sexta-feira, 30 de maio de 2008

Sobre Ministério: O trabalho da Igreja é o mesmo que o trabalho na Igreja?

Sempre percebi um problema na concepção da Palavra Ministério e na idealização do que é o Trabalho para Igreja. Nos dias atuais, não vejo muita diferença entre Ministério e Trabalho quando se trata do contexto Cristão. Contudo quero propor algumas ponderações sem a pretensão de achar que estou certo.

Introdução
Não vou dizer o que há de errado, apenas postar impressões sobre uma má formação na concepção do que representa o trabalho para a Igreja. Depois de muitas experiências e visões diversas sobre a Igreja, uma coisa é claro - O Maior Trabalho a Ser Feito Pela Igreja Esta Aparentemente Fora Dela. Quando digo nestes termos, escrevo para aqueles que sonham, preparam e vivem a expectativa de conseguir um cargo em suas congregações. Quando se trata de ser útil como Cristão, boa parte dos cristãos que freqüentam a Igreja, conseguem apenas visualizar reconhecimento de sua utilidade se prestar algum serviço dentro da Congregação. E mais, só consideram o trabalho efetuado dentro da Igreja. Acham que obra do Senhor está nos departamentos, apenas naquele contexto interno referente aos cargos. Ou seja, atestam sua fé se tiverem cargos no ambiente da Igreja denominacional. De certa forma, resolvem em suas mentes que essa é única forma de ser reconhecimento como "Cristão Abençoado", tornando dependentes e "viciados" numa forma de Igreja completamente diferente daquela que Jesus visualizou para a mesma.

Tbem vejo que toda essa confusão é conseqüência em parte de um Evangelho de Auto-Ajuda onde criam pessoas dependentes a algo, símbolo e qualquer força impessoal desde que se mantenha no formato de crente com seus jargões. Posiciono-me contra a dependência que este tipo de mensagem cria em muitos cristãos aquela necessidade de se ter um grupo de apoio incentivando e ajudando a sua auto-afirmação da Utilidade na fé. Precisam ouvir promessas, revelações, mensagens de vitória e conselhos de auto-ajuda. É importante lembrar que o Evangelho é dependente de Deus e não de pessoas ou convenções. Conviver, compartilhar, e de certa forma ser ajudado evidencia o Cristianismo, mas não nos torna dependentes de pessoas. Ser dependentes de algo é ser escravizado por aquilo.

O contexto da Igreja nestes últimos dias tem se misturado com a tendência corrupta deste mundo que só deturpa e banaliza os valores da fé cristã. Os lideres tentando contemporizar voltam para recursos do sistema secular, passam a crer em um formato de Igreja que valorizam a quantidade recrutando apenas simpatizantes da fé, pessoas que encontram no tempo religioso um lugar para "massagear o ego com promessas". Por conseqüência, a igreja toma um novo significado, Igreja Moderna - Cristãos vazios e religiosos procurando respostas para suas necessidades de momento, satisfação pessoal e realização de seus desejos. A essência que fundamenta a fé foi perdida nesse caminho entre responder ao chamado de Jesus perpetuando sua herança como legado da missão da Igreja e apresentando o Evangelho para humanidade. Parte dessa deturpação do sentido genuíno do evangelho deu-se pelo rebaixamento nível de conhecimento e da moralidade para tornar o discurso mais atraente para a humanidade. DEUS é receptivo, amoroso, cheio de graça e misericórdia, porém não tolera a iniqüidade e nem aceita como justificação essa idéia negligente sobre a herança do pecado.

Simplesmente creio na utilidade do trabalho interno da Igreja, mas sou completamente contra as convenções forçadas por meio de líderes em suas congregações de que essa é única forma de trabalho prático da obra do Senhor. Uma concepção distorcida, pois apesar da necessidade de um trabalho infra estrutural, a igreja recebeu um legado que deve funcionar como missão dela. A missão não é apenas sitiar-se em um lugar e manter um nome ou uma convenção regida por regras. A igreja denominacional é a manifestação e a integração do trabalho da igreja-pessoa, onde pessoas com suas características diferentes mantêm uma instituição social onde juntam forças para cumprir o chamado da Igreja gloriosa que é o IDE. Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura. Marcos 16:15

Em outras palavras podemos definir como Referencia para as comunidades afim de prestar serviços sociais e outras obras. Esta Igreja alem de ser um instrumento para criar o vinculo da perfeição, ela é amostragem perfeita para a sociedade de que existe um Deus que assegura as pessoas do ritmo incerto e inconstante do mundo. Essa igreja imita a vida de Cristo, e a mesma O reflete como referencia para todos ter no Salvador o parâmetro para sitiarem suas vidas. Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz 1Pe 2:9 A essência do nosso chamado é tornar o povo santo que anuncia os atributos de Deus.

Mais considerações sobre Trabalho como Ministério

Antes de definir qualquer coisa acerca da fé Cristã é preciso ter a noção exata de qual herança que Jesus nos deixou como Igreja. Sendo filhos, somos logo herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo (Rom. 8:17) Se somos a Igreja, funcionamos para a Missão da mesma. E por mais que tenhamos pontos de vista diferentes, qualidades e característica distintas, tudo se unifica e se absolutiza em Deus. “Pois quem não é contra nós, é por nós” (Marcos 9.40; Lucas 9.50); "Quem não é por mim é contra mim, e quem comigo não ajunta, espalha" (Mateus 12.30; Lucas 11.23). Essa é uma passagem que responde a idéia de que não existe um padrão de trabalho no contexto da Igreja. Costumo orientar pessoas dizendo que o ministério precisa se submeter ao legado de Cristo e passar pelo crivo dos versículos de Marcos e Lucas.

Muitas pessoas podem questionar uma limitação quanto ao Ministério imposta por Ef 4:11, porém o que temos visto é que as formas de trabalho existentes hoje em dia variam desde escritor, como conselheiro virtual, como gestor de trabalhos dos mais diversos e todos cristãos. Pessoas que se preparam e entenderam que o seu melhor talento devidamente instruído é a oferta da virtude de Deus para transformação das pessoas. Se o trabalho não contraria os princípios da Palavra e esta favoravelmente a serviço da Obra do Senhor, então este deve ser considerado Ministério. A forma com que levamos a mensagem seja falando, cantando, aconselhando, escrevendo, orando, desde que se enquadre nos fundamentos bíblicos e tenha a intenção principal do propósito da Missão da Igreja, tem o devido valor e pode ser entendido como Ministério.

Ainda sobre Ef 4:11 - Traz a idéia de que ele Repartiu: O texto no contexto sugere a idéia de distribuir. Nesta idéia podemos entender que ele distribuiu dons diferentes com o seu valor para a construção de uma Igreja Perfeita. E uma Igreja perfeita não é idealizada por pessoas sem falhas, mas por um corpo sem imperfeição. Onde membros, juntas e ligamentos funcionam para aquilo que foram criados e se completam pelo vinculo da perfeição. E isso é fraternal, demanda tempo e preço. Só é alcançado quando nossas características diferentes são administradas para um mesmo fim. Uma observação sobre os Evangelhos escritos é que todos têm características diferentes, mas todos apresentam o mesmo tema - A vinda de Jesus como homem e sua Missão. E o interessante é que a inspiração veio de Deus, e o mesmo respeitou o aspecto da leitura Crista Humana. Deus nos trouxe nesta terra com dons diferentes, em contextos diferentes e ate culturas diferentes, mas com uma única missão.

A obra do ministério foi condicionada ao aperfeiçoamento dos cristãos e a construção do corpo da Noiva de Cristo. Ou seja, não usar os dons para o beneficio do próprio interesse, mas sim da missão que foi confiada a Igreja. Em 1Coríntios 12:4 está escrito que há diferentes tipos de dons, mas o Espírito é o mesmo. Vejo trabalho da Igreja desde Infra-Estrutura de uma comunidade até as ações no campo Missionário. São diversas formas de trabalho, desenvolvidas por características diferentes, mas todos funcionando para a missão da Igreja. O trabalho começa no talento aperfeiçoado de cada um, passando pelo critério de princípios contidos na palavra de Deus que nos traz a dimensão do que representa a continuidade da herança missionária que Cristo nos deixou. A dimensão da Verdade para que anunciemos aos povos, sem exceção de credos, raça ou tribos. Todos sem acepção de pessoas, possam ouvir o Jesus como Senhor.

As considerações finais sobre o trabalho eclesiástico são que todos independentes de suas funcionalidades, precisam obedecer ao Mesmo Critério que Cristo estabeleceu para os discípulos. E a base para iniciar-se é a Renuncia - "Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me. Não a fins próprios em trabalhar para Cristo, a essência não somos nós e Sim Ele. Enfim, servir a Cristo demanda morte dos próprios interesses e entendimento dos Interesses de Cristo, a fim de se tornar um agente de sua causa.

Espero que tenha contribuído.

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