terça-feira, 17 de novembro de 2009

Insensibilidade

Vc consegue imaginar alguem que ouve a voz de Deus diretamente e fica indiferente? É semelhante aqueles que trabalham com substancias mal cheirosas e que depois de algum tempo que convivem com o odor, o sentido de cheiro deles se torna insensível. Ou seja, após poucos minutos, tornam-se insensíveis para o odor original, não sentindo que há "mal cheiro" no ambiente. Este talvez seja um dos primeiros diagnósticos de uma vida de insensibilidade. "Crentes" que já não conseguem crer. Já não sabem diferenciar o cristianismo da religiosidade. Não consegue discernir ao seu redor.

Ao editar este texto estive refletindo sobre como conseguir examinar a "si" mesmo nesse tempo onde a insensibilidade praticamente impera na humanidade e corrompe os sentidos cristãos. Como perceber em "mim mesmo" que não sou um deste que eu mesmo cito. As situações estão tão constantemente ruins em todos os lugares que meio que acostumamos com elas e ja não notamos a diferença. Perdemos a sensibilidade por acomodarmos com odor do pecado, e ja não mais importamos com as "coisas" que importávamos em outro tempo, justamente porque o pecado ja não nos incomoda tanto. No Evangelho de Mateus, Capítulo 6, versículo 24, disse Jesus: Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a mamon.

Neste ponto a insensibilidade confunde tão minuciosamente, que para os insensíveis, qualquer "voz" pode ser considerada a voz de Deus desde que responda a religiosidade. A pessoa não saberá tratar com o discernimento adequado, pois a prova de sua crença é baseada em um mentira modelável. Nesse ângulo o primeiro passo que dei em relação ao discernimento, foi crer e conhecer que Deus sempre fala de um jeito que considera e responde a incapacitação humana e que ao mesmo tempo é fiel aos seus princípios. Ou seja, Deus sabe tanto que os humanos são incapazes que Ele veio a Terra, deu exemplo mostrando sua missão a toda humanidade e em momento algum contrariou seus princípios para facilitar o discurso para ganhar mais pessoas. Servir a Deus é por esforço, exige estar sensível e constantemente atento.

Algo marcante na vida de Cristo foi e é a sensibilidade Dele para com a vida da humanidade. Passa pela compreensão da falibilidade humana até o discernimento completo das relações mais complexas, dando a oportunidade do perdão para cada um de nós. Ele sabe diferenciar o pecado do pecador, que mesmo pecando, terá a oportunidade Nele (Cristo) de se arrepender em seu coração e ser transformado completamente. Porém muitos do pecadores usam da idéia de premeditar o perdão, pecando com a corrupta consciência de que Deus sempre irá perdoá-lo. Os crentes desse comportamento são "sujeitos" sem nenhuma uma forma de vida que diferencie dos incrédulos. Não trazem esperança em suas vidas, ao contrário, só trazem a decepção e a materialização prática do que Satanás quer para as pessoas. Sonham com engodo da vida, fermentam seus desejos vaidosos com desculpas cristãs, maquinam o mal, são agentes ativos da destruição do lar, desejosos da fama a qualquer preço, cheios de altares humanos, desvairados, promiscuo e insensivelmente corruptos por acreditarem no discurso de que Deus quer que sejamos felizes por nossos próprios meios. Já dizia o profeta Isaías que nossa justiça é como trapo da imundícia (Isaías 64:6) Este nada mais é do que o velho egoísmo que escraviza a si mesmo, em seus próprios desejos. Pv 3:5 Confia no SENHOR de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. 6 Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.

Propagam a ideia corrompida de que Deus permite qualquer coisa pela causa de nossa felicidade, quando na verdade a pessoa mistura seus sentimentos e sonhos pessoais com a audácia de propor a si mesmo e aos outros ao seu redor suas vontades. Estas pessoas não se convertem de fato, e sim, mascaram seus desejos "mundanos" com falsos idealismos cristãos. E mais, tudo isso com uma capa superficial de pessoa bem sucedida na fé. A concepção que tem permitido essa turma viver assim, trata a Deus como segundo plano, como se Deus fosse escravo da vontade do homem, dos desejos do homem.

Para se ter idéia, ouvi recentemente de uma pessoa que estava separando de sua esposa, que ele orou a Deus sobre a separação e que "deus" orientou a ele a romper com casamento. Depois de algum tempo, "antenei" com a história, percebi que o "sujeito" já estava "engatilhado" com outra mulher e que este tipo de resposta de Deus lhe convinha. E pior, ele continuou sustentando que estava certo para não ter que assumir o seus erro. A insensibilidade é assim: Sugere a nossa (in)consciência o engano de que Deus vive para nossa vontade e não nós para a vontade Dele.

Nota: Na primeira edição deste texto, fui questionado pertinentemente por um irmão querido que dizia que o problema da insensibilidade está no fato de que ser sensível a voz de Deus é um "tanto quanto" subjetivo. Ele dizia isso baseado nas muitas correntes de ensinamentos que existem.
Apesar de ter dito acima que Deus é tão justo que ele compreende a incapacitação humana, eu não saberia responder a ninguem se alguem me pedisse para ensinar como ser sensível. E creio que não existe ensinamento para isso. Não saberia responder justamente porque minha experiência não serve como norma para ninguem. Agora, sem essa pretensão, o que posso fazer é apontar alguns caminhos que me ajudaram a encontrar a referencia para discernir a sensibilidade.

  • Inicialmente foi compreender que Cristo se mostra apto a responder a todos com exemplos pela palavra, através de suas parábolas, a todos que se achegam a Ele, todos que reconhecidamente precisam Dele, e todos aqueles necessitam ouvir o tipo de resposta que certifica a presença de Deus na humanidade. E todas essas coisas exigem uma posição de aceitá-lo como dono, conhecer a Ele através das escrituras e o principal, tentar estabelecer relacionamento com Ele. Por isso quando orarmos a Deus, estamos propondo uma conversa com alguem que é Oniciente e a que a Bíblia refere-se a Ele como Maravilhoso Conselheiro. Sujeitando ao conselho perfeito de Quem Detêm todo o conhecimento, e sabendo Ele que somos limitados, Ele responderá do jeito que minha incapacidade compreenda.
Não é segredo para ninguem que a humanidade é cheia de defeitos e falhas, mas é completamente possível pelo tempo de graça que vivemos que o pecado não tenha domínio sobre nós. Jesus disse que é possível, e pela construção da história bíblica, adicionando o real significado de graça, sabemos que é perfeitamente possível não vivermos sobre a escravidão do pecado. A bíblia diz: Romanos 6:14 “Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.” Por isso a intenção neste texto é mostrar que a sensibilidade não é matemática, mas pode ser plenamente exata desde que exista a leitura adequada das proposições Bíblicas. A começar pela crença de que Deus é suficiente pessoal ao ponto de responder a existência de cada um. Envolve perceber que Jesus se preocupou com humanidade antes da sua vinda, durante a sua vinda e para sua volta. E neste caminho, a sensibilidade começa quando o aceitamos e passamos a identificar no curso de vida de Jesus desde do inicio da humanidade,as mesmas situações que sensibilizaram a Ele. E com desenvolvimento da fé cristã, renunciamos o pecado por amor a Ele, propondo para nossa existência o culto racional em sincronia com a existencia de Cristo enquanto o homem, sua missão e seu propósito Eterno para humanidade.

Por isso na contra-mão daqueles que pensam que "vale tudo" na busca de ser feliz, o objetivo do cristão não é a busca da própria felicidade, mas ela como consequência da vontade de Deus. Se necessário for, abrimos mão da nossa própria felicidade para fazermos a vontade de Deus. Essa é nossa essência, Deus acima de todas as coisas, no centro do nosso coração. E para viver assim somente se estivermos sensíveis a vontade de Deus.

Vejo que muitos dos "novos" cristãos são pessoas com boas intenções, porém sem muita noção do que evangelho realmente representa. O evangelho é a consolidação da maravilhosa notícia que Cristo chegou a nós com todo seu poder de transformação do mundo, convergindo a todo aquele que crê para o propósito eterno de Deus que é sermos iguais a Jesus. Isso reforça e consolida a idéia de que não precisamos fazer qualquer coisa pela nossa felicidade, mas devemos deixar Cristo fazer tudo em nós, e isso inclui até a escolha de nossa felicidade.

Quero ressaltar, que Independente das vias, um dos principais objetivos de Satanás é tornar o cristão insensível a real vontade de Deus para nós, colocando-a em segundo plano e confundindo no coração das pessoas com o egoísmo de que precisamos lutar por nossa felicidade. Não se engane, de todas formas, minuciosamente ou não, o inimigo tentará minar nossa sensibilidade em Deus desviando o foco, trazendo falsas sensações que satisfazem apenas o momento. O desafio para sincronizarmos a vontade de Deus em nossa visa passa pela constante renuncia de nossa vontade para vivermos a vontade Dele. SANTIFICAÇÃO. A consolidação do ser Cristão, onde não há razão sem Cristo.

Primordial é estarmos sensivelmente "adestrados" com o discernimento da voz do Senhor, entendendo que a mesma não se difere em nada daquilo que ele já propôs na Escritura Sagrada, antes, é simples e direta em suas mensagens.

Espero ter contribuído.

2 comentários:

Raphael Rap disse...

O problema na realidade está no fato de que ser sensível a voz de Deus é um tanto quanto subjetivo. Pode ser somente sua palavra escrita ou há realmente uma voz audível? Tantas correntes, tantos ensinos que até para pequenas coisas a sensibilidade cristã se tornou complexa...

Daniel Moreira disse...

Raphael,

concordo sobre a complexidade. Não é fácil, mas apesar de não existir um formato, consigo encontrar uma linha nas ações de Deus com relação a humanidade. O primeiro passo que dei com relação a sensibilidade para discernir, foi conhecer e saber que Deus sempre fala de um jeito que considera e responde a incapacitação humana. Deus sabe tanto que os humanos são incapazes que Ele veio a Terra. Mas, minhas considerações na postagem são para dizer que o tempo que se determina a nós envolve uma atmosfera de insensibilidade. Neste mesmo tempo, multiplica os desejos oportunos que manipulam a idéia de uma voz de Deus que é escrava a vontade do homem

Brother, não saberia te responder se pedisse para ensinar como ser sensível, porque minha experiência não serve como norma para ninguem. Por isso, sem essa pretensão, posso apontar alguns caminhos que me ajudaram a encontrar a referencia para discernir a sensibilidade.

Cristo se mostrava apto a responder a todos com exemplos em suas parábolas, todos que se achegam a Ele, todos que reconhecidamente precisavam dele, todos os doentes e todos com precisavam ouvir o tipo de resposta que certificava a presença de Deus na humanidade.

Um exemplo são os cinco pães e dois peixinhos. Naquele momento Deus sabia que a maioria dos que seguiam Jesus eram compostos de pessoas que espontaneamente foram impactadas com o seu discurso e que não se preparam para o seguir naquele momento. Porém, não diferente da posição de pastor que Ele exercia, Jesus sabia que tinha que cuidar da necessidade das pessoas. Quando os discípulos voltaram com apenas 5 pães e 2 peixinhos, o "apenas" significava incapacidade diante da situação. Jesus queria que os discípulos procurassem alimentos em uma multidão despreparada para faze-los reconhecer algumas coisas:

1. Jesus queria mostrar uma lição de responsabilidade. Ou seja, se existe uma multidão nos acompanhando por causa de nossa palavra, somos responsáveis por ela. Em nenhuma momento vc verá Jesus fugindo deste tipo de responsabilidade.
2. Deus queria que os próprios discípulos reconhecessem a incapacidade diante da situação. A intenção é mostrar que nem tudo esta a base do bom senso, da racionalidade e no caso dos discípulos, da omissão.
3. Deus não oferece só palavras, mas a materialização da ação de sua mão. O milagre da multiplicação é um exemplo disso.

A intenção em te falar essas coisas é mostrar que a sensibilidade não é matemática, mas é plenamente exata se existir a leitura adequada das proposições que Deus nos deixou. Envolve perceber que Jesus se preocupou com humanidade antes da sua vinda, durante a sua vinda e para sua volta. E o caminho da nossa sensibilidade começa na identificação das situações que sensibilizaram Jesus. Desde do começo da humanidade até a sua volta.

Na realidade o post é um convite a reflexão para sensibilizarmos mais com o nosso tempo, reconsiderarmos os conceitos cristãos da Igreja primitiva, sermos mais criteriosos quanto a publicação de nossas experiências com Deus e buscarmos a sensibilidade necessária para entender e cumprir a vontade de Deus

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