesse mundo que esteja no nível de comparação de Deus. Ele é Santo porque dele vem a santidade.


Santidade exigida aos homens

Quando lemos a passagem de João 14:26 podemos sugerir que existe uma consciência moral gerada pelo Espírito. "Mas o Ajudador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito." Esta passagem deixa claro que Jesus estava falando de "alguém" que ensina novas situações e que é a lembrança das coisas que Ele já disse. Como sabemos que a Bíblia ensina princípios para os cristãos, este versículo, além da característica educacional espiritual, esta relacionado com o discernimento diante de uma situação. O texto de Isaías 1:16-17; 2:3 confirma que o homem pode discernir entre o bem e o mal através da revelação de Deus. Ou seja, quando estamos diante de uma situação de decisão, a consciência moral gerada pelo Espírito com características de separação para o que é correto, nos leva a tomar a direção certa diante da situação.

Em outra situação, o trecho de Hb.12.14, mostra que santidade é um dos pré-requisitos para aqueles que desejam a Salvação. Ela igualmente está relacionada a idéia de Separação. Ou seja, o ato de se reservar quanto as coisas humanas corruptíveis. No conceito cristão, esta inteiramente ligada a conversão a Jesus e a assumida vida diferente dos parâmetros nos quais se sitiam a maior parte da humanidade. A Bíblia aplica a santidade a imitação da vida de Cristo quanto homem. O exemplo de Jesus em viver em separação enquanto habitava como homem e sua determinação em seguir e cumprir o propósito a que veio. E isto, nos implica que "não há separação sem uma missão". Somos separados, somos reservados para cumprimento de uma causa que é missão de Cristo.

Nota: É bom ressaltar que só porque os cristãos têm valores diferentes, não significa que não tenha que viver sob leis. Nossa separação é um auto-renuncia de desejos reforçado pela concepção que nos leva a compreensão racional de uma vida diferente, porém temos obrigações nas quais o nosso estilo vida não impede de cumprirmos. Ou seja, somos cidadãos e temos que cumprir com as nossas obrigações.

"Aquele que diz que não tem pecado faz Deus mentiroso" (1 Jo 1, 10)

Também do ponto de vista do que se espera do Cristão, ser santo não é ser sem pecado, mas se reservar quanto a prática do pecado. A diferença chave para esse entendimento, esta na pessoa que se pré-dispõe a conhecimentos fundamentais para ser cristão. Um desses conhecimentos é saber diferenciar o que é pecado do ponto de vista de Deus. Viver sem pecado sem a ajuda da consciência moral divina é impossível ao ângulo humano, pois não temos a exata percepção do que é pecado se não for pelo ângulo de Deus. Esta exata percepção vem da consciência gerada através do Espírito desenvolvendo em nós a dimensão da verdade para que sejamos libertos. A medida que conhecemos a bíblia e reservamos ela em nosso coração como parâmetro, estaremos assim no processo certo e exigido por Deus para a santificação.

Outra percepção é que a verdadeira liberdade alcançada através da libertação, esta na conscientização da razão através da bíblia. 1 Coríntios 10:23 "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam." Isso mostra que a bíblia dita a moralidade que vai reger o comportamento do cristão. Manifesta-se a verdadeira liberdade, aquela que temos a livre condição de escolher entre dois caminhos, e por não ser escravos da nossa vontade ou mesmo do pecado, escolhemos aquela que é certa aos parâmetros bíblicos. É ser livre do egoísmo que prende a nos mesmos ou qualquer outro desejo puramente humano

Portanto, exigir a santidade de homens com a referência da Santidade Divina é um erro. Esperar de um humano que tem a natureza corruptível e lhe atribuir uma qualidade muito maior que sua capacidade, possivelmente é valorizar os humanos e menosprezar a Deus. Somos a imagem e semelhança, porém não somos Deus. O que creio e afirmo é que santidade só está ao nosso alcance se Deus nos ajudar em nosso esforço. O que é possível, nós fazemos, o que é impossível Deus fará.

Espero que tenha contribuído.


domingo, 24 de junho de 2012

Porque as freiras me irritam?


Hoje tive refletindo sobre as freiras. Estranho? Na verdade é estranho, mas a intenção é tentar entender porque elas me irritam. Sério, elas me irritam...

- Talvez porque indiretamente eu queria ser um pouco missionário como elas. Abrir mão de tudo e segui enclausurado em um convento ou numa missão religiosa. Mas isso não é pra mim e percebi que isso tbem não me irrita.

- Imaginei se era porque elas representam figuras severas... Meio inacessíveis. Na verdade elas são meio que um mito religioso. Nos ônibus e nos lugares públicos há receio em até sentar no banco parceiro. Mas isso tbem não me irrita

- O motivo podia ser porque são mulheres que assumem os compromissos da castidade. Abstinência de prazeres sexuais. Não, isso não me irrita.

- Talvez porque elas não são como nos filmes "Mudança de hábito". Freirinhas simpáticas, meio mulecas e carismáticas. Alem do musical de primeiríssima qualidade. Que nada! Elas me irritavam antes do filme.

- Será porque são de outra religião? Mas eu nem sou religioso. Sou cristão. Então isso não é motivo.

Na verdade, eu acho que eu sou irritadiço. Um tanto quanto chato! Talvez seja isso. Ou... talvez elas poderiam sorrir mais, serem mais simpaticas, mais acessíveis, mais cristãs e menos religiosas. E uma vez ou outra sentar no "banco da janela" e com o sorriso, ceder o espaço do outro banco para outras pessoas. Possivelmente isso me irritaria menos.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A imortalidade


"A Bíblia é uma janela na prisão deste mundo, através da qual podemos olhar para a eternidade"  - Timothy Dwight

Quando o momento presente é estranho, incerto e desencorajador, existe sempre uma esperança no coração dos filhos de Deus, justamente porque sempre temos uma saída indicada pela Palavra de Deus. A bíblia lida com esperança assertiva, que permite que o inominável se apresente aos homens com um nome, Jesus. Jesus é a nossa esperança porque Ele sempre será a nossa saída. Não há impossibilidade para Deus, trevas tornam-se luz, morte vira vida.

Isto ensina a respeito da visão plena das coisas. Olhar com a ótica de Deus para ter a expectativa naquilo que realmente importa. Esta visão gera esperança porque ela nos diz que o Deus que agiu no passado é o Deus que pode agir no hoje. Afinal, Hb 13:8 diz assim "Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente." Impossível olhar para este texto sem refletir sobre o passado, ou sobre o presente ou mesmo sobre o futuro. O texto está dizendo que o mistério do tempo não se aplica a Deus, e mais, o mistério do tempo submete ao querer Dele. Deus domina e sujeita o tempo.

Olhando mais intensamente, em Jeremias que diz assim: "Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de Judá." Esta profecia é futura ao dizer "vem dias", e dentro deste contexto sobre o "tempo" de Deus, me faz pensar muitas coisas.

Por exemplo: No passado, Deus prometeu que faria uma Nova Aliança, e nos dias atuais desfrutamos disto. Isto deixou de ser uma promessa para ser um fato do qual desfrutamos. Faz-me pensar que Deus é único com esta capacidade de não ver limites de espaço e tempo. Penso assim: Quer ter um futuro? Fale com Quem já está lá.

Por outro lado, quem não se lembra de algum momento que passou? Algum momento que traz aquele sentimento gostoso no coração de saudade? Por exemplo: Fotos, perfumes e historias têm este poder de nos remeter a lembranças. Algumas lembranças são boas outras nem tanto. Acredito que muitos devem até pensar: No meu tempo é que era bom! Possivelmente isto é verdade. Muitas coisas que vivemos no passado, possivelmente será aquilo que de melhor já vivemos na ótica humana. Não é um erro pensar assim. Entretanto, não é um erro pensar assim se você não tem "Visão Plena".

Nossa vida humana é passageira e sempre terão momentos que serão marcantes. Porém, devo frisar que nunca será o melhor da vida, até pelo conceito de vida para os cristãos. Vida no modo de Deus é abundante, sempre com novidade e o principal, é vida eterna. O melhor sempre pertence ao Senhor e pelo plano da redenção, o melhor ainda está por vir.

Não apenas isso. A Bíblia indica sempre para deixarmos o passado e irmos para o futuro. Eu vejo nisso como uma força motivacional de fé para continuarmos. O passado é fundamental para o futuro. O que se planta no ontem colherá no hoje. O que se planta agora, lembrando que hoje é passado do futuro, colherá no amanhã. E somos resultado disto.

Acrescento a idéia de que precisamos discernir que fundamental é diferente de essencial. Fundamental tem o poder de influenciar, essencial tem o poder de determinar. No conceito cristão do que é essencial, posso resumir em uma palavra: Jesus. O único que pode intervir no passado e nos libertar de suas conseqüências.

Havia um "morto" chamado Lázaro que jazia morto a quatro dias. Apesar da descrença daqueles que estiveram presentes, Jesus mostrou que é o Senhor da vida e do tempo. Palavras de Jesus: "Aquele que crer em mim ainda que esteja morto ressuscitará." Morto é oposto de vivo. Morto é um estado que implica passado. Vivo implica presente. Na história o morto ficou vivo. O passado virou presente. Lazaro ficou ex-morto. Em qual outro lugar isto acontece?

Soa como redundante dizer que o passado passou e o que passou não volta mais. É elementar. Sabe por quê? Porque o passado está limitado ao tempo e o tempo não permite. O tempo é implacável e sempre tem como objetivo o amanhã. Por isso pondero que ficar remoendo o que passou é desacreditar que Deus pode construir algo melhor. É viver sobre às cinzas da conversão. Ou seja, já queimou, hoje não queima mais. Precisa de nova lenha.

Agora quando o passado se torna um grande problema da nossa vida, ainda que ele tenha sido bom, eu recomendo conversar com Deus. Ficar preso ao passado é deixar de Crer que Deus é infinito em fazer abundantemente além. Ou seja, tudo que pensamos, vivemos ou presenciamos, Deus pode fazer mais. É especialidade de quem é ilimitado em poder e infinito em saber. Seus atributos estão vinculados a Ele e confirmam para nós a fé de que sempre existirão boas razões para seguirmos em frente. Ter expectativa no Senhor Jesus é olhar pra frente.

Não podemos confundir a respeito de quem servimos. Uma coisa é conversar com tempo, outra coisa é conversar com o Senhor do tempo, Deus. Deus não se limita. Ontem, hoje e amanhã para Ele mesmo são.


Igualmente percebo que ficar preso pode significar acomodação. Paulo viveu enormes experiências como Naufrágio, abismos, perseguições, apedrejamentos, etc. Se existiam duas pessoas que poderiam ficar acomodadas são Jesus e Paulo, entretanto, vemos que nenhum e nem outro acomodaram ou mesmo aceitaram qualquer sugestão para acomodarem. É forte isso!

Crer no evangelho de Jesus requer a compreensão de que o nosso passado sempre ficará para trás, ainda que passado seja de boas atitudes e obras. Paulo disse que não julgava ter alcançado, mas uma coisa ele fazia: Deixava as coisas que para trás ficam e prosseguia em rumo à soberana vocação. Ele está dizendo que têm uma vocação que é suprema, maior do que qualquer outra e que gera a força da continuidade. A bíblia diz para andarmos dignos da vocação que somos chamados. Andar digno é minimamente responder a altura da responsabilidade delegada.

Advirto que saudosismo de lamentação é típico de quem está preso na "Babilônia" desta vida. Viver olhando para o passado e ficar remoendo o tempo que passou, pode significar a falta de crença de que Deus tem reservado momentos muito maiores do que seus olhos podem crer. Particularmente, creio que é imaturidade olhar para o momento do nosso passado como algo que você possivelmente não poderá mais viver. Para aqueles que são pais, acho injusto inclusive com o filho. É não ter esperança que haverá um mundo melhor.

Percebo e insisto na reflexão que sempre existirá um advento novo, uma novidade de vida para ser vivida. E se é novidade, significa que não é velho. Odres velhos contêm velhos vinho. Odres novos contêm vinhos novos. Deus tem coisas novas, mas é preciso trocar os odres.

Pense: Ainda que vivenciassem um tempo de crise, que estejamos próximos do tempo do fim e que todo presente que vivenciamos seja inferior ao passado, o futuro pela ótica bíblica sempre será melhor. Este é um paradoxo santo.

Foi no passado que Cristo se revelou, porém é no futuro que Ele consumará o seu reinado. Na vida do cristão, tudo que éramos não se compara com que somos e nem se compara com futuro de Glória que virá. A bíblia faz questão de garantir esta idéia ao dizer que nem olhos viram, nem ouvidos ouviram o que Deus preparou para nós. Ou seja, tem sempre algo melhor por vir.

Viver a vida eterna que Jesus nos agraciou é ato que descreve o presente, é ser contínuo na busca desta soberana vocação. E como diria Paulo: Viver no presente é Cristo, morrer é lucro. O lucro concretiza o ganho da vida eterna.

Por causa de Jesus, somos os mortais mais imortais que eu conheço.

Glória a Deus.

domingo, 17 de junho de 2012

A diferença Bíblica entre Receber e Aceitar o pecador

Nestes dias onde a iniqüidade se multiplica e como conseqüência o amor se esfria, precisamos estar treinados nas escrituras como obreiros aprovados em nossa própria vida e vigilantes aos intentos do maligno. A Bíblia diz que o mundo jaz no maligno. Sempre quando penso nesta passagem imagino uma conserva. Visualizo um mundo curtindo na malignidade do Império das trevas. Os nomes destas malignidades são apostasia, falsos mestres, virgens loucas, falsos crentes, lobos vestidos de ovelhas, hipócritas de todos os tipos, pessoas que tentam manipular a palavra de Deus para o próprio benefício e que estão às portas buscando a quem possa enganar.

Teremos de lutar contra isso todos os dias, pois definitivamente "não existe salvação sem desenvolvimento e nem santidade sem luta". E pelo processo da luta é que crescemos e obtemos vitória.

Diante deste alerta, proponho a definição do que é ser convertido. Ser convertido é não ter nenhum outro ponto de vista que não seja o de Cristo. Simples assim. É olhar para uma situação e discernir qual é ponto de vista de Cristo. Para isto, quero de antemão lembrá-los que Cristo não acusava, mas sempre se posicionou através da orientação. O ponto chave para a diferença entre aceitar e receber o pecador é a orientação. Isso é fundamental para mudança de vida. A intenção é ensinar a ser como Ele. Ser transformado, ou seja, "sofrer" uma metamorfose para ser como Ele, JESUS CRISTO, o cordeiro de Deus imaculado. Para nós é importante a ênfase de sermos como Jesus, e isto inclui principalmente ser como Ele para viver sem pecado. Diante disso sugiro uma rápida reflexão sobre a diferença entre Aceitar e Receber. Jesus recebe a todos, mas não aceita a todos. Existe uma condição. A condição é o arrependimento como porta de entrada do Reino de Deus. O Reino de Deus não se inicia em um lugar, mas em uma mudança. E o arrependimento válido é aquele que muda a convicção para a pessoa crer em Jesus, recebendo assim o poder libertador da graça de Deus para que não peques mais (Romanos 6:14).

Olha o que texto fala:

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e meu fardo é leve." Mt 11:28-30

O versículo é um convite, o de que Ele recebe e receberá a todos. Inclusive marginalizados, efeminados, inferiorizados e aqueles que se consideram doentes de algum ponto de vista. Só que é necessário notar que receber é diferente de aceitar. A instrução de Jesus para mulher que adulterava deixa claro essa diferença:

Mas, como insistissem em perguntar-lhe, ergueu-se e disse- lhes: Aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra. E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. Quando ouviram isto foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos, até os últimos; ficou só Jesus, e a mulher ali em pé. Então, erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém senão a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais. João 8:7-10 

Acusação e condenação não fazem parte do contexto de Jesus. E nisso acredito que se aplica o contexto da conversão, pois no ponto de vista de Jesus não havia ninguém ali que podia condená-la. Ser convertido também é manter a postura da medida de Cristo, e neste contexto é não condenar ninguém, mas orientar sempre.

Úlrico Zwínglio disse certa vez "E, quanto à verdade, não podemos abandoná-la, mesmo que isso implique na perda de nossa vida, pois não vivemos para esta geração, nem para servir aos príncipes, mas para o Senhor". Não podemos deixar de falar a verdade, esta é a orientação que liberta, afinal é a verdade que liberta. Observe que Jesus não deixou de orientar a mulher. Ele mostrou que não aceitava o pecado que ela cometera através da orientação. Jesus disse: “Não Peques Mais”

Porque Ele disse "não peques mais"? Se observarmos Jesus sempre aponta para dois caminhos. Ele é a vida e o pecado é a morte. "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor." Romanos 6:23. Esta é a diferença crucial entre receber e aceitar. Receber é vir como estas sem a preocupação comportamental de se enquadrar em algum padrão moral. Aceitar é permitir que as pessoas permaneçam como estão. E isso Jesus não fez. Sabe por quê? Porque em Romanos 3:23 diz: "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; " Todos... O pecado humano é o que destrói o próprio homem. O Pecado reina na morte. Morte é o salário do pecado. Jesus não é apenas o contraponto do pecado, mas a única opção de vida. Conscientizar as pessoas disso faz parte do seu ministério. Viver Nele é a única forma de vida que existe. Não há outro caminho, Ele é o caminho, a verdade e a vida. E para as pessoas viverem a vida do "modo de Deus" precisam abandonar o pecado.

Minha preocupação nos atuais dias é com uma igreja tolerante ao pecado e sem discurso de mudança que gera um conformismo natural. Como cristão, acredito que a Igreja deva ser acessível para todos, sem exceção. Porém, a Igreja precisa ser um instrumento de avivamento na vida dos seus fiéis, na vida da humanidade a fim de orientar a todos a ser como Jesus. Por razões bíblicas, a Igreja precisa ser sempre INTOLERANTE ao pecado, entretanto também deve ser a instituição que orienta como viver sem pecado.  E isto feito do jeito certo é uma demonstração do amor de Deus aos homens.

Não tenho dúvidas que Jesus recebia a todos os pecadores, mas também não tenho dúvidas que a orientação Dele sempre é e será no sentido para que a pessoa não peque mais. Pense: Aquele que sacrifica a própria vida por alguém que está num curso de morte por causa do pecado e transforma este alguém, dando-lhe vida abundante e eterna no presente, sabe o quão mal para os homens o pecado é. E não apenas isso, mas Jesus nos ama tanto e tanto, com um amor sem medida ao ponto de sacrificar-se, tornando aquilo que Ele mais despreza, amavelmente por não querer que a gente se perca. "Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus." 2 Coríntios 5:21

Um exemplo final para ilustrar o que falamos é que Cristo sempre foi acessível aos marginalizados de seu tempo. Biblicamente vemos cobradores de impostos, prostitutas, gentes de todos os tipos. Entretanto isso não significava que Ele concordava com os erros de qualquer que seja a pessoa. Pelo contrário, o seu discurso chegou a ser considerado duro pelos seus discípulos (Leia João 6:60 a 71). O que fica muito evidente pra mim nas escrituras é que o crivo para ser seguidor de Jesus é altíssimo. Ele chama a todos, celebra com todos e depois propõe o “Seu padrão”. Se adéqüe quem quiser. Basta lembrar-se do Jovem Rico, pessoa que era moralmente irrepreensível, um cumpridor da lei. Atente para concepção lógica de que para alguém cumprir algo, precisa antes conhecer "o algo". Ou seja, ele era conhecedor e cumpridor dos Mandamentos. E Judas Iscariotes? Andou três anos e meio com Jesus, conhecendo atentamente de perto. Numa analise simples, muitos acreditava que Judas vinha de uma ramificação do grupo dos zelotes. Zelote vem da palavra zelo. Eram patriotas Judeus que acreditavam que o Reino de Deus era tomado ou defendido a força. Ambos são lembranças para nós de que o critério é alto mesmo.

Que o Senhor possa abrir as nossas mentes e colocar em nós o mesmo "nojo" pelo pecado que Ele tinha. Que Jesus nos ajude sempre.
 
Deus abençoe a todos.

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Daniel Moreira