segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A Vilania da má interpretação


Existe uma canção do Steven Curtis Chapman que diz “Deus é Deus e eu não sou. Eu posso ver uma parte da pintura que Ele está pintando. Deus é Deus e eu um homem. Então eu nunca entendo tudo. Porque somente Deus é Deus." A citação ilustra sobre a nossa capacidade incompleta de ler a vida. Insuficientes em saber e compreender. A vida humana lida pelos próprios homens resultaria em má interpretação. Essa insuficiência nos limita na compreensão dos assuntos mais simples do ponto de vista humano. Na conversa com pessoas, na leitura de textos e no olhar de qualquer situação, percebo que sempre existe um abismo entre “ler” a situação e “compreender” o que realmente está acontecendo. Aceito o conselho da canção citada, pois apenas Deus pode ver tudo e saber o encaixe exato para todas as coisas.

Li uma texto da CPAD que citava assim "Bruce Metzger afirmou que a interpretação das Sagradas Escrituras é semelhante à piscina de instrução. Quem não sabe nadar consegue ficar na parte rasa, mas a profunda é só para nadadores experientes. Percebo que isso não é apenas em relação às escrituras, mas para todas as situações. Afalta de experiências com Deus deixa o crente sem a comprovação do que a Bíblia propõe para aquele que crer. Paulo instrui a Timóteo sobre os neófitos. Em 1 Tm 3:6 fala assim: Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. Neófito da idéia de nova folha, pessoa ainda não experimentada. Calouro, aprendiz  e iniciante.

Eu vejo que o neófito é uma pessoa sem experimentação. Comprova que o “crente” pode não estar vivendo uma das partes mais importantes do Evangelho que Jesus nos apresentou, o Reino de Deus em fatos. A falta de vivência com Deus é falta de experiências. Falta de novidade de vida. Falta de vida abundante. (Romanos 6:4, João 10:10), Esta inexperiência de vida resulta numa leitura muito limitada. Deus não é apenas Deus de ouvir falar, mas é Deus de conosco andar (Jó 42:5). Ele quer crescimento, quer nos dá experiências diretas com Ele porque isto faz parte do processo de salvação. Isto nos faz crescer rumo ao alvo de sermos a imagem e semelhança Dele.

Também tenho percebido que toda e qualquer discussão é muito minuciosa em muitos pontos para aqueles que estão envolvidos. Para começarmos qualquer debate, precisamos trazer à memória a consciência cristã de que aquele que poderá opor a uma idéia sua será sempre seu próximo. 


Saliento que dependendo de como as coisas são comunicadas, a má interpretação já pode estar em ação. Li um livro chamado “Técnicas de Comunicação Escrita” do autor Izidoro Blikstein, este livro traz a idéia de que se não escrevermos corretamente, não obteremos as respostas que esperamos. O livro aborda que a comunicação correta é uma questão de sobrevivência.

Outro exemplo é: Se você usa franqueza em determinados momentos,  dependendo do calor da “conversa”, o “franco” corre o risco de ser taxado como grosso e mal educado. Mas só corre o risco de ser grosso e mal educado para aqueles que se opõe a idéia, pois para aqueles que concordam você é um porta-voz. Então devemos considerar que qualquer julgamento a respeito da forma ou fala de alguém que você se opõe, começa com o pré-julgamento de que sua avaliação esteja comprometida, visto que a pessoa da idéia contrária se opõe a você. O que também não significa que você não está realmente sendo grosso e mal educado. O ponto aqui é que a interpretação varia aos olhos e qualquer julgamento feito diante desta situação provavelmente é mal feito. Is 64:6 Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades como um vento nos arrebatam.

Se a qualquer pessoa falar numa roda de pessoas o que diz em Matheus 11:29 ("Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas."), imagino que a maior parte dos ouvintes o chamará de soberbo. Concebo também que Jesus "possa" ter sofrido algo semelhante ao dizer isso. Especulo ainda mais que se alguns fariseus em nosso tempo ouvissem esta fala de Jesus, o declararia como uma pessoa soberba.

O parágrafo anterior me leva a refletir que a falsa modéstia é outro problema de má interpretação. Alguém que se considera bom, que tem consciência de seus próprios valores é obrigado para satisfazer ouvintes a dizer que não é bom. E se por um acaso um dia disser que faz algo bem, ele será considerado arrogante dependendo de quem ouve. Eu acho isso tudo difícil de administrar porque tudo pode estar correlacionado a má comunicação/interpretação do orador, do leitor ou do ouvinte. É um problema que muito provavelmente sempre vamos conviver, mas que precisamos saber ir além destas barreiras.

Não podemos deixar que a má interpretação ou qualquer outra coisa faça as pessoas ficarem resistentes umas com as outras. Precisamos saber diferenciar que às vezes o que está em jogo é uma simples imaturidade para entender. E as oposições são no campo das idéias. Eu li uma frase que dizia que o 'O amor é um verbo'. Devemos usá-lo como ação em relação ao próximo. Quando estamos dentro de uma boa relação uns com os outros o amor é fácil de ser demonstrado, porém o "certo" é comprovar o amor através de atitudes quando estamos contrariados, quando encontramos resistência.


Lucas 23:34 parte a "E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem..." Percebo que Jesus foi didático até os últimos momentos de sua vida. Ensinou-nos que muitas "maldades" que recebemos são fruto de ignorância. Não podemos achar que o seu irmão, este mesmo que professa a Cristo seja mal. Também não podemos aceitar a sugestão de Satanás de que viver o amor contra o que estamos sentindo naquele momento é hipocrisia ou superficialidade. O amor é uma decisão e um exercício de caridade. O amor envolvido é o sentimento que está acima do falar ou querer ou do tratar mal do suposto opositor. Apenas uma pessoa tratada, mansa como sugere o versículo de Matheus 11:29 consegue essa dimensão. Esta é a dimensão do amor que agrada a Deus.

Diante de tudo que sabemos, devemos crer que o amor é a solução para os desvios da má interpretação entre os irmãos. O amor é um ato que evidencia a intenção do bem querer do próximo não tão "próximo", condicionado pela força do Senhor e exercido pelo esforço maior do que apenas palavras carinhosas. Com Cristo Jesus aprendemos o amor compassivo, aquele que se põe no lugar pessoa mesmo que o sofrimento dela seja simples aos seus olhos.


Acrescente que o Senhor em nossas vidas e o próximo é tão mais importante do que isso que devemos sempre relevar as diferenças a fim de cooperar para o bem da obra de Deus. É óbvio que existem princípios nas Escrituras que são inegociáveis, mas pela experiência que tenho e percebo, a maioria das coisas que desgastam são coisas irrelevantes. Devemos nos comportar pacificamente e entender que o quebrantar é realizado através da oração e não pela força. Zacarias 4:6 E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos.

Enfim, existem muitas outras formas de má interpretação, mas este é apenas um pequeno texto de reflexão sobre as relações entre pessoas. O argumento contido aqui é que quando não temos a resposta unânime que traz paz consciente a todos é porque Deus ainda não respondeu. Orar é o melhor remédio. Espero ter dado o recado de Deus, pois apesar das diferenças, o fato de ter o nosso irmão conosco é muito melhor do que andar sozinho. 

Nenhum comentário: