Extraído do Blog Daladier
A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição.
Permita-me traduzir: A mulher não terá oportunidade na igreja nem para ler versículo! Se duvidam da paráfrase, leiam o próximo versículo (2:12):
Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio.
Isso significa o seguinte: as professoras de EBD de nossa igreja estão erradas, as maestrinas dos orgãos de louvor estão fora de lugar (já que ensinam música e canto, algumas das quais para seus maridos que destes orgãos fazem parte), as cantoras também, as dirigentes de Círculo de Oração, Infantil, inclusive, e, por fim, toda a rede de prestação de serviços femininos está comprometida e em contradição com os versículos acima. As cantoras estão incluídas na lista, entre outras coisas porque estão em desacordo com a historiografia do Velho e do Novo Testamento, onde só homem canta! Raras são as exceções: Miriam, Débora, etc.. Logo, como diz um dos missivistas dos comentários àquele post, as regras é que devem ser cumpridas.
Pergunto-lhes: Esta afirmação paulina foi revogada? Acredito que não. Se não, então todas as igrejas evangélicas que eu conheço estão em desacordo com a Palavra de Deus. Aprofundando um pouco mais: Será que as irmãs poderão ser usadas em profecia para repreender seus maridos? Ou somente quando não houverem homens disponíveis para serem usados?
A cisma de ver as coisas sob este prisma vem da ameaça de se comprometer a inspiração da Bíblia, mas eu não tenho tal problema. Consigo divisar os apóstolos como homens e sendo usados por Deus para escrever a Bíblia. Consigo perceber o Paulo de I Co 7:12 e o de II Co 11:23. Para mim não são dois Paulos, mas a mesma pessoa com seus afazeres e suas perspectivas cotidianas. Influenciadas, repito, por sua carga antropológica hebraica única.
Ora a dedução é clara, se a sociedade judaica, e as orientais em geral, dão tanta ênfase ao macho, esta influência impregnou a Bíblia. Isto não a desmerece, nem compromete, nem mesmo a citação de II Pedro 1:21, mostra apenas que Deus não abriu mão da humanidade deles. Que profeta em nossas ADs sendo leigo não usa palavras coloquiais em sua profecia, pelo simples fato de que está sendo usado por Deus com os recursos peculiares daquela pessoa? Ou só deveríamos receber profecias com o uso adequado do português, já que são divinas? Quando Paulo fala sobre o celibato não está expressando uma posição particular (I Co 7:1,27)? E quando ele diz: Digo, não o Senhor, mas eu (I Co 7:12), não estava sendo inspirado?
Voltando ao cerne da questão. De fato, mulheres em todo o mundo estão desempenhando tarefas ministeriais, sejam afeitas ao diaconato (servindo, orando e visitando os enfermos), ao presbitério (ensinando) ou até mesmo pastorado (tomando conta do rebanho), e nesse mister algumas delas estão a anos-luz de muitos homens. Não desejaria reinvindicar nenhum posto para elas, apenas evidenciar que isto já ocorre entre nós, daí estarmos discutindo o que já aconteceu, é fato consumado. Em nossa convenção há a reitora do seminário, ela pode formar obreiros, mas não pode ser um? Que contradição! A discussão, portanto, gira em torno do título a elas dado, se lhes daremos ou não uma carteira ministerial, porque na prática o trabalho já é feito. E creio que mesmo sem títulos elas continuarão a fazê-lo.
Em tempo, não apóio o machismo ou feminismo, não os acho simpáticos.
E não esqueça o que diz I Co 11:13!



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