sábado, 7 de maio de 2011

Comunidade

Por Volney Faustini

Se realmente entendessemos a profundidade do conceito de se viver em comunidade - resgatando de um lado a herança da igreja primitiva, e colocando em prática as diretrizes neo testamentárias, o Cristianismo ganharia forte significado para o mundo.

Viver e ser corpo é estar junto. Sofrer junto. Amar ao irmão, livre de condicionamentos e preconceitos. Infelizmente hoje se faz muito para que o espirito da comunidade não vingue.

Por exemplo, a decoração da igreja. Bancos pesados, enfileirados, formato de auditório. O sujeito fica olhando para a nuca do outro que senta-se à sua frente. Todos em silêncio. Não se conversa entre si. Mesmo no momento de cumprimentos à la 'Paz do Senhor' é uma papagaiada superficial repetindo o que o pastor ou líder de louvor manda.

O silêncio impera. É só o pregador que fala - discurso centralizado e sem interação. As atividades do culto terminam - toca pra casa. Não há oportunidade para comunhão, para entrosamento, conhecimento mútuo ... Há que se quebrar essas amarras para que a igreja seja mais comunidade.

A pregação é mais importante que a koinonia. Não evoluimos. Há multiplas formas de estudarmos e crescermos em conhecimento. Chamamos de multi-meios ou multiplas mídias. Para ser comunidade, só um meio e uma forma: conversar, interagir, realizar trocas. Um fala, outro ouve. O outro fala, o um ouve.

Há muito mais crescimento e serviço cristão na interação entre os irmãos, do que em vários anos ouvindo sermões.

Outro exemplo. E sou testemunha disso e sou culpado disso. Certamente joguei esse jogo. É assim: caráter (peso zero); doutrinamento (peso dez). Fraternidade (peso zero); aparência (peso dez); Linguagem do amor (peso zero); linguagem gospel-da-boca-pra-fora-clichezada-falsa-superficial (nota dez).

Tem doutrina, fala tudo direitinho, certinho, amarradinho, ajustado - dez. É pessoa decente, confiável, amorosa, transpira o Espírito Santo ... isso é detalhe.

Não se olha mais para o coração, para os olhos, para buscar e valorizar a beleza interior. Olha-se para as resposta doutrinárias. Olha-se para conferir a convicção cínica e imbecílica (se for diferente disso é má fé). Não é a toa que desanda o caldo da comunidade.

Peço perdão - pois confesso que assim agi em muitas e muitas situações. É o jogo da religião, da letra, que mata e seca.

Entenda o meu tom. Receba-o com afeto. É um desabafo para o bem, para a construção.

Deserto e Comunidade. Podemos falar muito mais deles dois - mas ainda temos o Amor a considerar.

Extraído do Blog Volney Faustini

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