sábado, 2 de julho de 2011

Devocional 10 - É possível perdoar a Deus?


Anos atrás, eu e mais alguns irmãos fomos a um retiro. Neste lugar sentimos a presença de Deus e fomos profundamente tocados pelo Espírito Santo para mudarmos a nossa forma de vida. Quando voltamos, a igreja local abriu oportunidades para testemunhos. Um dos irmãos ao aproveitar a oportunidade disse: "Naquele lugar, eu perdoei a Deus". Ele fazia alusão a um problema congênito dos lábios leporinos que ele tem e por isso relatou que ficava culpando a Deus por ter nascido assim. Imediatamente, as pessoas ficaram assustadas. Sem dúvida foi uma frase polêmica. Mas, devo perguntar: É possível perdoar a Deus?

Existem tantos cegos, coxos, surdos, mudos, defeitos congênitos, defeitos hereditários e outras deficiências que pergunto: Deus é culpado por eles terem nascido assim? A resposta certa é Não. Deus não erra.

Quando pressupomos que alguém precisa perdoar, estamos também concebendo a idéia de que este mesmo alguém se sentiu ofendido, e a ofensa em si conflita com toda a construção que nos foi revelada a cerca de Deus. Deus é bom e não pode ofender a ninguém. Deus não pode ofender, posto que a ofensa seja pecado. A santidade é parte da natureza Dele. Deus não erra. Deus não peca. Deus não ofende. Um exemplo é o que diz em Heb 6:18 "Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta;" Mentir é contradizer. Então, Deus não se contradiz. Então, como podemos perdoar Aquele que jamais ofende? Não podemos. É um insulto pensar assim.

Quero lembrar que um dos primeiros passos produzidos pela fé ao ouvirmos a palavra de Deus é a conscientização de nossa necessidade como seres extraviados. Ou seja, se existe alguém ofendido, este seria Deus. O Mesmo se expôs por amor a ofensa, ao enviar o seu filho Jesus que é sua exata expressão para morrer por nossos pecados. A morrer por pessoas que o ofenderam. A Bíblia diz em Rm 5:8 "Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores." Então, nem por um instante Ele precisa ser perdoado. É um erro pensar assim.

A bíblia relata na história de Jó que pensar como ofendido em relação a Deus é pensar como louco. Jó sofreu com uma sorte úlceras maligna e o nosso recurso ao imaginar respeito das úlceras é a suposição do pior tipo de ferida que homem possa ter. Porém, ainda  assim Jó não culpou a Deus. Jó 2:9,10Então sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus, e morre. Porém ele lhe disse: Como fala qualquer doida, falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios.” Jó era um homem reto, integro e temente a Deus,  e o por isso não ousou proferir qualquer infâmia contra Deus, antes repreendeu sua mulher ao ponto de considerá-la como louca. Mas o grifo no versículo é o entendimento que Jó tinha a respeito Deus.

Agora, o que Jó quis dizer em receber o bem e receber o mal? Acredito que a mesma recomendação de Paulo fala em Tes 5:18Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.” Em outras palavras, em qualquer situação dai graça. Assim como desfrutamos das coisas boas podemos  passar pelas adversidades, pois é o mesmo Deus que está no controle de tudo. Estar consciente disso é estar preparado para vida. Paulo entendeu isto quando foi respondido por Deus a respeito do espinho na carne: 2 Cor 12:9 "E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo."

Agora por outro lado, entendo o que o "irmão ofendido" quis dizer, o que é diferente de concordar com a conclusão que o mesmo teve. Tenho certeza que, salvo o temor que todos devem ter em relação ao saber de que Deus faz tudo certo, muitos de nós por incompreensão do verdadeiro sentido da vida, mesmo que por um instante, pensamos em algo similar. Acredito que pelo menos algum questionamento do tipo já foi exposto: "Deus não olhou pra mim!" ou "Deus, por que eu?" ou "Por que meu filho?" ou "Parece que Deus não está me vendo!" Infelizmente, somos tentados a achar como culpados uma força maior do que a nossa para assim eximirmos de nossas responsabilidades.

Existem pessoas depressivas e problemáticas em diversos ambientes e por influencia destes contextos em que vivem, propõe a si mesmas uma concepção equivocada sobre quem é Deus. Acha-se pior que todas as outras pessoas, menos favorecidas pela vida por causa de seus defeitos ou pelos acontecimentos da vida. Enfim, de todas as formas, estas pessoas se sentem diminuídas e sua reação é apontar para Deus como o autor destes acontecimentos.
 
Historicamente o contexto da fala é similar ao da queda da humanidade. O mesmo erro que Adão cometeu ao dizer "Foi a mulher que tu me deste" (Gen 3:12). Ou seja, Culpou a Deus. Por mais improvável que possa ser, a raiz deste problema no meio dos cristãos que concebem a idéia de Deus como culpado é a incredulidade. E pela incredulidade, contraem o segundo estágio do pecado que é não reconhecer a própria responsabilidade com o agravante de culpar a Deus.

O que noto é que assim como Adão, a incredulidade não conflita com o acreditar que Deus existe. O incrédulo geralmente acredita que Deus existe. Entretanto, a incredulidade duvida de Deus como Deus. E o duvidar de uma pessoa em relação a Deus, nada mais é do que crer em um deus errado. Ao duvidarmos de Deus, o efeito será a desobediência. Adão e Eva sabiam que Deus é real, mas duvidaram Dele. Não ouviram sua voz.

Confesso que não sei propor um caminho de reflexão mais fácil para esta relação de culpabilidade entre um deficiente e Deus que não seja o Evangelho. Porque quando um deficiente conhece o Evangelho, ele é igualado a todos. Todos são iguais perante o Deus. Iguais em todos os sentidos, inclusive em responsabilidade e em culpa, pois todos pecaram e carecem da Glória de Deus (Rom 3:23). Diante do Evangelho, todos precisam ter a mesma reação de arrependimento da incredulidade.

Então o que recomendar aos deficientes? Recomendo a credulidade. Credulidade é característica do pobre de espírito. Em Mat 5:3 diz “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;” Credulidade pertence a aqueles que dependem de Deus. A credulidade é característica de quem é ingênuo, daquele que não tem malícia. Malícia é dolo, má-fé. Portanto, a credulidade é não agir de má-fé. Credulidade é a Fé do jeito certo, a boa fé. Credulidade é o saber de que Deus é Deus, e por isso, sempre irá agir da maneira certa.

Para finalizar quero ponderar como conselho duas variações para o conceito de credulidade. 
  1. Crer que Deus tem o poder para curar todas as coisas. (Mat 12:15, Mat 19:2, Mat 21:14)
  2. Crer que consiste em aceitar que Deus não queira curar e que ainda assim a Graça Dele te basta. (João 1:16, 2 Cor 12:9)
Em Deus.

3 comentários:

Gabriela disse...

Já estou seguindo seu blog muito bom que Deus continue abençoando. Tenha uma semana muito abençoada
www.blogandodemadrugada.blogspot.com

Andre disse...

Desculpe, mas discordo.
Uma coisa é Deus ser perfeito e não errar ou ofender a alguém. Outra é eu me sentir ofendido, ou desprezado, ou triste com Deus mesmo que Ele nada tenha feito de errado. Mas posso ter estes sentimentos por achar que "Deus deveria ter feito algo que não fez".
Deus não me lançará no inferno e nem me castigará se eu O questionar, ou me decepcionar com Ele. Se Ele irá me atender aí já é outra história.
Deus permite e entende isso. Ele entende que a minha percepção de relacionamento está diretamente presa ao plano terrestre e às referencias que temos enquanto humanos.

No entanto, quanto mais eu O conheço, quanto mais meu relacionamento com Cristo se aproxima de num nível de maturidade ideal, as minhas "decepções e frustrações" com Deus diminuem.

Daniel Moreira disse...

Leia o que você disse, pois uma informação sobrepõe a outra.

Uma coisa é você sentir outra é o fato. O fato seria Deus ter feito alguma coisa. Então, para pressupor um perdão a alguém é preciso ter duas pessoas envolvidas, no caso, só existe uma pessoa com a má interpretação do ocorrido.

De qualquer forma, obrigado pela opinião.