sexta-feira, 30 de março de 2012

Banalização da Musica Cristã

"Chamando a si o povo e seus discípulos, ele lhes disse: se alguém vir após mim, que renuncie a si mesmo carregue a sua cruz e siga-me; Marcos 8:34

Introdução.

Renúncia é negar a si mesmo. Negar é diferente de desistir de si mesmo. Negar é imprescindível quando a sua vontade está em conflito com a vontade de Deus. É negar a própria vontade. Negar é uma orientação para aquele que quer seguir a Jesus. Submeta a Vontade de Deus e sempre que sua vontade estiver em confronto com a vontade de Deus, negue-se.

O prelúdio é para construir uma reflexão acerca da música “gospel”. É para lembrar que qualquer coisa que fazemos no meio cristão, passa inicialmente pelo Negar da própria vontade. 

Desenvolvendo sobre o tema

Algo inicial para abordar a respeito do tema é o crescimento acentuado de bandas, ministérios, coros e qualquer tipo de grupo musical de alguns anos para cá. Inevitavelmente temos que admitir a valorização da música gospel e como consequência disso o crescimento acentuado de pessoas que fazem parte da área "musical-gospel" pelo Brasil anil. Todavia, pensei igualmente nos problemas que isto trouxe. E pode ter certeza, não foram poucos.

Sem dúvida esta valorização trouxe vários benefícios como a diversidade cantores, bandas, ritmos e até facilitação para produção de mídias. Facilitou o processo. Por outro lado, ao facilitar o processo apareceu todo tipo de gente interesseira e oportunista. Gente sem nenhum preparo para tal. Fica exposto e evidente uma das deficiências dos cristãos que é a falta de orientação adequada quanto à música cristã e a sua finalidade. Como consequencia, isto afeta a identidade cristã.

Hoje, para a maior parte dos cristãos professos, a motivação não está na essência do significado de fazer música como missão do evangelho, mas no desejo vaidoso de se realizar. O discurso de querer fazer a "obra do Senhor" é apenas uma desculpa para o desejo de realização pessoal. No fundo é uma mascára para facilitar a oportunidade para o próprio sucesso e fama. Observe ao seu redor.

Nada contra quem deseja a realização pessoal, porém ressalto que o problema é usar o Evangelho para seu próprio benefício. No curso certo do Evangelho é evidente que Jesus riscou de suas metas o reconhecimento, a comodidade e o conforto. O Rei da glória, Filho do Deus vivo entrou "triunfalmente" neste mundo através de uma manjedoura (Onde cavalo come).

Realização pessoal não combina com o Cristianismo. Se aprofundarmos na percepção, veremos que as formas de comunicação, as mídias sóciais e outras formas usadas estão servindo mais para autopromoção do que propriamente a missão do Evangelho. Como disse, eles tentam fazer isso através de uma falsa santificação para facilitar este objetivo. É como se usassem um maquiagem cristã. No fundo estão trazendo os anseios do meio “secular” para dentro do contexto cristão.


Particularmente acredito que muitos estão neste ambiente ignorantemente, sem ainda saber direito qual é o papel deles no Cristianismo. O problema é que este tipo zelo se apóia na ignorância. Também é inevitável não admitir que as Igrejas estão doentes, pois as mesmas não sabem discernir o que significa a vida ministerial na fé Cristã. Quando não sabemos nossa posição, o nosso critério seletivo do filtrar e reter o que é bom fica comprometido. Daí em diante, passamos a usar os meios, artifícios e estratégias seculares para justificar e facilitar a própria existência.

Uma realidade

Pense comigo: Não existem palcos e casa de shows que se equiparam aos púlpitos de Igrejas que existem por aí. Na proporção devemos ter no mínimo 200 igrejas para cada casa de show no País. Ou seja, Igreja virou o palco mais facilitado. Sair por aí tocando e se promovendo está simples demais que chega assustar. Basta ter um empresário que tem boas relações e pronto, a banda tem agenda. O problema neste tipo de “obra” é justificar a existências destas bandas e grupos musicais dentro da finalidade do Evangelho. A maioria responde e justifica a existência com os clichês, mas o verdadeiro fruto que presta honra Deus está longe de acontecer.

Com um olhar mais profundo, vamos perceber que isto é misto de falta de discipulado, engano e vaidade que aos poucos corrompe os ideais cristãos com mentiras mascaradas de verdade. A turma confunde missão do Evangelho com fama e sucesso. Acreditam que a forma de ver seu trabalho reconhecido é ganhando o mercado. São nestas coisas que se instala uma apostasia sem limites que deturpa valores cristãos. Depois, como implicação deste engano vem insensibilidade e banalização de elementos e fundamentos da fé.

Observando



Não é segredo entre os "cristãos" que a música "gospel" tem sofrido uma brusca queda de qualidade. É facilmente encontrado assuntos como à falta de Bíblia nas letras, falta de arte nas canções, falta de poesias, falta de percepção dos problemas da sociedade e banalização de atributos da fé Cristã. Quando conversamos com cristãos mais antigos, a maioria sente um misto de sentimento de saudade com tristeza por lembrar-se de sua época com grande referência das canções carregadas de poesias e que principalmente ensinavam valores bíblicos. Sem dizer que eram canções que se cantavam em coletivo exercendo a idéia de corpo de Cristo. As canções eram sempre na primeira pessoa do plural. Esta lembrança se dá pela deficiência, ou seja, as canções são individualistas, sem conteúdo bíblico e com pouquíssima  originalidade.

Atualmente as canções que tomaram espaço são as canções que tratam relação interna de sentimentos com o "Criador" na primeira pessoa. Na verdade o "deus" cantado é uma expressão da cobiça e autoimagem que homem faz de si mesmo. 

Fundamentando

Entendo que se a arte musical gospel esta debaixo de um legado, a mesma precisa estar submissa à herança deste propósito maior que é a missão da Igreja e que nós como cristãos devemos dar continuidade. A própria concepção de legado sugere isso. Então não basta apenas nossa vontade, nosso talento, nossa determinação para fazer música, mas é necessário perceber a missão universal e os deveres espirituais propostos pela Bíblia para todo o cristão e a partir disto ser digno da vocação do Senhor. Os talento são a ferramenta que Deus nós concedeu para esta missão. Só assim os dons darão frutos. 

Quero frisar que o crivo nunca pode ser o talento de alguém. Tem que ser muito mais do que dom, deve ser o caráter do próprio Cristo. Lembre-se, a música não tem um fim em si mesma, ela deve unicamente funcionar para a Missão do Propósito que lhe é ordenada, ou seja, a missão do Evangelho. E a principal missão do Evangelho restaurar o próposito Eterno de Deus através do Ser e Fazer discípulos.

Concluindo


A reflexão deste texto é mostrar que fantasia criada pela valorização musical da Igreja como algo bom, na verdade tornou uma arma da insensibilidade do meio "gospel". Trouxe inúmeros problemas pela falta de densidade e identidade da nossa vida cristã. A maioria dos cristãos não são discipulados corretamente e por isso não estão fundamentados para discernir as conseqüências.

Por isso, nunca devemos "rebaixar o nível da verdade, a fim de obter conversões, mas precisamos elevar o pecador corrupto à alta norma da lei de Deus." Jó pergunta: "Quem do imundo tirará o puro? Ninguém." (14:4); e o sábio acrescenta, em Provérbios 6:28 "Ou andará sobre as brasas sem que se queimem os seus pés?" (o texto em "Itálico" foi extraído do estudo Música na IASD: Questão de Gosto?)

Todo o conteúdo deste texto faz parte de observações e experiências do contexto da Igreja. Não serve como normas, mas como uma crítica da música eclesiástica. Espero que este texto ajude aos irmãos a fazer o auto-enxame da realidade de nossas congregações.
 
--

Daniel Moreira

2 comentários:

Victor Fontana disse...

Daniel,

É fato que existe uma tendência grande de pessoas mirando a realização pessoal que sobem em púlpito para cantar ou tocar.

Eu me pergunto, entretanto, se não há quem suba no púlpito para pregar com esse mesmo anseio.

Ou, quem sabe, quem faça grandes congressos missiológicos buscando o mesmo tipo de realização.

Talvez exista quem escreva belos livros de tema evangélico e no fundo tenha esse intuito de "aparecer".

O que eu sei é que eu mesmo tenho dificuldades nessa área. Às vezes sou tentado a agir, como líder de jovens, para a minha própria realização.

Creio que devamos todos vigiar para que, ao exercer um ministério, de fato nos sintamos realizados, mas que o propósito seja cumprir a Palavra de Deus.

abs e perdão pelo longo comentário.

Daniel Moreira disse...

Obrigado Vitor pelo seu comentário.

Eu concordo com vc que o discernimento para saber nossa real motivação sobre as coisas de Deus é muito minuciosa. Inclusive até para manter este blog eu reviso minhas motivações...

Valeu e fique venha sempre por aqui