terça-feira, 10 de maio de 2011

Em Reflexão - Proibir ou Instruir?

Durante muitos anos a igreja literalmente proibia diversas situações por acreditar que fazia mal aos fieis da igreja. Com o decorrer dos anos, as mesmas foram mudando de postura quanto as suas proibições. Diminuíram as doutrinas, consequentemente começaram permitir coisas que antes não aceitava.

Muitas destas proibições tinha prazo de validade porque não vinham construídas sobre argumentos sólidos para a finalidade daquelas proibições. Por isso, não tinham nem como avaliar se eram justas ou não. Consequencia: Desgaste entras as relações de discipulado na igreja quanto se tratavam de determinados assuntos. A proibição está muito ligada a falta de confiança em alguma parte do processo do discipulado e consequentemente é o que gera a indisposição no aprendizado.

Por culpa ou não dessa indisposição, começaram a criar um conflito entre os dois significados como se um fosse o oposto do outro. Nesta relação, as igrejas começaram abordar temas com mais liberdade justificando na necessidade de instruir. Trouxe esses temas para dentro das congregações com abordagens banais, propondo de uma forma irresponsável um cristianismo moderno que respondesse aos dias atuais. Porém, os nossos dias foram tomados por uma "epidemia de falta de testemunho" , e pior, epidemia causada justamente por aqueles cristãos que não tiveram uma base de ensinamento adequado.

Mateus 5:13-15 Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte;nem os que acendem uma candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no velador, e assim ilumina a todos que estão na casa

O resultado de hoje é meio que consequencia de uma série de liberações promovidas por este passado recente: Ex.: Boates Gospel's, Bar de Crentes (Butecrente), jovens cristãos "ficando", distribuição de camisinhas no culto dos jovens para evitar a gravidez, Programas de Televisão "Evangélicos" que usam humor depreciativo, Igrejas de homossexuais, Pastores Fazendo Politicas em Púpitos, Pastores acusando uns aos outros pelos canais de comunicação, e outros exemplos. Tudo isso de certa maneira misturou e confundiu a imagem da Igreja. Fez com que aquela idéia de instituição segura, constante e acima de qualquer "suspeita", adequasse ao mundo para tentar ser mais moderna e corresponder a evolução. Sensacionalizaram os sermões, corromperam nossas ofertas, deturparam nossos ensinamentos e banalizarm a nossa imagem eclesiastica. Tudo isso confundiu de modo geral a posição entre os termos proibição e instrução.

Quero frisar que sou completamente favorável a instrução, mas pela consequencia de uma cristandade completamente corrompida pelas proposições humanas, fica impossível escrever sobre instrução pelas vias atuais e pela nossa própria capacidade. Por causa da confusão das definições e a idéia de conflito que criou entre os dois termos, sem enveredar por outros caminhos, quero ponderar sobre a identidade dos signifcados de instrução e proibição

Instrução - significa ensinar, educar ou mesmo mostrar o caminho. Nesta linha vou considerar alguns versículos:
  1. Provérbios 22:6 Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele.
  2. I Corintios 6:12 - Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.
  3. João 14:26 - Mas o Ajudador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito.
Diante disso, visualizamos a importância de aprender a ser equilibrado pela consciência moral gerada pelo Espírito. Vemos na construção da família a sólida referencia para ser o agente formador do carater para que mais tarde, ao se deparar com as diversas propostas, a memória dos ensinamentos será o parâmetro. A instrução bem fundamentada reforça os princípios Cristãos. Quando somos educados desde cedo a seguir os preceitos do Senhor, seguindo o curso natural da vida, tornamos cristãos firmes na fé, e depois com o tempo, tornamos aptos o suficiente para discernimos o que convém e que não convém. Precisamos considerar sempre que a tradição Cristã é uma das formas de crença mais bem sucedidas e por isso com todos os seus detalhes, incluindo as proibições, incluem em uma forma eficiente de instrução.

O que comprova isso é a corrupção das nossas bases cristãs. O surgimento de novos convertidos sem a devida capacidade de preparo para o discernimento. Se relevarmos a idéia de proibir dentro da realidade desta cristandade, encontraremos uma necessidade do emprego da proibição junto a instrução sem serem conflitantes. Por isso vamos definir o termo proibir.

Proibir - significa impedir que se faça.

Quando se trata de autoridade, a figura do pai proibindo seu filho de fazer algo é uma boa referencia para entendermos o exemplo acerca de instrução. Nesse ponto começamos a entender a possibilidade de que a proibição faz parte da instrução. Dependendo da idade, o filho ainda não consegue compreender algumas coisas, neste momento é usado a autoridade (diferente de autoritarismo) paterna para observar o melhor ao filho, justamente porque o filho não consegue compreender a instrução. Isto não significa que proibição deva vir sem a instrução. O que quero responder aqui é que não existe confiança para exercer uma responsabilidade se antes não for acompanhada por uma instrução. O ponto a ser avaliado é a ordem dependendo do grau de instrução que alguém recebeu ou não.

Então propor limites é construir convenções que em nossa ótica modelam um formato no sentido de formação. Não diferente na Bíblia, a proibição não é irregular por si mesma, ela delimita se pode ou não fazer algo. Podemos citar a Bíblia em muitas circunstancias, pois a palavra de Deus proibia e proibe seus seguidores de fazerem algumas coisas, e mais, sem dar nenhuma instrução. Mais tarde, só podemos compreender tais proibições através da revelação da Palavra de que toda e qualquer "coisa" por parte Deus tem o fundamento que é para o nosso bem. Romanos 8:28 E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito

Se ainda não se convenceu, no Velho Testamento, houve os 10 mandamentos que determinou em uma série de leis que formataram a ordem da sociedade naquela época. Podemos citar um exemplo de um mandamento - Não mataras. Se uma pessoa não tiver nenhum conhecimento pré-concebido em sua mente, apenas dizer que não pode fazer isso caracteriza em proibição, e com outras premissas de conhecimento sabemos que esta proibição tem um fundamento válido.

No jardim do Éden, quando Deus disse a Adão que não comesse daquele fruto, Ele o instruiu com uma proibição. Esse limite dependia apenas da obediência a autoridade de Deus por ser o Criador e ter conhecimento de todas as coisas o que envolve tambem a credulidade. Existe mais coisas nesta história do que podemos imaginar, pois Satanás seduziu ao homem a quebrar o limite daquela proibição pelo mesmo motivo que determinou sua queda, mas quero frisar sobre uma proibição simples para um adulto que simbolizava a excelencia da Criação, e que ainda assim se corrompeu e tornou um limiar para a decadencia da humanidade. O que indiretamente responde a gente num devaneio rápido de que temos problemas históricos com proibições.

Entre outras coisas, as leis são proibições que se caracterizam por apenas modelar o que não se deve fazer e não por instruir o porquê que não se deve fazer. Por isso a proibição quando empreendida a certa fase da maturidade é a ferramenta mais eficaz para a instrução. Nesses moldes, podemos entender que proibição é o primeiro passo para a instrução. Se justifica porque quando ainda meninos na fé, não compreendemos certas coisas que só entenderemos quando mais maduros. 1 Cor 14:20 Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento. Agora quando mais maduros, ja desenvolvemos o critério para o discernimento, e por isso a instrução revelada pelo Espírito Santo é quem gera a consciência moral que define o nosso carater.

Portanto, diante deste pequeno texto quero confirmar minha posição de que a proibição bíblica em muitos momentos caracteriza autoridade de Deus quando os cristãos não compreendem seu mistério na totalidade. Se faz necessária, porque nela se firma a aceitação da nossa dependencia do Nosso Criador. Obedece-lo em qualquer proibição é reconhecer a suficiência plena de que Deus sabe qual é o melhor para nós independentemente de nosso conhecimento diante das situações.

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Daniel Moreira

Um comentário:

Xandi disse...

Continuo acreditando que o melhor seja instruir, porém a verdade é que hoje em dia simplesmente liberou-se e não se instrui.
O fato é que tais coisas não devem ser aceitas.
Se, após a pessoa ser instruída, continuar a praticar os mesmos atos, significa que ela não quer assumir um compromisso e quem não tem compromisso com Deus, não tem o corpo (a Igreja).