sexta-feira, 20 de maio de 2011

Devocional 7 - A ciência do "Não Saber"


"Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes" (1 Coríntios 1:27)

Nos últimos dias eu comecei a ter dificuldade em elogiar pessoas. Estou achando difícil mesmo. Talvez a culpa disso seja do "Não saber". Primeiramente, "não saber" que procede do meu desconhecimento de todas as coisas. "Não saber" como a pessoa vai reagir e resolver o elogio. Até mesmo o "Não saber" se de fato a pessoa é merecedora do elogio. Enfim, não sei. Não consigo passar da superfície externa. Esta é a certificação de que ser humano do meu ponto vista é insuficiente. Nesta conclusão óbvia, vejo que as impressões de momento enganam e por isso qualquer justiça baseada nisso não tem valor. Isaías 64:6 "Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam."

No caso dos elogios, dependendo do nível de maturidade cristã de alguém, tenho a sensação de que eles mais atrapalham do que ajudam. Isso talvez porque somos despreparados para recebê-los. Não sabemos como recebê-los. Torna-se mais difícil porque não existe um "medidor" de maturidade. De qualquer forma, notadamente somos propensos ao erro, e o erro se transfigura de "n" formas, inclusive da vaidade. A verdade é que a humanidade de um modo geral multiplica seus próprios erros, e por isso, sua visão a respeito de tudo está comprometida.



Obs.: Isso não significa que não devemos elogiar pessoas, mas significa que devemos ter zelo também ao fazer isso.
 
Tem uma música do Stevie Curtis Chapman que diz "Deus vê tudo o tempo inteiro e a gente apenas uma parte, por isso Deus é Deus e nos não". Isto ilustra que todo conhecimento a respeito de si mesmo é comprometido porque apenas vemos uma parte. Agora, se não conseguimos por vezes saber quem somos porque apenas visualizamos uma parte, quanto mais sabermos a respeito de outros que não convivemos em tempo integral? A resposta é não sabemos. O "não saber" mais uma vez é o nosso maior exemplo diante das situações

Certo escritor uma vez disse "Para o cristão, a grandeza esta na humildade, e o poder é experimentado na fraqueza. Ou seja, o caminho da cruz se torna o caminho da coroa" Recentemente cheguei a procurar definições para humildade. A melhor e a que mais se encaixa na vida de Cristo é: Humildade é humilhar-se voluntariamente. Foi o que Jesus fez. E seguindo o seu exemplo, creio que só é possível caminharmos com Cristo se voluntariamente humilharmos e reconhecermos nossa limitação a respeito da própria vida. É assinar o "pedido de ajuda". É reconhecer que ser humano do nosso jeito está errado. É reconhecer que não sabemos viver simplesmente e por isso devemos aceitar o convite Dele para o arrependimento.

Também percebi que Jesus sabia a diferença entre adoração genuína e o elogio interesseiro. Quando o jovem rico chegou até Ele e o chamou de bom mestre, Ele não aceitou a honra do elogio porque o bom estava se referindo ao titulo humano, no caso o mestre. "Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus." Ele não aceitou a honra do elogio mesmo sendo Bom. Na verdade, Ele transferiu a honra dando a entender que Deus é quem merece. Muitos podem ser bons, mas ninguém se compara a Deus. Porém, em outra ocasião, Ele aceitou a adoração de uma "prostituta" Lembremos "E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o ungüento." A diferença nas "honras" prestadas a Jesus é que uma procedia do entendimento de alguém que sabia da sua condição "marginal" e que voluntariamente se humilhou diante Dele e a outra honra apenas nominal de alguém que queria no fundo contra-argumentar dizendo que praticava tais coisas, mas que sua prioridade não era devoção a Deus. Uma revelação que iluminou o saber de que alguém que não sabia e a outra demonstrou que o "certo príncipe" que julgava que sabia das coisas, não sabia como pensava. Adoração no Novo Testamento pode ser definido por "Prestar honra" a Deus. Por isso ele aceitou de um e de outro não, pois um foi direcionado ao homem Jesus e a outra Jesus como filho de Deus.

Salomão, um homem conhecido por sua sabedoria, chegou ao final dos seus dias com sensação de que tudo era enfado. No fim da vida, ele pareceu diagnosticar que a vida era cansativa demais. Mas, em comparação com a vida de Cristo, Salomão o homem mais sábio parecia também não saber o tanto que ele achava que sabia, ainda que sua sabedoria fosse dom de Deus. O que Ele achava "cansativo", Jesus de uma forma simples chamou a responsabilidade de aliviar as pessoas apenas ensinando a elas a serem mansas e humildes de coração. No fim, mesmo o homem que comprovadamente foi referencia de sabedoria, provou que não sabia das coisas.

Mas afinal, quem sabe? O capítulo de João 9 tem muitos ensinamentos sobre quem sabe. O início deste capítulo aparece uma dúvida dos discípulos que restringiram a resposta a duas alternativas.  "Estes ou seus pais?"  Os discípulos, tentando achar a culpa de o porquê um cego ter nascido cego. Apesar da dúvida, acreditavam que a resposta estava nas duas hipóteses que eles apresentaram. Deus mais uma vez demonstrou que eles não sabiam. Mas, no decorrer deste capítulo, temos uma demonstração plena do saber das coisas que vem deste mesmo ex-cego de nascença citado pelos discípulos no início do capítulo. 

João 9:24:38 "Chamaram, pois, pela segunda vez o homem que tinha sido cego, e disseram-lhe: Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador. Respondeu ele pois, e disse: Se é pecador, não sei; uma coisa sei, é que, havendo eu sido cego, agora vejo. E tornaram a dizer-lhe: Que te fez ele? Como te abriu os olhos? Respondeu-lhes: Já vo-lo disse, e não ouvistes; para que o quereis tornar a ouvir? Quereis vós porventura fazer-vos também seus discípulos? Então o injuriaram, e disseram: Discípulo dele sejas tu; nós, porém, somos discípulos de Moisés. Nós bem sabemos que Deus falou a Moisés, mas este não sabemos de onde é. O homem respondeu, e disse-lhes: Nisto, pois, está a maravilha, que vós não saibais de onde ele é, e contudo me abrisse os olhos. Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus, e faz a sua vontade, a esse ouve. Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença. Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer. Responderam eles, e disseram-lhe: Tu és nascido todo em pecados, e nos ensinas a nós? E expulsaram-no. Jesus ouviu que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: Crês tu no Filho de Deus? Ele respondeu, e disse: Quem é ele, Senhor, para que nele creia? E Jesus lhe disse: Tu já o tens visto, e é aquele que fala contigo. Ele disse: Creio, Senhor. E o adorou."

Quem sabe das coisas? Uma prostituta, um cego de nascença e todos aqueles que aceitaram a condição de doente. O primeiro passo para o saber das coisas é ter a consciência  a luz de Cristo de  quem você é, ou seja, alguém que não sabe das coisas. A bíblia diz: "Todos pecaram e desistuídos estão da glória de Deus"  A pergunta é: Quem somos? Doentes ou sãos? Dependendo da resposta, Jesus veio pra você. Dependendo da resposta, Jesus não veio pra vc. O próprio Cristo disse isso. O conselho da afirmação de Cristo é que quando em Deus passamos a assumir a posição de doente, Ele poderá nos ajudar. A partir do ponto que assumirmos a dependência Dele, a nossa "não ciência" torna em sabedoria. É como se o nada se tornasse em tudo. Um santo paradoxo. Algo mais alto que do que própria ciência. Entendo que a sabedoria em Deus é saber aplicar todo o conhecimento de informações com discernimento. Ou seja, aplicar sempre da maneira certa.


Enfim, eu sei que nada sei. Por isso, preciso de Cristo.



Em Jesus

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