domingo, 15 de maio de 2011

Sobre o Namoro Cristão. Diagnóstico e Conselho

Começo este texto como uma admoestação (crítica) a Igreja no papel de instituição que auxilia os pais na formação de seus filhos. É necessário porque nestes últimos dias, tenho recebido emails de algumas pessoas querendo respostas para as dúvidas sobre seus relacionamentos. Geralmente, adolescentes e jovens querendo aprovação para suas "paixões", aprovações que deveriam ser de seus pais com auxilio dos seus líderes ou mentores nas igrejas locais.

O que podemos perceber Inicialmente é:
  1. Falta de um mentor (discipulador) para auxiliar no Conselho
  2. Falta de carisma e bom senso dos pais para administrar os conflitos dos seus filhos
  3. Omissão da Igreja no papel de Auxiliadora na formação da juventude e isso incluem a orientação sobre relacionamento em geral.
  4. Líderes, mentores, pais e igrejas despreparados
Não querendo depreciar ninguém, sempre percebo outras intenções quando os jovens escrevem suas dúvidas. Na maioria das vezes, os mesmos estão comprometidos emocionalmente. Então, independente do que eu disser, vão continuar se relacionando do mesmo jeito.

Os que me procuram são aqueles que têm alguma dificuldade no relacionamento por causa de falta de orientação, rebeldia e precipitação. Definitivamente, o diagnóstico da causa do problema é má orientação em geral. Da parte da igreja, há tantas situações que excedem o foco principal e que propões legalismos doutrinários ou liberalismos que acabam roubando o espaço da aprendizagem e reflexão. Vivem em eterno conflito do pode e não pode. A igreja que deveria ser a auxiliadora dos pais na orientação como referencia, acaba ampliando o problema do ponto de vista da escolha. A igreja vive esse conflito pelas diversas denominações. Visivelmente muitas igrejas, se preocupam mais com outras situações do que com a formação do caráter cristão dos seus fiéis. De modo geral, isso cria um fardo cruel para estes meninos. Ha tantas obrigações cristãs "fora de tempo" que pressionam toda esta juventude.

Por outro lado, vejo adolescentes sendo totalmente influenciados pela sensualidade brasileira que é veiculada pelas diversas mídias existentes. Programas de TVs, internet e outras mídias em geral. E pior, o fácil acesso a estas coisas promovem a precocidade sexual de inocentes jovens em uma dimensão que vão marcá-los por toda vida. Os pais precisam ficar mais atentos ao conteúdo que os filhos assistem.
Diante disso, todos que me procuram, geralmente estão na verdade precisando de alguém para remediar certa situação. Tornou-se raro alguém que procure com a pura e aspirante intenção de estar se preparando quando aparecer alguma pessoa. Outros querem alguma formula certeira que garanta a eles a certeza de um relacionamento bem sucedido. A fórmula não existe se Deus não estiver no controle de sua vida. O relacionamento cristão só é bem sucedido se o mesmo promove e ajuda a pessoa se aproximar mais de Deus.

Cada relacionamento, seja de amizade, seja de namoro ou mesmo aqueles que por pura sociabilidade, só são possíveis se existirem uma leitura adequada da convivência. Esta leitura, adequada, no caso dos cristãos, se chama discernimento. Porém, confundimos discernimento com preconceito ou sofismas. Na verdade, o discernimento no contexto da preparação para o namoro, requer um adestramento de coração onde o nosso foco passa a ser aquilo que é estabelecido como propósito de Deus em nossa vida. A prioridade passa a ser a busca prioritária da transformação da nossa alma para sermos a imagem e semelhança de Cristo e outras coisas serão acrescentadas de acordo com a vontade de Deus. Sem pressa e sem fardos. É bom frisarmos que discernimento é uma habilidade do Espírito gerada pela palavra de Deus. É a habilidade que nos dá capacidade de definir as coisas. Repare neste texto: Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. Hb 4:12

Isto demanda tempo por envolver conhecimento da palavra de Deus para prática de vida e oração ao Espírito Santo de Deus para iluminação do nosso entendimento. Neste processo é necessário o surgimento de valores fundamentados na essência que é Jesus.  Depois disso, temos que entender que a base para relacionar está em administrar certas propriedades de nossas vidas. Envolve a capacidade de adaptação para aprender ou mesmo conviver com o outro, e principalmente, assimilar hábitos característicos do meio que a pessoa tem interesse na socialização. O problema neste processo acontece porque a maioria das pessoas que querem relacionar não entende seu papel base para isso. Existe uma exigência mínima para relacionarmos. A primeira e fundamental é a igualdade de condição. Só que o grande problema é que a igualdade de condição  pode ser "fingida" por alguém. Muitos se adaptam momentaneamente e forjam uma identidade que não lhe é própria. Ou seja, não se relacionam tendo por base a verdade. Criam mascaras para conseguir o objetivo com mais facilidade. É assim na política, é assim na relação de ambição envolvendo carreira profissional e em qualquer outra forma de relacionamento onde há interesse sem Deus. Não é diferente do período do namoro. As pessoas se modelam a um tipo de personagem para facilitar o alcance do seu interesse. Com toda a certeza, todos nós ouvimos casos de pessoas que tinham um comportamento no namoro e agora tem outro quando casaram.

Em tese deveria ser mais fácil para os cristãos, porém não condiz com a realidade. A comunidade que deveria servir de suporte e auxilio orientando seus fiéis, na maioria das vezes é o que mais pressiona os jovens ao passo errado. O que vemos na prática é a imposição de doutrinas pelos pastores, líderes e até os pais mal orientados. E quando não vemos imposição, há má instrução. Nota: Lógico que existem igrejas que desempenham seu papel neste contexto, mas a maior parte não cumpre sua função neste sentido. Por conta disso, os filhos têm que lidar com um sentimento completamente novo sem as devidas orientações, com maus exemplos dentro de casa, com a puberdade liberando hormônios, sem armas contra a precoce sexualidade que existe em nossos dias e com os pais sendo orientados por líderes completamente despreparados. O que exemplifica isso é que muitos que me procuram sobre relacionamento, indiretamente querem orientação ou aprovação de alguém que substitua a verdadeira autoridade sobre a questão: Seus pais e a igreja local. Na verdade a junção destes dois no sentido pleno do significado deveria ser mais do que suficiente para a formação do caráter de alguém, porém não condiz com a realidade.

Eu sei de casos de pais que expulsaram seus filhos de casa por não concordar com o namoro, fora outros exemplos. Nestes casos, estou me referindo a pais cristãos, mas também sei que existem pais não cristãos com o mesmo problema. Por isso, bons relacionamentos com outros é uma etapa do aprendizado cristão que se dá tanto para os lideres quanto para os pais destes jovens. Isso os dá uma obrigação moral de compartilhar de forma certa. Não é forçando as coisas, mas sim educando no Senhor. Instruir é fundamento e por isso deve sempre existir um investimento nisso. Existem alguns sites de educação cristã que podem auxiliar os pais na educação dos filhos. Vou indicar o http://prmarcostuler.blogspot.com/

Ainda que existam essas falhas na igreja, a minha obrigação como igreja é ajudar a propor a solução a estes mesmos jovens que procuram informações sobre relacionamento. Comecei dizendo que este texto é uma admoestação feita pelo diagnóstico pós conselho, que aponta para os lados envolvidos. Pessoalmente eu acredito que as vítimas são esses jovens precoces. Por isso, quero dizer a eles que existe uma maneira certa de se relacionar, entendendo que aceitar os próprios desejos não é maneira certa, antes geram conseqüências desastrosas.

O namoro cristão precisa estar submisso aos princípios contidos nas escrituras. Caso a pessoa não queira um namoro cristão, então deve arcar com as conseqüências de um namoro sem Cristo. Cristo é incondicional em amar, porém não aceita as ações humanas baseadas apenas no prazer. Da parte de Deus, sempre que clamamos por ajudar Ele vem, mas o preço do envolvimento divino é o arrependimento e abertura do coração para adequação do perfil de Cristo. Então imagine depois de um namoro muito problemático a intervenção de Deus será dolorosa. O fundamento é que Deus não edifica uma casa em uma base incerta e cheia de problemas. Ele primeiro vai estruturar as bases naquilo que é fundamental saber para praticar. Isso envolve a consciência de um relacionamento Cristão, baseado em princípios sólidos.

A maioria dos jovens colocam seus interesses sentimentais a "frente" da vontade de Deus. Começam a namorar sem realmente consultar a Deus. Os erros são frutos da inexperiência em crer que podem relacionar sem nenhuma orientação ou mesmo por não saber escolher as pessoas adequadas para aconselhamento. Muitos dos jovens escolhem as pessoas que lhe convém, ou seja, que terão mais facilidade para aceitação do seu namoro. Explicação é simples: A maioria são escravos do seu próprio sentimento. Dependentes de sua própria vontade e não da vontade de Deus. Apenas procuram nas diversas opiniões existentes as que lhe interessam para aliviar essa pressão do fardo impróprio. Boa parte das opiniões que existem a respeito deste tema são aquelas que também se encaixam no perfil de que vale qualquer coisa pelo preço de nossa felicidade. Porém, sabemos que biblicamente a felicidade começa na compreensão de que Deus é único caminho para ela. Tem começar Nele, do jeito Dele.

Ha também aqueles com dúvidas genuínas, aqueles que não são orientados porque seus líderes são completamente despreparados. Isso é a receita para o desastre. Líderes que não são habilitados para sequer segurar a Bíblia e como conseqüência deixam as ovelhas desviarem. Essa conta um dia eles vão pagar.
Esta fase da adolescência e até mesmo de jovens necessitam de um investimento espiritual, apropriada para idade dos mesmos. Vivemos em um país que incentiva a relação sem compromisso, incluindo até a relação sexual. O problema é que no meio deste incentivo, boa parte, senão a maioria dos adolescentes e jovens descobre a sexualidade por conta própria. Juntando isso com o agravante da imaturidade, arriscam em relacionamentos diversos e rebelam contra o mundo. Uma fase que paga pela inexperiência e impulsividade. Conseqüência: As meninas engravidam e os papais garotos não sabem nem o que querem em suas vidas. Neste contexto, eles têm que lidar com uma pressão que jamais tiveram e assim aceleram o processo de maturidade pulando etapas importantes para crescimento saudável. Essa realidade é visível na igreja nos dias de hoje, e para tentar remediar, existem cristãos que apóiam o namoro em padrões do mundo, incentivando até o uso de camisinhas e outras coisas. Para mim, os defensores desta "campanha" são irmãos que estão desistindo do bom combate e aceitando reduzir as exigências bíblicas afim de não perder seu jovens. Esta ação está longe de ser a melhor solução.

Isso é um ciclo que é causado pelo que eu acredito ser o principal problema: Falta de referencia, modelo. Um discípulo é ser disciplinado em tudo para tentar aprender e absorver os ensinamentos de seu discipulador. Falta essa referencia aos cristãos, que se vêem na igreja sem ter modelos e por isso acabam precipitando passos. A lógica do imediatismo é esse. Se não tem quem me ajudar, vou sozinho do meu jeito. Agora sabe o que mais assusta? Assusta o fato de ignoramos este problema. Estamos no meio de uma crise e parece que para muitos o Evangelho só esta crescendo e cheio de frutos. Jesus, o maior exemplo de todos, ensinou o processo de discipulado como algo essencial da missão cristã e muitos dos que professam ter Ele, omitem este fato.

Como conseqüência, esta falta de referencia na condição de inexperiente na fé e até mesmo na fase da vida, forçam a estes jovens a viverem a margem do real propósito de Deus  Quero frisar que quando Deus propôs a Igreja na face da Terra, a mesma virou referencia na formação de pessoas, o que inclui o auxilio aos pais na formação de seus filhos. Ou seja, a Igreja tem papel fundamental na formação da condição cristã para cristão. Se não ensinarmos Jesus Cristo e todas as propriedades Dele como forma de vida, estamos formando as pessoas a terem a quem como modelo? Na verdade essa omissão do discipulado virou uma crise e se espalhou.

Voltando ao contexto do relacionamento de jovens e adolescentes é possível afirmar que os cristãos de um modo geral relevam muitas situações sem nenhum fundamento bíblico e desprezam outras com total fundamentação na Escritura Sagrada. Alem disso, avaliam pré-requisitos físicos e temporários. Não projetam o futuro, acabam escravos da sua própria vontade e reféns dos momentos que vivem. Por isso, quero reunir resumidamente alguns pontos essenciais para o namoro. Na minha concepção não se pode abandonar nenhum destes itens. Semelhante a Jesus que estabeleceu itens elevados para aqueles queriam ser discípulos, entendo que Ele estava ensinando que critério alto faz os falsos seguidores desistir. Da mesma forma, seja homem ou mulher, estabelecendo critérios bíblicos para namoro, os mesmos estão valorizando a si mesmos e assustando os que não os valorizam.
  1. Entendimento do que é relacionamento. Como disse no texto acima, relacionamento bíblico é atividade entre duas pessoas com igualdade de condição e que gozam de um fator em comum que excede as diferenças.
  2. Idade e Maturidade. Idade é um critério a ser sempre observado e com rara exceção. A única excessão justificavel até um certo ponto é a maturidade. Maturidade para qualquer pessoa começa quando a pessoa tem uma identidade, e quando a mesma sabe o que quer e tem independência mental e financeira para tomar as próprias decisões.
  3. Entendimento de Graça é primordial. A graça de Deus é o "esforço" no coração de Deus em todos os aspectos da vida que vem nos favorecer mesmo sem a gente merecer. Então tudo que temos, não merecemos. Por isso, não temos direito algum de exigir. Inclusive o direito de casamento. Ou seja, se não casarmos, ainda assim temos mais do que merecemos e a graça de Deus nos basta.
  4. Discernimento. Os outros elementos são possíveis "fingi-los". Alguém pode tentar enganar, fingir ter algo que não tem. Porém, o discernimento do Senhor é uma habilidade do Espírito Santo gerada pela palavra que vê além dos olhos humanos, alem das aparências e é o ponto para enxergar se uma pessoa está diante de uma astúcia do inimigo. O discernimento em Deus é habilidade para não ser enganado.

Tendo estes valores apurados a pessoa teria condição de namorar.

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