sexta-feira, 11 de maio de 2012

Estamos entendidos?


Mudei o foco da minha vida. Não apenas a forma como vejo, mas como especificamente vivo. E vivo pensando nisso: Se o pardal encontrou casa e andorinha ninho para si, eu o teus altares. E o que seria altares? O lugar onde estamos diante de Deus para renunciarmos quem somos e reverenciarmos pelo Aquilo que Ele é ou seria o beneficio onde Deus permite que minha vida sem nenhuma liturgia ou doutrina possa cultuá-lo. Basicamente penso nas duas ideias e completo com o enfoque feito na ideia destes pássaros citados, ou seja, nos altares é que devemos fazer nossa casa.

Visualizando o conceito de casa, tenho a sensação de conforto e privacidade, onde podemos ser "nós mesmos". E neste ângulo, impossível é não perceber como complicamos nossas vidas nesse sentido. Ainda mais quando leio e releio este texto, onde o salmista apresenta com simplicidade a dimensão do cuidado de Deus. Lembro-me daquele texto de Mt 6 que diz que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles. Sabe quem é um deles? Lírios do Campo. Quando vejo tenho a sensação exata que Deus esta pronto cuidar e não para impor um monte de disciplinas na vida de alguém, antes nos propor o melhor não por barganha, mas porque é natureza de Deus. Deus é eficientemente amoroso e simples.

Nas muitas porções da minha vida reflito a seguinte a ideia: "Sou uma pessoa imperfeita tentando ajudar gente imperfeita". Tento ajudar da forma mais simples possível. De certa maneira lembrar de mim mesmo, de minhas imperfeições e assim compreender porque as pessoas são tão volúveis e diferentes. Muitos devem perguntar: Como alguém que tem problema poderá ajudar? Tenho vários argumentos para responder, porém lembro-me de Davi que foi considerado homem segundo coração de Deus, autor de vários salmos e notoriedade na Bíblia, e ainda assim ele tinha defeitos assustadores. Chega a ser comum, encontrar nas histórias bíblicas imperfeições humanas e o amor do Senhor sempre compreendendo e mudando a história da humanidade. Por que seria diferente hoje? Não é. E mais, sou alguém que venceu muitas imperfeições por ser ajudado também por uma pessoa imperfeita que vivia um estágio melhor do que o meu.

Concordo que há aqueles que aproveitam da ideia de humanidade imperfeita para se deleitar no pecado. Enganam a si mesmo com a desculpa de que a carne é fraca e que não suporta tentações. Tentam usar a graça de Deus de modo corrupto e dissoluto, mas vivem assim para a própria condenação. Ser cristão sem esforço é fácil demais. É viver adaptando tudo ao seu contexto. A esses, posso apenas dizer que o Evangelho sem mudança de vida não é o Evangelho de Cristo.

Antes gosto de lembrar que o evangelho é para as pessoas e não instituições. Viver intensamente para Deus é construir algo de acordo a identidade que Ele te deu. Se músico, a música. Se escritor, a escrita. Se pregador, a mensagem. Agora, percebo pela vida de Jesus o nosso chamado é para sermos cristãos. Então se cristão, devemos ser semelhantes a Jesus Cristo. Fazer do seu dom uma direção para o ministério de Cristo. Dom é presente de Deus. E o maior presente que recebemos pela graça e por intermédio da fé é a salvação. E a salvação age no essencial. Ou seja, os maiores talentos que temos são cativos ao maior talento que recebemos que é a nossa salvação, salvação que é um meio para o fim de sermos todos semelhantes a Jesus.

Acrescento a ideia de que existe uma universalidade no Ministério de Jesus que independia dos dons. Servir pessoas. Jesus sempre ajudava independente se as pessoas iriam segui-lo ou não. E isso nos falta. Virou uma deficiência. Comportamos-nos como os fariseus. Em boa parte de professos cristãos, fazer o bem é uma forma mascarada de alguma outra intenção. Algumas políticas, outras por vaidade e outras por um tipo de barganha que não sei explicar. Talvez seja por isso que hoje encontramos um ambiente cristão confuso. Onde pessoas entendem que a graça é passe-livre para pecar. Onde o talento pode ser usado para próprio bem, onde a glória do seu dom pode ser divido com Deus.

Vejo que existe uma linha muita pequena que separa a ideia de julgamento entre pessoas e seus frutos. Muito difícil interpretar alguém quando se tratam dos juízos que fazemos de pessoas com seus credos, classes, cor, opções sexuais, etc. Há uma inversão nisso, pois podemos discutir refletir, orientar, porém nunca poderemos julgar pessoas. Julgar é se por na posição de juiz, e isto implica em ter toda a ciência e compreensão dos fatos para aplicar o juízo. E humanamente nossa limitação não permite. Porém, a nós cabe conhecer e prosseguir em conhecer, e como citado, orientar. A nós cabe a assumir a posição de Deus para as nossas vidas. Por isso, as posições que tenho tomado ao longo de minha vida se baseia na leitura cristã que faço. Deus é quem toma as decisões, eu apenas a sigo. Sirvo a Deus e não a minha própria causa.

Estamos entendidos?

Nenhum comentário: